Lina Vieira conversa com empresariado sobre benefícios na cobrança do ICMS

 O governo do Estado iniciou discussão com a classe empresarial para definir as bases do projeto de lei que beneficiará micros e pequenas empresas na cobrança do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), como opção ao regime simplificado que acarretaria prejuízo à receita do Estado na ordem de R$ 65 milhões.

A secretária estadual de Tributação, Lina Vieira, esteve reunida ontem pela manhã com dirigentes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação Comercial do Rio Grande do Norte, aos quais entregou cópia da proposta elaborada pela equipe técnica da sua pasta e solicitou sugestões que possam enriquecer o projeto antes de ser encaminhado à apreciação da Assembléia Legislativa, possivelmente no próximo mês.

A proposta que o governo apresentou ao empresariado está inserida no programa ‘Cresce Rio Grande do Norte‘, que reúne uma série de medidas a serem adotadas na área tributária e beneficia cerca de 34 mil micros e pequenas empresas com a isenção e redução na alíquota do ICMS. Segundo dados da Secretaria de Tributação, o Estado possui 65 mil empresas contribuintes, das quais, conforme Lina Vieira, apenas 8 mil seriam contempladas pelo regime simplificado, que não excluiu as micros e pequenas empresas da cobrança do imposto antecipado e da substituição tributária.

“O nosso projeto fortalece o grande contribuinte ao conceder isenção aos pequenos que adquirirem mercadoria no Estado”, informou a secretária, na visita que realizou aos diretores da CDL, entre os quais Orismar Carlos de Almeida e George Ramalho, respectivamente, presidente e vice da entidade. A mesma mensagem foi levada no final da manhã aos dirigentes da Associação Comercial, que se reuniram, na sua sede, na Ribeira, na presença do presidente Anchieta Costa e do vice Cândido Barbosa. Pelo projeto do governo, os micros empresários que adquirem mercadoria no Estado ficam isentos de recolher ICMS, enquanto as empresas de pequeno porte são beneficiadas com a redução do imposto a pagar no mesmo valor da isenção às micros.

Resultado de compromisso que a governadora Wilma de Faria assumiu durante a campanha eleitoral, o projeto que concede tratamento diferenciado às empresas de micro e pequeno porte foi elaborado, segundo Lina Vieira, com base na situação financeira do Estado, estando aberto, no entanto, à discussão com os empresários. Uma novidade do projeto é a criação da categoria de “contribuinte-cidadão”, que visa retirar da marginalidade milhares de comerciantes que movimentam a economia informal. Eles poderão adquirir inscrição na Secretaria de Tributação, apresentando apenas a carteira de identidade, podendo atuar de forma legalizada sem recolher ICMS.

CATEGORIAS – Na categoria de “contribuinte-cidadão”, de acordo com o projeto do governo, enquadra-se o comerciante que realiza com habitualidade vendas de mercadorias exclusivamente ao consumidor final, cujo valor anual de aquisição seja igual ou inferior a R$ 18 mil. A microempresa é aplicada à pessoa jurídica ou firma individual que tenha adquirido no exercício anterior volume de mercadorias não superior a R$ 50 mil ou cuja receita bruta anual não ultrapasse R$ 65 mil. Empresa de pequeno porte abrange a pessoa jurídica ou firma individual que adquiriu no exercício anterior volume de mercadoria não superior a R$ 100 mil ou cuja receita não ultrapassou R$ 130 mil.  

Aos empresários com os quais se reuniu ontem, a secretária Lina Vieira também pediu apoio para a implantação do Programa Educação Fiscal, pelo qual estudantes de escolas públicas, universidades e de cursos desenvolvidos pelas entidades empresariais teriam acesso, em sala de aula, a uma disciplina que esclareça o objetivo do tributo e o destino dos recursos arrecadados pelo Fisco. Os empresários ficaram de analisar as propostas encaminhadas pela secretária de Tributação. “Não desejamos que o Estado tenha perda de receita, queremos é que ele cresça”, disse Orismar de Almeida, presidente da CDL.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 11 de março de 2003