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CHUVA
DE PEIXES
Durante um temporal
que atingiu o noroeste mineiro, os moradores da região
foram surpreendidos quando pequenos peixes começaram
a cair do céu. Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007,
uma data pra não se esquecer. Não se trata de mais uma
história de pescador. É a mais pura realidade. A estranha
chuva aconteceu mais precisamente nas cercanias da cidade
de Paracatu (MG).
Ao ler a notícia, lembrei-me
que havia encontrado algo a respeito desse fenômeno
meteorológico na edição de setembro/2006 da revista
francesa "Science & Vie".
A chuva de peixes não
é um acontecimento tão raro quanto parece. O escritor
sueco Olaus Magnus descreve o fenômeno no seu livro
"História dos Povos do Norte" impresso em
Roma no ano de 1555. Sob o título "Ciências das
elites e crenças populares" a revista francesa
acima mencionada faz alusão ao fato e cita outros fenômenos
associados a crendices, como a queda de meteoritos,
a aurora boreal, o fogo fátuo etc.
A explicação plausível
para a chuva de peixes é simples e compreensível. Fortes
ventos com características de tornados passando sobre
água acumulada (lagoas, açudes, mares fechados, rios
etc.) podem sugar pequenos animais como sapos, peixes,
pássaros e conduzi-los ao longo de vários quilômetros.
Ao diminuir de intensidade, o vendaval libera os animais
que caem geralmente acompanhando uma chuva ou tempestade.
Às vezes, os animais,
caso dos peixes, suportam a viagem e ainda caem com
vida. Isto pode comprovar o pequeno intervalo de tempo
da duração do fenômeno ou da viagem. Embora existam
em vários países, milhares de testemunhas oculares das
chuvas de peixes, a primeira parte do fenômeno, ou seja,
aquela quando o tornado suga os animais, jamais foi
presenciada por alguém ou comprovada cientificamente.
Este caso de Paracatu
(MG) é o primeiro oficialmente registrado no Brasil.
Em caráter excepcional, o fenômeno pode ocorrer mesmo
na ausência de fortes ventos. Estudos sobre o episódio
citam casos de chuvas de peixes nos estados americanos
de Maryland (1828), New Jersey (1833), Rhode Island
(1900), South Carolina (1901) e Louisiana (1901). Há
ainda registros de outras chuvas em País de Gales (1841
e 2004) e na Índia (2006).
Após essas explicações,
aquela máxima da nossa política em dizer com sentido
metafórico "se um jabuti está em cima de uma árvore
é porque alguém o colocou lá", em determinadas
circunstâncias, esse alguém pode ter sido um vento forte,
o responsável direto pelo inusitado quadro. Prova disso
foi a tempestade que aconteceu em Louisiana (EUA) em
1896, quando caíram patos, pica-paus e canários.
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