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Escaramuças
do poder
D. Mauro
Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ),
não conseguiu esconder sua indignação, quando
analisou sua exclusão do mais importante
programa social do governo do presidente
Lula, que é o Fome Zero. E não aceitou a
desculpa que o veto partiu dos evangélicos,
com quem tem boa convivência. Da mesma forma,
a Igreja Católica não fez qualquer comentário
à indicação de duas evangélicas, Marina
Silva e Benedita da Silva para dois importantes
ministérios do atual governo. Depois, não
é tarefa das Igrejas indicar cargos para
os governos. O que acontece, de fato, é
a disputa pelo poder, tendo em vista a grande
importância desse programa, finalizou D.
Mauro. O coordenador de mobilização social
do Fome Zero é um religioso católico, Frei
Betto, amigo particular de Lula. E D. Mauro
Borelli sintetizou o veto como sendo escaramuças
do poder.
Enquanto
o bispo católico prestava essas declarações,
a milhares de quilômetros o presidente da
República enfrentava sua primeira mobilização
popular. Ele que, durante muitos anos, coordenou
a organização desses movimentos, agora tinha
que aceitá-lo da maneira mais democrática
possível. E isso foi muito fácil. Pediu
paciência e disse que estava no governo
há apenas 10 dias e, em muito pouco tempo,
daria uma solução àquelas reivindicações.
A impaciência dos grupos mais radicais trará
esse tipo de aborrecimento ao presidente
Lula. Quem o viu depois, na chegada a Recife,
notou o visível constrangimento em seu rosto.
Pode ter sido motivado pela mobilização
popular, mas a bursite no ombro direito
poderá ser utilizada para justificar o seu
descontentamento.
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