Agricultores comemoram antecipação do plantio

MÁRCIO COSTA
Da Editoria do Regional

Agricultores que se anteciparam ao apoio do governo comemoram bons resultados nas lavourasA antecipação do plantio na região Oeste do Estado começa a render os primeiros resultados práticos.

Empolgados com o registro de fortes chuvas na segunda metade do mês de janeiro, os agricultores que aproveitaram para plantar sem esperar pelo apoio do governo comemoram o bom crescimento das lavouras que começam a despontar em praticamente todos os municípios da região.

Em Caraúbas, os agricultores que se anteciparam no cultivo do feijão aguardam a chegada de novas chuvas para a garantia das primeiras colheitas que devem ser confirmadas nos próximos 30 dias.

“Se chover um pouco mais, em 30 dias estaremos colhendo feijão aqui em Caraúbas”, destaca o agricultor Evilásio Fernandes, um dos trabalhadores que decidiram aproveitar a terra molhada para dar início ao plantio independente da ajuda do governo em 2003.

Esta realidade também foi verificada pela equipe de reportagem de O Mossoroense no último final de semana no alto oeste do Estado.

Com o registro das primeiras chuvas no dia 18 de janeiro, os agricultores da cidade de Pilões aproveitaram os 52 milímetros de chuva para dar início ao plantio de feijão, milho e algodão.

O plantio foi reforçado por novas chuvas que mantiveram a terra molhada até a semana passada. No dia 19, os pluviômetros da cidade de Pilões registraram mais 42 milímetros e, somados, os índices pluviométricos já chegam a 109mm, nível considerado bom pelos agricultores.

O feijão plantado no primeiro dia de chuva já conta com cerca de dez centímetros de tamanho e, segundo os agricultores, serão necessárias apenas mais algumas chuvas para que as plantações resultem em boas colheitas.

“No estágio em que as plantas se encontram, será necessário apenas o registro de mais algumas chuvas. As plantas já estão com tamanho avançado e dificilmente irão morrer sem produzir”, destaca o agricultor José de Paiva Barreto.

Falta de apoio técnico preocupa agricultores

Mesmo com o otimismo gerado pelo avançado estágio de crescimento do feijão no alto oeste, os agricultores destacam uma preocupação especial com relação ao apoio oficial do governo.

Sem o encaminhamento de ações concretas registradas até o momento, todo o trabalho de cultivo tem sido encaminhado com recursos próprios dos agricultores e os métodos utilizados até o momento geram dúvidas com relação aos resultados que serão obtidos com a colheita.

“Plantamos com sementes próprias e não sabemos qual será o resultado na colheita”, destaca o agricultor José Barreto, da cidade de Pilões.

Segundo o agricultor, a iniciativa dos agricultores em iniciar o plantio sem o apoio do governo poderá render bons resultados, mas os problemas começam a surgir e sem o apoio institucional podem ganhar proporções amplas e comprometer a colheita de 2003.   

“Iniciamos o plantio com recursos próprios, mas ainda falta muita coisa para ser feita. Apenas metade das terras da cidade de Pilões foi cortada pela prefeitura que aguarda por novas chuvas para terminar o trabalho. O cultivo das terras que está só começando ainda exigirá muito apoio e sorte para os agricultores”, destaca José Barreto.

Segundo o agricultor, além das dúvidas com relação aos resultados dos plantios, pragas como a lagarta e o bicudo começam a surgir em meio as plantações de feijão e algodão, e que somente com a existência de um plano mais ousado do governo será possível otimizar as colheitas.

“Precisamos de apoio técnico e de inseticidas para combater as pragas. Sem este apoio o nosso trabalho poderá ir por água abaixo”, conclui o agricultor.

A interrupcão das chuvas nos últimos dias tem agravado a presença de pragas nas plantações e sem a consolidação de planos estratégicos para coibir a ação de insetos e lagartas, o homem do campo poderá se deparar com mais um pesadelo diante da instabilidade do inverno deste ano.

 

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Mossoró-RN, terça-feira, 11 de fevereiro de 2003