CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 


É PARA REFORMAR, NÃO PARA DEFORMAR!

O presidente Lula promete enviar nos próximos dias ao Congresso Nacional a proposta  de Reforma da Previdência.

Independente de avaliações de especialistas no setor  —  com as quais concordo  —  de que o pacote de medidas foi mal discutido com sociedade nestes apenas 100 dias do novo governo e de que está sendo enviado à toque-de-caixa unicamente para calar a oposição que denuncia uma certa paralisia do Palácio do Planalto, é preciso levantar algumas preocupações e questionamentos.

Como, até agora, só o que temos são alguns balões-de-ensaio, soltos por integrantes do governo para auscultar,  previamente, a opinião pública, é bom deixar as barbas de molho. Até porque, pelo protesto de parlamentares autênticos do próprio PT, pode vir chumbo grosso por aí. Para os trabalhadores em geral, mas sobretudo para os servidores públicos.

É bom refrescar a memória  —  que às vezes falta a todo e qualquer cidadão de bem, por conta da luta diária pela sobrevivência  —   que em novembro de 1999, o então presidente FHC, já no seu segundo mandato enviou e fez aprovar no Congresso um conjunto de medidas que virou Lei das Aposentadorias e ele acabou ousando chamar de “Reforma da Previdência”. Na época a Imprensa embarcou  e o apelido abrangente  acabou “pegando”.

Na realidade a tal “reforma” de FHC deformou a aposentadoria tão sonhada e merecida de  milhões de trabalhadores brasileiros do setor privado. A Lei das Aposentadorias, atualmente em vigor, criou uma excrescência intitulada pomposamente de “Fator Previdenciário”,  com cálculos extremamente complicados que nem o então ministro da Previdência Social, Waldeck Ornellas, sabia explicar, na época, e desandou, em entrevistas desastrosas e patéticas,  tentando esclarecer o que era e é o monstrengo.  

Dá muito trabalho calcular, mas se debruçando sobre o tal Fator Previdenciário  é possível nitidamente comprovar que o objetivo foi diminuir os rendimentos das aposentadorias. Para exemplificar: um homem com cerca de 50 anos de idade e 35 de trabalho, tendo contribuído pelo teto máximo nos últimos 60 meses,   recebe mensalmente  de aposentadoria, pela lei atual, cerca de 20% a menos que na lei anterior. Uma perda brutal, que deveria ser resgatada, por justiça, no projeto que o governo Lula vai apresentar e no qual a excrescência desse fator previdenciário tem que ser eliminado.      

Porque é de se ter expectativas que o projeto de  Reforma da Previdência que vai ser encaminhado sob a égide de um governo oriundo do mais autêntico partido nascido nas classes operárias nos últimos 30 anos no Brasil, contemple os mais  afetados e que necessitam da Previdência pública; o conjunto dos trabalhadores. Os da iniciativa privada e os do Serviço Público.

A Reforma da Previdência não pode suprimir direitos legítimos. Precisa, sim, corrigir distorções gritantes; extinguir privilégios; e acabar com as fraudes de “Jorginas de 300 milhões” , mas também milhares de fraudes de “pequenos anônimos” que viram bilhões  entre os 72 bilhões do atual rombo. E quando o argumento for o “rombo” na Previdência é bom o cidadão-trabalhador lembrar ao legislador, ao governante que quem tem que apresentar superávit, lucro, é a Previdência Privada não a Previdência Pública...

Uma ótima semana para todos  —  agora é cruzar os dedos e esperar o pacote. Pela “Paixão” os trabalhadores já passaram, é preciso atingir a “Ressurreição” na aposentadoria  —  quinta-feira (17/04) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

 

CLÁUDIO MONTEIRO

EMAIL: claudiomonteiro@natalja.com.br

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Mossoró-RN, quinta-feira, 10 de abril de 2003