Mossoró-RN, domingo 6 de fevereiro de 2011

 

Fragmentos para a História de Areia Branca

GERALDO MAIA
gemaia@bol.com.br

Consta que no Sítio das Areias Brancas, na ilha de Maritaca, encontrava-se, por volta de 1860, ranchos de pescadores e nada mais. A movimentação mais ativa da região concentrava-se no povoado Barra do Mossoró, na margem esquerda do rio, que fora um dos primeiros locais a serem povoados naquelas paragens.

Na realidade, o litoral do município já era conhecido dos navegadores desde os primórdios do descobrimento do continente americano.  Gabriel Soares, no seu "Tratado Descritivo do Brasil", publicado em 1587, descreve as costas de Areia Branca. A primeira Sesmaria concedida naquela região foi para o coronel Gonçalo da Costa Faleiro, datada de 5 de julho de 1708, que constava de três léguas de comprimento e uma de largura, a começar no morro de Tibau, pela cota do mar para o lado do sul, até onde acabasse.

Com o desenvolvimento da Vila de Mossoró, que havia sido emancipada em 15 de março de 1852, era mister se encontrar um local para a construção de um porto onde os navios a vapor pudessem aportar, possibilitando a importação de víveres e produtos industrializados e a  exportação dos nossos produtos para outros lugares. Com esse intuito foi construído em 1866 um armazém no Porto de Jurema, que ficava à margem esquerda do rio. No entanto, o vapor Mananguape, apesar de várias tentativas, não conseguiu atracar nesse local.  A alternativa escolhida foi mudar o local do porto. E para isso o Presidente da Província do Rio Grande do Norte, Dr. Luis Barbosa da Silva, autorizou a transferência do armazém que ali tinha sido construído para  a margem direita do rio, no Sítio das Areias Brancas. Dessa forma, em abril de 1867, ali puderam apontar a barca inglesa Calderbank, que era consignada a casa J. Ulrich Graf de Mossoró, e o Pirapama, vapor pertencente à Companhia Pernambucana de Navegação Costeira a Vapor, que a partir daquela data estabelecia uma rota normal.

Foi também em 1867 que foi construída a primeira residência de tijolos pertencente a Gorgônio Ferreira de Carvalho, que era o encarregado do armazém e fiscalização das mercadorias em trânsito. Em 1870 outras residências já tinham sido construídas, como as que pertenciam aos senhores João Gomes da Silva, João Menino e João Francisco de Borja.

Em dezembro de 1872 o local foi elevado à condição de Distrito de Paz do Município de Mossoró, compreendendo as localidades de Grossos, Matos Altos, Morro do Tibau, Upanema e  Redonda, sendo o seu primeiro Juiz de Paz o morador João Francisco de Borja.

Em 1873, o Distrito ganhou a sua primeira escola e foi também nesse ano que foi construída a capela de Nossa Senhora da Conceição. Essa capela foi demolida em 1877 e reconstruída em 1885.

O município foi criado pelo Decreto Estadual de 16 de fevereiro de 1892, numa resolução da Junta Governativa, desmembrando de Mossoró.  Sua instalação ocorreu em 31 de março do mesmo ano, numa festiva solenidade, quando tomaram posse os intendentes nomeados, na presença do Presidente da Intendência de Mossoró, Sr. Manuel Cirilo dos Santos, que para ali se deslocou especialmente para presidir as solenidades de instalação do novo município. Em 24 de outubro de 1927, através da Lei nº 656, a sede municipal foi elevada à categoria de cidade.

A cidade de Areia Branca é conhecida pelas suas praias paradisíacas, dunas e falésias, além de uma porção territorial dominada pelo sertão, apresentando uma das mais ricas e variáveis formações geográficas do Rio Grande do Norte.

 

Amor que nunca acaba

Gilbamar de Oliveira
gilbamarbezerra@ig.com.br

Gerar é tão inerente à vida quanto o afeto que os pais tem pelo filho de seu amor maior. Na figura inocente e indefesa em seus braços eles se completam felizes e se vem como parte do milagre proporcionado por Deus. Sob seus cuidados cotidianos durante anos, o pequenino ser humano dependente vai absorvendo os hábitos, a cultura e até mesmo o jeito de ser próprio dos que dele cuidam. A sintonia entre eles no sagrado espaço familiar é oriunda da harmonia que precisa existir para que aquela existência alterando a rotina do casal cresça saudável e se torne um adulto com todas as qualidades relativas ao cidadão de bem. Percebe-se um intenso e vibrante sentimento quase sobrenatural quando o pai ou a mãe deita o olhar sobre o rebento amado, deixando no ar e em derredor resquícios dessa sublimação.

Afora as raras exceções que infelizmente devem haver, os pais amam seus filhos e por ele são capazes de entregar a própria vida diante de qualquer situação de perigo. Nesse diapasão, choram e sorriem com eles, entram em melancolia ou exultam dependendo de como se encontram em determinadas circunstâncias e acompanham seus passos até a chegada de netos e bisnetos. O instinto de conservação não é o único responsável por essa dedicação paterna, há um sentimento muito mais elevado e nobre estimulando esse comportamento que somente nós humanos temos:o amor, com toda a força de sua expressão máxima jamais diluída ou fragmentada ao longo do tempo.

Justamente em razão desse afeto sublime e do extremo anelo de conservar para sempre a jornada da humanidade, tão presente em cada coração dos seres racionais, é que a perda de um filho por causas naturais ou em virtude de uma grande fatalidade se transforma em incomensurável agonia para qualquer um. Mormente se  a perde decorre ante a estupidez de algum acidente que normalmente poderia ser evitado se os envolvidos tivessem tomado precauções, não estivessem embriagados ou não dirigissem suas armas de quatro rodas com irresponsabilidade e indiferença. A morte trágica provoca dor maior pelo impacto do sofrimento a que foi submetido o ser amado. Em tal ocasião, parece que o coração dos pais da vítima foi arrebatado repentinamente, a sangue frio. Ah, e como isso magoa e amarga, revolta e abre espaço para a amargura! Porque nenhum pai e nenhuma mãe suportam sobreviver aos filhos, pois as leis naturais e o sentimento filial determinam que estes seguirão muito depois de aqueles terem partido para a eternidade.

 

Armadilha Aérea

SULLA MINO
sullamino@yahoo.com.br

Armadilha Aérea é um livro de 1997 de Michael Crichton, autor de O Grande Roubo do trem, Sol Nascente, Mundo Perdido e Revelação, entre outros. Criador da premiada série de televisão Plantão Médico. Michael Crichton nasceu em Chicago e se graduou em medicina na Harvard Medical School em 1969. Já escreveu onze romances - O enigma de andrômeda, 1969; The terminal man, 1972; O grande roubo do trem, 1975; Eaters of the dead, 1976; Congo, 1980; Sphere, 1987; Jurassic Park, 1990; Sol nascente, 1992; Revelação, 1994; Mundo Perdido, 1995 e Armadilha aérea. A tiragem inicial do livro nos Estados Unidos teve o impressionante número de 2 milhões de cópias. E como não poderia deixar de ser, tem tudo para se tornar um sucesso do cinema. A Disney comprou os direitos de filmagem por 10 milhões de dólares, oferecendo ainda outros 2 milhões como participação na produção. Em cada livro Michael demonstrou um conhecimento íntimo com o assunto em questão, da primatologia e neurobiologia às relações econômicas entre Estados Unidos e Japão. E ainda: ele dirige uma empresa de software, na qual projetou um jogo de computador chamado Amazon e é um grande colecionador de arte moderna. É uma das pessoas mais influentes e ricas da indústria do entretenimento americano, presente em várias mídias. Crichton já escreveu vários roteiros para cinema (como Twister, em parceria com sua esposa, Anne Marie Martin) e dirigiu seis filmes, entre eles Westworld e Coma. Na TV seu maior sucesso é a série Plantão Médico, vencedor de oito Emmys em 1995. Três passageiros mortos. Cinquenta e seis feridos. Subitamente o avião perde o controle, entrando em mergulho. Alarmes soam, a tripulação entra em pânico, objetos ricocheteiam nas paredes da cabine e os passageiros são atirados contra as poltronas e o chão. Tudo dura menos de um minuto. O interior da cabine destruído. O piloto, no entanto, consegue pousar o avião. No momento em que a questão da segurança no transporte aéreo ocupa um lugar prioritário na mente do público, um desastre a bordo de um jato comercial indo de Hong Kong para Denver dispara uma frenética investigação. Erro do piloto, falha do projeto, sabotagem, essas são as possibilidades com que a equipe de engenheiros da Norton Aircraft se depara. Sensacionalismo e falsas acusações se misturam às questões reais e pertinentes. Armadilha Aérea é uma leitura sem escalas". O voo 545 da Transpacific Airlines de Hong Kong com destino a Denver ao sobrevoar a costa oeste dos Estados Unidos pede permissão para um pouso de emergência em Los Angeles, causa do acidente: Desconhecida. Casey Singleton vice-presidente e porta-voz da companhia precisa esclarecer o que realmente aconteceu, partindo das possibilidades mais diversas: Falha do projeto, falha humana, turbulência. Casey vai descobrindo peças falsificadas, documentos falsificados, histórias falsas. Os Slats se estenderam, sem dúvida é o que parece. Por quê? O avião estava em voo de cruzeiro. Foi uma extensão não comandada ou provocada pelo piloto? E o gravador de dados do voo? E os dados do FDR? Perguntas, perguntas sem respostas..."Um carro tem cinco mil peças, muito diferente de um avião. O avião de grande porte tem um milhão de peças e um tempo previsto de construção de setenta e cinco dias. Nenhum outro produto manufaturado tem a complexidade de uma aeronave comercial. Nada chega perto e nada é construído para durar tanto". "O livro tem um tema palpitante levando o leitor a uma emocionante viagem". Obrigada Nelson Rovai pelo empréstimo do livro, tornei-me fã de Casey Singleton e meu entusiasmo na aviação se tornou ainda mais tenso, e muito mais dinâmico. Mergulhei na excelente leitura, em dias chuvosos em São Paulo.

 

CADERNO CA - (Parte LXVII)

Clauder Arcanjo
clauder@pedagogiadagestao.com.br

(Des)memória

Cuidaram de sepultar todos os livros, de queimar a coletânea dos cordéis, baniram todos os poetas. Enfim, a cultura, por decreto, foi convertida em ouropel.

Mas, na calada da noite, num beco sujo e apinhado de olhos e ouvidos atentos, a (des)memória dava lampejos de vidas, por entre as palavras ressurrectas.

 

***

Sensacional

A cada tarde, o seu quinhão de sensibilidade. Manifesto.

A cada tarde, a sua costela de fantástico. Louvaminha.

A cada tarde, a magia do... sensacional! Ocasional.

 

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O discurso é...

Uma prosa pedante, vestida de fraque e cartola

Um texto pretensioso que nunca se eterniza

Um seixo que rola rola... e nunca, ostra, reluz

A litania que, por pura obrigação, se escuta.

 

***

O difícil é...

O encanto a desabrochar nos braços do avarento

O sol nascente nos olhos fundos do incréu

A música nos lábios dos que se autoexilaram

O hino do exército dos descontentes

O lampejo de vida no desenganado

A cruz da bem-aventurança desejada

O mastro, oferenda aos jurados de eternidade

A incúria do que outrora era o mais demente...

 

O difícil (re)cobre

o fácil do vão teorema.

 

***

O poema é...

A faca na carne verde

A latada na mais funda desvalia

Um caco de luz nos olhos de quem se matou

O marreco a grasnar pelo inverno anterior

O santo do maldito

O facho do iludido

O temor pela temperança

O manto do falso homicida

A aliança do amor condenado...

 

O poeta recrimina

a falsa rima deste poema.

 

***

Ferrança

As reses que fugirem sem o ferro, e loucas, na terra da invernada, em uma desobediência viril, invadirem todos os pastos, roçados e pradarias, considerem-nas de propriedade do vaqueiro mais louco.

***

Biscuí VI

Biscuí, o teu mal tem mais néctar do que o bem de outra.

 

***

Viniciando VII

Que não seja eterno, posto que é canga.

 

***

Sambinha sem nota II

Na infância, adorava a pele macia das frutas.

Na adolescência, bulia na cocha madura da cabrocha.

Na madureza, confundia-se nas lembranças, segredo.

Para, na velhice, degredo, suspirar pela pele de Rosa.

 

***

O fatal é...

Morrer distante, numa praia sem ondas

O julgamento dos arautos da certeza

A promessa do intitulado político puro

A paz ignorada e, no fogo, nutrida

O afago da mão sovina e desconfiada

Procela em barco sem remo no mar de Abrantes...

 

O fatal não comunga

Com o arpejo dos felizardos.

 

A VOLTA À INFÂNCIA

Paulo César Brito
Colaborador

A gente sempre está recordando alguma coisa. A infância volta ao coração sem esquecer nada. Ou quase. E nos damos conta da beleza da infância. Dos seus sentimentos diante do mundo. As pessoas que nos rodeavam pareciam eternas. O próprio medo que fazia a gente se agasalhar no colo da mãe nos vem à lembrança cheia de poesia.

Por que será que a infância volta ao coração no entardecer da vida? Não, não será vontade do recomeço. Também não sei dizer o que seja. Medo do fim? Mas também pode ser porque ao longo dos anos o mesmo coração se torna diáfano à história da vida, sejamos historiadores no sentido vulgar, ou não. Seja o que for o fato é que a infância nos volta à alma, no entardecer.

Outro dia estava a conversar com minhas lindas e amáveis filhas, digo, Aline, Cecillia, Victoria e Alyssandra,    e elas me perguntavam sobre minha infância. E eu lhes falava feliz da vida sobre minha meninice e costumes do meu povo. Lembranças vivas. Parece que estou vendo a festa de agosto, festejos alusivos à Virgem dos Navegantes na minha terra. Momento de unir as famílias, mesmo os que moravam em outras cidades do Estado. O momento era de encontro e de felicidade. A festa era muito simples, da religiosa à social. Na parte religiosa havia novenas, orações, confissões e comunhão. Tendo seu ponto principal as procissões marítima e terrestre. Na procissão marítima era obrigatório as empresas de nossa cidade cederem suas embarcações para trafegarem com os fiéis e peregrinos na procissão. As embarcações, iates, lanchas, baiteiras e canoas eram todas embandeiradas. A lancha São Salvador conduzia a imagem da santa.

Quando a procissão marítima chegava ao seu destino e os fiéis desembarcavam no cais, dali já se iniciava a procissão terrestre. A multidão tomava conta das ruas da cidade. O único carro de som existente na procissão era o da empresa Café Kimimo. Era uma mercedinha vermelha, com dezoito bocas de ferro. Sendo dozes nas laterais e seis na parte dianteira e traseira. Muitas das vezes eu ia dentro desse veículo. Além da incalculável multidão, a procissão terrestre era seguida por veículos na qual os proprietários transportavam seus familiares.

Já na parte social, as festas com bandas tradicionais aconteciam nos dias 13,14 e 15 de agosto. As bandas que animavam a parte social da festa, a maioria vinha da cidade pernambucana do Recife. Eram Alcano, Scorpions e Trepidant´s. Os clubes eram o Ivinanim, Credorn e a quadra da Escola Técnica de Comércio. Hoje a festa de agosto perdeu muito da sua essência. Na parte religiosa pouquíssima participação. Na parte social, a festa de agosto transformou-se em superprodução. Onde as bandas, cantores e produtores saem com os bolsos cheios de dinheiro. Digo isso com os artistas forasteiros. Por que os da terra mesmo fazem a coisa perfeita acontecer. Mas quando chega à parte financeira é uma pequeníssima quantia. Bem, não cabe a mim aqui dizer o que é certo ou errado, do antes e do depois. Era assim a festa de agosto. A infância volta ao coração no entardecer.

 

A internet e os novos hábitos

Vilmar Sidnei Demamam Berna *

Até bem pouco tempo atrás, coisa de dez ou vinte anos, quando a internet não era tão popular, se recebêssemos uma carta pelos Correios nos sentíamos na obrigação, por pura cortesia e boa educação, de dar uma resposta, principalmente se viesse de alguém conhecido. Hoje, com a internet, recebemos dezenas, centenas, de mensagens por e-mail, de conhecidos e desconhecidos, num volume  imensurável, muito além de nossa capacidade de conseguir ler, entender, e muito menos responder.  E se antes uma carta tinha endereço certo, hoje, as mensagens espalham-se em ondas, em cópias às claras ou ocultas, onde a palavra privacidade parece ter perdido o significado. O mundo inteiro parece ter se tornado um grande BBB, uma espécie de ' reality show', onde a intimidade fica exposta para quem quiser dar uma 'espiadinha'.

 Não resta a menor dúvida que a internet entrou definitivamente em nossas vidas e não há mais como mudar isso, até por que não queremos menos, queremos é mais.  Em alguns casos, a internet mudou nossas vidas para melhor. Por exemplo, não dependemos mais de algum editor para intermediar nosso acesso aos leitores. Agora, qualquer um pode escrever qualquer coisa e postar na internet.  Somos humanos, e tudo o que é humano nos interessa e nos diz respeito. Assim, são grandes as chances de ser lido quase que instantaneamente, pois sempre haverá alguém conectado no mesmo assunto ou interesse. Isso abriu uma enorme possibilidade de democratização da informação e do pensamento, rompendo barreiras e dando a exata dimensão da Aldeia Global que nos tornamos. Claro, também aumentou a quantidade de bobagens que se lê na internet.

 Se antes a ideia de globalização era apenas uma realidade comercial, depois da internet virou uma realidade para todo mundo. Talvez a internet venha a possibilitar a que a espécie humana descubra e venha a exercer na natureza o papel de consciência de Gaia. Claro, se nossa estupidez não nos levar à extinção antes.

Talvez a existência da internet venha facilitar as articulações globais que levarão a humanidade a enxergar além do próprio umbigo e olhar o mundo como uma ilha no Universo, onde todos têm o mesmo destino comum e não temos para onde ir. Sem planeta, não haverá vida possível para nenhum de nós. Com a internet, pode surgir uma chance para a humanidade que esteja além dos nossos governos, atados em seus compromissos, acordos, segredos, burocracia, onde a regra é cuidar apenas dos próprios quintais, enquanto demonstram sua incapacidade de apreender e cuidar do todo. A internet pode vir a possibilitar o fortalecimento de uma nova cidadania ambiental planetária.

Outra vantagem da internet é que se antes os poderosos podiam controlar e censurar a informação, agora ficou quase que impossível. Alguns governos até tentam bloquear certos termos e palavras nos servidores, ameaçam os que ousam democratizar informações que não querem que cheguem ao público, mas a cada bloqueio, os internautas descobrem um atalho novo. Mais cedo ou mais tarde, as autoridades compreenderão que o mundo mudou, e que hoje, com a internet, a era de censura e segredos terá de ficar para trás.

E se antes, tínhamos de selecionar os assuntos de nosso interesse no meio de um monte de informação que não nos interessava, com a internet e seus mecanismos de busca e de alerta, podemos escolher com precisão os assuntos de nosso interesse e os próprios servidores se encarregam de encontrar a informação que queremos e enviar gratuitamente para nossa caixa postal. Se antes tínhamos de nos limitar às informações disponíveis na língua que entendíamos, agora, com os sistemas automáticos de tradução, passamos a ter acesso a informações antes inimagináveis.

Entretanto, nem tudo são flores. A internet é uma ferramenta, e como toda ferramenta pode ser usada para construir ou destruir, para o bem ou para o mal. Por exemplo, hoje, conseguimos ficar mais conectados e também mais distantes uns dos outros. Temos ´milhões´ de amigos virtuais e pouco tempo para cultivar amigos no mundo físico, olho no olho, um abraço, um aperto de mão. Sabemos facilmente o acontece do outro lado do mundo, mas não conseguimos saber do que acontece em nosso bairro ou na vizinhança onde moramos.

Antes, para estar razoavelmente informado sobre o dia a dia bastava dar uma olhadinha nas manchetes dos jornais na banca da esquina e, diante de um assunto mais interessante, bastava ler um jornal, no máximo dois. Hoje, as informações e notícias invadem diariamente nossas caixas de e-mail, e ainda que sejam filtradas por temas de nosso interesse, ainda assim são num volume muito maior que nossa capacidade de conseguir ler e absorver tudo de importante e de urgente. Os fatos já vêm acompanhados de suas versões e contraversões, o que é ótimo, um avanço fantástico, mas que requer leitura atenta, em vez de apenas uma olhadinha. A internet expõe de forma concreta o que já sabíamos em teoria. Tudo é relativo, não existem verdades absolutas, tudo depende do olhar de cada observador.  

Antes, uma mensagem que nos chegasse com um pedido de urgência era urgente, e pronto, não admitia questionamento. Hoje, urgente são apenas as nossas urgências e não mais a dos outros. Antes, quando recebíamos informações sobre confirmação de pagamento ou depósito em nossa conta, tratávamos logo de tomar ciência e até gastávamos por conta. Hoje, com certeza ou é vírus ou é golpe. Antes, tínhamos como nos livrar fácil de pessoas indesejáveis, dos chatos e ansiosos, hoje, elas encontram sempre um jeitinho de se fazerem presentes em nossas vidas. Antes, tínhamos nossas próprias angústias e prioridades de luta por um mundo melhor, hoje, temos de lidar também com as angústias alheias e com as dezenas de boas causas e boas lutas de todo mundo que não conseguimos dar conta ainda que nos desdobrássemos em mil. Antes, recebíamos notícias de parentes distantes e revíamos nossos amigos uma vez ou outra, hoje eles compartilham conosco de nosso dia a dia virtual.

Com a internet, precisamos repensar uma nova ética para nossos relacionamentos, não só com o outro, mas com nossa noção de urgência, de importância. A internet é apenas uma ferramenta, poderosa e ainda quase desconhecida em suas potencialidades, e que tanto pode servir para nos ajudar quanto para nos atrapalhar. Precisamos escolher o que vai ser.

BIOGRAFIA

Vilmar Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental  e edita a Revista do Meio Ambiente  e o Portal do Meio Ambiente.  Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas.

 

Paróquia de São José

LINDOMARCOS FAUSTINO
lindomarcosfaustino@hotmail.com

Para se erguer a Capela em homenagem a São José, o padre Mota nomeou uma comissão encarregada para arrumar com outras pessoas materiais de construção. Naquele tempo conseguiram mais de dois contos de réis.

Depois disso era a vez de escolher um local para a capela ser erguida, sendo sugerido que não fosse tão perto do centro da cidade para que as pessoas que morassem mais distantes pudessem caminhar menos para as suas orações.

Com a construção da capela surgiram nas imediações novos moradores, sendo importante para o crescimento da cidade. A maioria daquelas pessoas que moravam aos arredores da igreja era trabalhadores de salinas. A escolha do padroeiro ser São José está ligada à classe operária. Um dos Sindicatos mais fortes tinha sua sede naquela região, que era o Sindicato dos Salineiros.

Na década de 30 o parque salineiro da cidade de Mossoró, trabalhava nesta época 5 a 8 mil trabalhadores e para ministrar aulas aos filhos dos operários e para o próprio sindicato ter suas reuniões, o bispo Dom Jaime Câmara inaugurou vizinho a Capela de São José, o Círculo Operário Católico no dia 29 de junho de 1936.  

A pedra fundamental da Capela de São José foi lançada no dia 27 de maio de 1928 no bairro Paredões, presente no ato o Cônego Amâncio Ramalho Cavalcanti, o Padre Luiz da Mota e varias pessoas que moravam ali próximo, que desde então tiveram decidida atuação no sentido de ativar a construção da capela, sendo construída naquele bairro por uma população muito católica.

No dia 03 de maio de 1936 sob a administração do Bispo Diocesano, Dom Jaime de Barros Câmara deu-se a inauguração da capela e logo após no dia 03 de julho de 1945 era inaugurado o Abrigo Amantino Câmara, um anexo da Igreja São José para amparar os velhinhos, no ato inaugural houve uma missa solene presidida por Dom João Batista Portocarrero Costa e presente no local varias autoridades, o abrigo foi dividido em duas alas, sendo uma para o feminino e o outro para o masculino, sendo o abrigo construído com uma herança que ele recebeu do seu irmão Amantino Câmara, e para homenageá-la, Dom Jaime Câmara deu o nome do seu irmão ao abrigo, naquele tempo a administração do abrigou ficaram para as freiras que residiam no claustro. Este abrigo é uma entidade filantrópica, que é mantida pela a Diocese e ajuda das pessoas

Muitos anos depois a Igreja de São José passou a ser paróquia no dia 19 de março de 1966, sendo a capela desmembrada da Matriz de Santa Luzia, graças a Dom Gentil Diniz Barreto, tendo à frente o pároco padre Hamílcar Mota da Silveira, seguindo-o do padre Guido Tonelotto e o padre Eliseu Wilton como vigário paroquial e os padres Flávio Augusto, Flávio Jerônimo e o padre Walter como auxiliares.

No dia 20 de novembro de 1979 aconteceu um fato estranho nesta igreja que até hoje o pessoal não se esquece, pois na tarde de uma quinta-feira, uns policiais invadiram a igreja São José para pegar uma pessoa, mas padre Guido não gostou nada disso, dizendo que era uma falta de respeito e grande, e que para tirar qualquer pessoa de lá, primeiro tinha que falar com ele, mas os policiais nem se quer o procuraram para pedir ajuda dele, naquela tarde os fiéis ficaram com medo, vendo os policiais entrando na igreja com capacetes na cabeça e cassetete na mão, pegaram o criminoso e saíram.

No pátio da Paróquia São José a Prefeitura Municipal construiu uma linda Praça, denominada de Padre Guido Tonelotto, inaugurada no dia 01 de dezembro de 2006, pela prefeita Fafá Rosado e varia autoridades, uma grande homenagem a um dos padres que passou por muito tempo na Igreja. O ato da inauguração aconteceu no final da tarde com a participação da comunidade e também do próprio homenageado, que mostrou está satisfeito com a obra, a inauguração foi aberta com uma solene missa em ação de graça, sendo celebrado pelo vigário Eliseu Wilton, logo após a missa foi realizada a solenidade de descerramento da placa. Varias autoridades estiveram presente acompanhando a prefeita Fafá Rosado, também estava a senadora Rosalba Ciarlini e diversos secretários.

Seus festejos acontecem no mês de março de 09 a 19, desde o ano 1966, quando a capela foi transformada em p0roquia de São José tendo novenas todas as noites, barracas, leilões e etc. a igreja de São José está situada na Rua Venceslau Brás, n° 415 bairro São José.

No ano de 2003 quando padre Eliseu Wilton de Maria foi nomeado pelo Bispo Diocesano Dom José Freire para ser pároco, ele desenvolveu um relevante trabalho pastoral de evangelização, além de uma brilhante administração frente à Paróquia de são José promovendo mudanças em sua estrutura física tais como; piso da sala paroquial, revestimento do altar (cerâmica para mármore) e o piso da Matriz (mosaico para granito), além de pintura e retelhamento etc. a paróquia conta também com o padre João Alfredo na função de vigário paroquial.

 

DICAS GRAMATICAIS

benjamimlinhares2@hotmail.com

REGÊNCIA

Vamos relembrar regência utilizando um termo antigo: Brasil e Uruguai jogam hoje pelas eliminatórias para a Copa de 2010. O Brasil vem de um empate com o Peru, o que aumenta a expectativa para o desempenho da seleção. "Se empatar ou perder do Uruguai, o time do técnico Dunga vai ter o pior início de torneio desde o novo formato, inaugurado na edição que assegurava vaga na Copa de 1998. O problema do trecho é de regência. A regra é clara e diz que o assunto diz que verbos de regências diferentes não podem compartilhar o mesmo complemento. Ex:. "Eu gosto e estudo língua portuguesa"- "Gostar" é transitivo indireto (gosto de algo ou alguém) e "estudar", transitivo direto (estudo algo).  Como possuem regências distintas, não poderiam compartilhar o trecho "língua portuguesa". Uma possível solução seria: "Eu gosto de língua portuguesa e a estudo - Vale o mesmo raciocínio para o trecho da reportagem sobre a seleção brasileira. Eu empato com alguém (com a preposição "com") e perco de alguém (preposição "de"). Uma forma de reescrita seria: "Se empatar com o Uruguai ou perder dele, o time do técnico Dunga vai ter o pior início de torneio desde o novo formato, inaugurado na edição que assegurava vaga na Copa de 1998".

PLURALIZANDO

O plural de algumas palavras provoca dúvida em muita gente, por isso hoje vamos enumerar alguns:

1. A costa OU as costas? A COSTA é a zona litorânea: "É linda e extensa a costa brasileira"; AS COSTAS é o dorso, a região posterior do corpo ou de um objeto. "Estou com dor nas costas".

2. O óculos OU os óculos? A palavra ÓCULOS deve ser usada somente no plural: "Os óculos escuros caíram no chão".

3. Cidadãos OU cidadões? O plural de cidadão é CIDADÃOS.

4. Afegãos OU afegães? Tanto faz. Há várias palavras terminadas em "ão" que aceitam dois plurais: AFEGÃOS e AFEGÃES, cirurgiães e cirurgiões, guardiães e guardiões, corrimãos e corrimões.

5. "Colocou os pingos nos ii OU nos is"? Tanto faz. Podemos fazer o plural dos nomes das letras das duas maneiras: "Escreveu com todos os FF e RR" ou "com todos os EFES e ERRES".

6. Preposições e advérbios têm plural? Não. Palavras invariáveis só fazem plural quando substantivadas: "Não gostei dos seus OLHARES"; "Recebeu muitos NÃOS"; "Houve mais PRÓS do que CONTRAS".

7. Qual é o plural de JOÃO? Nomes próprios de pessoas fazem plural normalmente: os Josés, os Paulos, as Marias, as Joanas e os JOÕES.

9. Os CD ou CD's ou CDs? Siglas e abreviações fazem plural com o acréscimo de um "s" (minúsculo) e sem apóstrofo: CDs, IPVAs, IPTUs, Ufirs, Detrans, Apaes.

10. Pãozinhos OU pãezinhos? Palavra que faz diminutivo com o sufixo "-zinho" deve seguir a seguinte regra: plural da palavra primitiva (sem "s") + sufixo (zinho ou zinha) + desinência "s": papei zinho s, animai zinho s, balõe zinho s, PÃEZINHO S.

RAPIDINHAS

* Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.

* Os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino,continue onde estava.

* Continuando o item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir  devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não -e. Exemplo: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.    

* Outro verbo complicado é computar.  Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. Então, para evitar palavra desagradável, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural:computamos, computais, computam.

* Nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

 

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