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Em
nome da governabilidade
Uma das
heranças malignas da era FHC é a racionalização
dos acordos espúrios em nome governabilidade.
No passado, o partido ou partidos ganhadores
das eleições era situação e o perdedor ou
perdedores sem hesitarem iam para a oposição.
Respeitavam a vontade dos eleitores que
nas urnas optavam por uns ou por outros.
Raro o vira-casaca e este quando aparecia,
logo era alijado do processo eleitoral,
o povo o enxotava na primeira oportunidade.
A fidelidade partidária existia naturalmente.
Quem da velha guarda não se lembra dos apaixonados
pessedistas, udenistas e das coligações
partidárias disputando eleições em campos
bem definidos antes e depois dos pleitos?
O significado disso era o radicalismo? Nem
sempre. Nos embates, porém, resultava o
fortalecimento das agremiações partidárias
que em última análise significaria o vigor
da democracia.
Agora,
não, o sujeito é eleito vereador, deputado
estadual, federal ou senador por uma determinada
agremiação partidária, mas havendo conveniência
fisiológica, empregos e outras vantagens,
logo adere ao sistema que lhe oferece tais
regalias. No Rio Grande do Norte esse despudor
tem se tornado uma prática infeliz. Não
é concebível que de oito parlamentares eleitos
pelo PPB no último pleito, em menos de sessenta
dias sete deles tenham aderido aos partidos
e ao governo vitoriosos nas eleições passadas.
Quando transpareciam serem adversários inconciliáveis
pela manifesta diferenças ideológicas e
de propósitos, pelo menos na aparência?
Esse processo
espúrio é um completo desserviço à democracia
que necessita de homens públicos íntegros
e partidos fortes e não de arrivistas e
siglas amorfas que em nome da governabilidade
dão guarida a contumazes oportunistas.
O eleitor
consciente está atento aos governantes e
políticos que assim procedem e o troco poderá
vir num futuro próximo. É o que esperamos.
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