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AGRICULTOR SOFRIDO João
Neto Poeta popular (Melancias - Apodi/RN)
Sou um agricultor sofrido cheio
de calos nas mãos sofrendo vivo detido junto a
outros irmãos que sofrem do mesmo jeito e é até
um desrespeito para quem cultiva esse chão sem
ter quebra de tabus tudo que a gente produz vai
de volta pra o patrão
Eu que fiz a minha roça com tanta
dedicação tinha um boi e uma carroça e uma enxada
na mão todo dia bem cedinho pegava aquele caminho em
direção do trabalho isso me serviu de lenda numa
sacola a merenda que muitos chama quebra galho
No aceiro da caatinga eu escolhi
pra plantar às vezes o patrão xinga se a gente
não zelar ele disse meu meeiro vou lhe emprestar
dinheiro pra limpar a sua roça se vire como pudere
se a safra não der recebo o boi ou a carroça
Ali eu fiz uma feira e contratei
um peão e segunda sem brincadeira meti a enxada
no chão cuidei do milho e do feijão e do pouco
de algodão toda roça eu limpei depois de muito
cansado tomei dinheiro emprestado mas o peão eu
paguei Minha pele ficou preta com o calor que
afronta quando terminou a colheita mandei somar
minha conta o patrão somou na hora e teve um tal
de noves fora que nem sei como foi ele disse,
tu entenda hoje eu vou levar a renda e depois
eu levo o boi
Aí eu fiquei pensando o que aconteceu
comigo não é me lamentando mas será que é um castigo? por
isso falo dos problemas sociais duas classes desiguais é
difícil de entender por que o rico quer pegar depois
de pronto o pobre entra em confronto sem saber
se defender
Derramei o meu suor trabalhei fiquei
cativo eu sofri de fazer dó ainda bem que tô vivo fico
pensativo nessa grande diferença só deu dá a recompensa e
o direito de viver enquanto o rico vive em mordomia o
pobre a cada dia aumenta mais seu sofrer
Olha tem uma coisa eu não sei como
vai ser já falei pra minha esposa como é que vou
viver plantar mais eu não planto digo isso e garanto toda
essa idéia nossa pode até ser uma loucura mas
andei fazendo juras de nunca mais ir à roça.
DAS UTOPIAS Mário Quintana
Se as coisas são inatingíveis... ora! não
é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos,
se não fora a mágica presença das estrelas!
ÂNCORA Sílvio Atanes Escriba
digital e repórter de papel (Santos/SP)
novos cabelos liberam libélulas libelos,
cabalas balística paixão aponta o céu da boca planetário
néctar consome o sumo essência centenária abre
brechas chacras ressecados tártaro da saudade vigora
na víbora ebúrnea da esbórnia
(um pio, um fio o fantasma volta escolta
de véus e correntes dormentes)
CANTATA PARA NATAL João
da Mata Poeta (Natal/RN)
Ao poeta Marcos Ferreira
" Não cante tua cidade, deixa-
a em paz" Drummond
São quatrocentos retratos Quatrocentos
três- por-quatro Cidade quatrocentão Trago-te
no coração O mar te bronzeia E o sol te faz
fagueira Teus verdes seios acaricio E te banhas
por inteira E o galo cantando Lá na torre de
Toinho Nos convida a um carinho Na pedra do
rosário Cidade outrora presépio Foi assaltada
de prédios Pirulitada de falos A vida sobe e
eu calo Cidade macondenada À vida só de fachada
Já te quiseram aboio E te fizeram de apoio Trampolim
de outras vitórias Somos parte desta história Que
te contam em três por quatro E cansamos de maltratos
Tu és ponta do Brasil Entre outras mil És
tu Natal Meu Carnaval Natal for all NATAL
PARA TODOS
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