Instituto de Gestão das Águas do RN será regulamentado

 MÉDIO OESTE - Quase um ano depois de ser criado pela lei nº 8.086, de 15 de abril de 2002, o Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn) vai poder, enfim, cumprir seu papel de órgão responsável pela gestão técnica e operacional dos recursos hídricos do Estado.

O diretor-geral do Igarn, João Abner Guimarães, vai apresentar à governadora Wilma de Faria (PSB), nos próximos dias, a proposta de regulamentação do órgão, que atuará com personalidade jurídica e autonomias administrativa e financeira, mas em parceria com a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos.

Segundo João Abner, o Igarn não recebeu do governo anterior as mínimas condições para funcionar. Sequer contou com recursos no Orçamento Geral do Estado para pagar o salário da diretoria, que foi destituída por causa disso. “Com o regulamento aprovado pela governadora Wilma de Faria, vamos começar a atuar de imediato”, comemora.

O Igarn terá a função de coordenar e executar as atividades de gerenciamento de recursos hídricos, desenvolvendo estudos, pesquisas e projetos relacionados com o aproveitamento e preservação dos mananciais. Caberá também ao instituto analisar projetos e conceder licença técnica para a construção de obras hídricas, sem prejuízo da licença ambiental obrigatória.

DIAGNÓSTICO - Após sua regulamentação, uma das primeiras prioridades do instituto será a elaboração de um diagnóstico sobre a real situação do uso dos recursos hídricos do Estado. “Vamos fazer o cadastramento de todos os usuários de água e uma campanha de regularização junto aos consumidores industriais, de irrigação e empresas de abastecimento”, disse. Com este trabalho, frisa, será possível saber se a quantidade e a qualidade da água usada estão dentro dos padrões corretos.

João Abner critica a atuação do governo passado na área de gestão dos recursos hídricos, a qual, segundo ele, ficou restrita a incentivar a criação de associações de usuários de água de poços. Ele ressalta que a sustentabilidade dos recursos hídricos depende do conhecimento de determinadas condições que interferem nos níveis dos mananciais, como os períodos de chuva e seca, e que estes mananciais devem ser usados com critério e planejamento.

João Abner está otimista quanto ao trabalho que espera desenvolver à frente do Igarn. Ele diz que o Rio Grande do Norte consome apenas 30% da sua disponibilidade de recursos hídricos, podendo dobrar este índice com investimentos em obras, como a construção de adutoras, e com a gestão de seus mananciais, o que poderá trazer bons dividendos, sobretudo para as indústrias e a fruticultura irrigada.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 11 de março de 2003