FUNDADO POR JEREMIAS DA ROCHA EM 1872   -   Mossoró, domingo, 11 de março de 2001
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A dança: expressão corporal que requer disciplina, perseverança e dedicação

ANNA JAILMA
Da Redação

A dança encanta, apaixona e enaltece a história de cultura e arte de todas as nações. É um mergulho na música, interação com cada nota musical, refletindo os sentimentos que compõem a vida. Entre os encantados pela dança, há os completamente enfeitiçados pela técnica, cada passo que faz da arte de dançar a prioridade de sua vida, transmitindo a história de um dom artístico que encanta a humanidade ao longo dos anos. Ballet, jazz, street dance, dança do ventre, sapateado, dança de salão e tantas outras conquistam platéias em todo o mundo e não é difícil entender: a arte de dançar reúne disciplina, fantasia, criatividade, beleza, sensibilidade e desenvolvimento corporal. No especial desta semana o jornal O Mossoroense deixou-se encantar pela magia da dança, interagindo-se com profissionais que ao longo dos anos vêm enaltecendo e aprimorando a arte da dança em Mossoró.

O ballet é primordial entre todas as danças

Nos divertimentos das cortes da renascença italiana surgiram os primeiros passos de introdução ao ballet, dança primordial entre todas as outras modalidades. O aprimoramento dos passos e das técnicas, favorecendo o ballet como um espetáculo encenado, aconteceu em 1713 com a criação da escola de dança da ópera. Com o passar dos anos o ballet controvertido foi substituído pelo ballet d’action, com predominância da pantomima, dando maior ênfase à expressão corporal em sintonia com a música.

No século XIX a leveza e a graça dos movimentos fez surgir a dança ‘sur les pointes’ na ponta dos dedos dos pés, e a ‘tutu’, saia curta usada pelas bailarinas. Logo no início do século XX surgiu a dançarina Isadora Duncan com sua expressiva dança livre que, com os os primeiros dançarinos da dança moderna norte-americana, deu origem à corrente da dança moderna. Com o final da Segunda Guerra Mundial, uma nova geração de dançarinos contribuiu para a renovação do ballet fazendo dos problemas do homem moderno uma nova temática. A dança moderna enriqueceu o ballet tradicional e com o passar dos anos o ballet continua consagrado, como introdução para todas as danças, gerador de todos os passos.

BALLET EM MOSSORÓ - Em Mossoró, o ballet clássico está iniciando no Studio de Dança Clézia Barreto, sendo ministrado pela professora Jeanine Ebert, prometendo formar duas turmas, divididas de acordo com a idade das alunas. Jeanine está em Mossoró desde janeiro deste ano, e vê no ballet uma prioridade na sua vida. “Iniciei na dança aos 5 anos, integrei grupos de folclore internacional e comecei a dar aulas aos 17 anos.

Além da beleza dos passos, a dança do ventre favorece a modelagem do corpoDevido a profissão de meu esposo viajamos muito, mas sempre procuro me engajar nas escolas, ensinar o que sei, aprimorar meus conhecimentos”, disse entusiasmada Jeanine Ebert, vinda de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, onde todas as escolas da rede municipal integram o ballet na grade curricular. A professora de ballet enfatiza que na dança todos os conhecimentos são aperfeiçoados a cada aula e tratando-se de crianças, o importante é fazê-las acreditar no próprio potencial. “Antes dos 7 anos deixamos que as crianças se descubram fazendo coisas que pensaram jamais ser capaz, damos pequenas noções do ballet e elas entendem que aquilo são pequenas ferramentas para passos futuros”, enfatiza Jeanine.

A integração com os alunos é colocada como ‘peça-chave’ para favorecer a harmonia na dança. “Costumo passar algum tempo conversando informalmente com os alunos. A integração é fundamental para o bom desenvolvimento do grupo e favorece a harmonia da dança”, destacou a bailarina.

Street dance une descontração e alegria nos passos

A crise econômica dos Estados Unidos da América (EUA), em 1929, provocou as primeiras manifestações da dança de rua ou ‘street dance’, já que por estarem desempregados os músicos e dançarinos foram para as ruas expressar sua arte. Em 1967, o cantor James Brown lançou o street dance embalado pelo som ‘funk’ e o ‘break’, uma das ramificações da dança de rua que explodiu nas pistas de dança em 1981, nos EUA, expandindo-se mundialmente. No Brasil, as tendências culturais incorporaram novos elementos à dança de rua, e em 1991 foi iniciado em Santos, no Estado de São Paulo, o primeiro curso de dança de rua do Brasil. Este primeiro curso de dança de rua foi idealizado e introduzido pelo coreógrafo e bailarino Marcelo Cirino, baseado em trabalho prático e pesquisas iniciadas desde 1982.

A professora de street dance, Any Catarine, define-o como uma dança alegre, de fácil aprendizado e que não exige muita técnica. “É uma dança que possui técnicas seqüenciais mais descontraídas, um gingado mais solto. Também funciona como antiestresse”, destacou Any Catarine. Entre as alunas do street dance está a médica Socorro Rodrigues, que além de praticar dança do ventre também rende-se ao ritmo descontraído do street dance. “Faço malabarismos para conseguir tempo e vir dançar. Sempre me interessei pela arte de dançar e organizo o tempo para trabalhar e não deixar de dançar,” frisou a pneumologista.

HOMENS NO STREET DANCE - Em completa sintonia com as ruas, o street dance sugere masculinidade nos seus passos, retratando os dançarinos norte-americanos que pelas ruas criaram um estilo diferente e contagiante de dançar descontraidamente. “Estamos programando formar turmas de street dance para homens, já que esta dança tem um gingado que sugere masculinidade, lembra os skatistas nova-iorquinos, os dançarinos americanos”, enfatizou Any Catarine.

A força de expressão do jazz

Originado dos Estados Unidos da América (EUA), o jazz teve como pioneiros os negros americanos e expandiu-se por todo o mundo, destacando-se pela desenvoltura, força de expressão e irreverência dos passos.

Descrevendo sua modalidade preferida, a dançarina Marjoreen Paiva destaca que “jazz é a mais perfeita expressão da vida”. Integrante de grupos folclóricos nas escolas onde estudou, a universitária vê na dança sua realização pessoal e profissional. No referente a transmitir as técnicas do jazz, Marjoreen destaca que os alunos têm facilidade em adequar-se aos passos da dança, principalmente tratando-se de crianças. “As crianças têm facilidade para adaptar-se às danças, elas são conquistadas pelo lado lúdico e logo passam a desenvolver as técnicas com desenvoltura, com o jazz não é diferente e os passos técnicos vão fluindo naturalmente”, destacou a professora de jazz.

Segundo esta dançarina, incorporar personagem de acordo com o tema de cada espetáculo está diretamente ligado a amar a dança. “Quando estou no palco, incorporo o personagem de acordo com o tema em questão, de acordo com a música, é toda uma interação que não é difícil conseguir ou entender, basta amar a dança”, explicou Marjoreen.

eterna amante da dança

Dedicar-se à dança, priorizando-a em todos os momentos de sua vida é a meta de Clézia Barreto, psicóloga, amante de todas as modalidades da dança, principalmente o jazz. A dança começou a integrar a vida de Clézia nos seus primeiros anos de vida, de forma que aos 13 anos ela já dançava jazz e ballet. Hoje, como proprietária de uma escola de dança, há 7 anos, Clézia revela-se amante do jazz, embora seja apaixonada por todas as outras modalidades. “Jazz para a minha vida é a nítida liberdade, expressão de sentimentos, danço com a alma.

É uma dança livre, solta, com movimento, inclusive com grande facilidade de aprendizagem”, enfatizou Clézia Barreto. A disciplina, desenvolvimento corporal e psicológico são citados pela professora de dança e psicóloga, como fatores facilmente desenvolvidos a partir da prática da dança. “A dança, independente da modalidade, instiga a disciplina, desenvolvimento corporal e psicológico, além de favorecer a estética e anular o estresse”, destacou Clézia.

ESPETÁCULO ANUAL - A cada final de ano, todos os profissionais que compõem o Studio de Dança Clézia Barreto organizam o espetáculo tendo um tema central que abrange todas as modalidades de dança. A partir do tema é escolhido a trilha sonora, figurino e coreografias. Para o sucesso de todo este espetáculo mossoroense, que engrandece a programação de eventos culturais, a cada final de ano é fundamental que haja o ‘mergulho’ em cada personagem apresentado, comprovando que a dança é mais uma arte que anda em parceria com o teatro. “A expressão do rosto de cada um é transformada.

Nós incorporamos o personagem para transmitirmos a energia da coreografia para a pláteia. O espetáculo é a amostra de nossa aprendizagem,” enfatizou a dançarina. Para quem ama a arte de dançar e faz dela uma característica peculiar na sua vida, o conhecimento adquirido nunca é suficiente. Adepta desta sede de aprendizagem, todos os anos Clézia Barreto e demais profissionais da sua escola de dança buscam o aperfeiçoamento em cursos oferecidos na capital do Estado ou em outras cidades do país. “Sempre tem algo a crescer, é fundamental a busca constante pelo crescimento profissional, então, após a conclusão do primeiro semestre, em período de férias, procuramos aprimorar nossos conhecimentos na dança, uma espécie de reciclagem”, conclui Clézia.

Dança do ventre: feminilidade e sensualidade à flor da pele

A dança do ventre originou-se no Egito antigo, sendo praticada por sacerdotisas em homenagem à deusa-mãe nos rituais de tradições sagradas. A dança simulava a origem da vida com movimentos e ondulações do ventre reverenciando com expressões sensuais a feminilidade e a fertilidade, fazendo uma fusão da mulher com a divindade. Ao longo dos anos, a dança do ventre fascina pela beleza e sensualidade de seus passos, exigindo de seus dançarinos muito empenho e dedicação. “Tendo conhecimento de outros tipos de dança torna-se mais fácil para o aprendiz adaptar-se à dança do ventre, mas não a considero difícil, ela apenas requer muito empenho e amor à arte”, definiu Adriana Mendes, professora de dança do ventre.

Entre as vantagens de render-se aos encantos da dança do ventre está o fato de que esta fascinante expressão corporal proporciona a modelagem do corpo, aperfeiçoa a coordenação motora e postura corporal, favorece o rejuvenescimento e ainda elimina o estresse, instigando a auto-estima e feminilidade. A dançarina Adriana Mendes declara-se apaixonada por esta modalidade de dança, que considera especial pela beleza dos passos técnicos e pela história que cincunda a dança do ventre. “As pessoas às vezes confundem, acham que a dança do ventre está mais ligada à sedução, mas na verdade ela origina-se dos tradicionais rituais do Egito, em veneração às deusas, à feminilidade”, explica Adriana.

Entre as alunas de Adriana Mendes, está Jane Gleuma que desde agosto ingressou nas aulas de dança do ventre. “Iniciei as aulas movida pela admiração que tenho por esta modalidade. No início, senti dificuldades na aprendizagem, mas com o passar dos dias adquiri os conhecimentos com facilidade”, disse a dançarina. Proprietária do Studio de Dança, Clézia Barreto não esconde sua admiração pela dança do ventre, embora a considere mais difícil que as demais modalidades. “É difícil, mas vale a pena, na dança do ventre você passa a ter maior domínio de seu próprio corpo, eu diria que descobrimos ossos que nem sabíamos que existiam”, comenta Clézia.

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 
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