Mossoró-RN, domingo 12 de fevereiro de 2006

Mossoró e a Coluna Prestes

GERALDO MAIA
gmaia@bol.com.br

Em 29 de janeiro de 1926, num dia de sexta-feira, Mossoró amanhecia em estado de alerta, pois notícias davam conta de que a coluna revolucionária chefiada por Luiz Carlos Prestes havia entrado em território potiguar e invadido a cidade de São Miguel,  distante 240 km de Mossoró.

Apesar da distância entre uma cidade e outra, foi grande a confusão gerada com a notícia, resultando num verdadeiro êxodo dos mossoroenses, pois as notícias de maior divulgação diziam dos propósitos dos revolucionários em destruir propriedades privadas, trazendo terror às populações nordestinas. Desse modo a cidade ficou parcialmente deserta com a retirada de autoridades, comerciantes e famílias para Natal e outras localidades distantes.

À frente da Intendência mossoroense estava Rodolfo Fernandes, que havia tomado posse em 1° de janeiro daquele mesmo ano. Pelo impacto da notícia, a Intendência reunida tomou medidas e providências acauteladoras em defesa da cidade. Tudo, porém, não foi além do susto e do tumulto causado pelas notícias, já que os revoltosos, que além da Vila de São Miguel de Pau dos Ferros atacaram também a de Luís Gomes, retiraram-se logo após a invasão, penetrando no vizinho Estado da Paraíba.

A "Coluna Prestes" que, de 1925 a 1927 andou por todo o Brasil, cerca de 25.000 quilômetros, foi o ponto culminante de um movimento militar denominado de Tenentismo. Esse movimento armado visava derrubar as oligarquias que dominavam o país e, posterirormente, desenvolver um conjunto de reformas institucionais, com o intuito de eliminar os vícios da República Velha. Não conseguiu, no entanto, atrair a simpatia da opinião pública; apenas em algumas ocasiões cidades ou grupos de homens apoiaram o movimento e até mesmo passaram a integrá-lo. A idéia de que o movimento cresceria em número e em força ao longo da marcha foi se desfazendo durante o trajeto na região Nordeste. Num meio físico hostil, ilhada pelo latifúndio, não achou nas massas do interior o apoio necessário e alentador. Ao contrário, passou a ser o terror do sertanejo que via na passagem da Coluna apenas prejuízo e desgraça, pior ainda do que os inúmeros grupos de cangaceiros que assolavam o Nordeste, pois a Coluna era composta por centenas de guerreiros bem treinados em batalhas e sob o comando de um mestre em guerrilha.

Acontece que além da questão política, estava a sobrevivência da tropa.  Afinal, era um batalhão que estava em marcha, necessitando de víveres para seus integrantes. A solução era adquirir de uma maneira ou de outra nos lugares por onde passava, muitas vezes destruindo lavouras e abatendo gado e criações que iam encontrando ao longo do percurso.

A história da passagem da Coluna dos Revoltosos pelos lugares citados está fielmente contada pelo historiador Raimundo Nonato em livro com o título de "Os Revoltosos de São Miguel." Foi também fartamente divulgada pela imprensa local. Este centenário jornal, em sua edição de 16 de fevereiro  de 1926, trazia uma matéria intitulada "A Incursão dos Revoltosos", onde tratava de dois fatos: o primeiro, cujo subtítulo era "Um Prisioneiro", referia-se ao Tenente Fragoso, "desertor das hostes rebeldes", que havia procurado as autoridades de Pau dos Ferros para se entregar, pedindo garantia às autoridades. O segundo fato, que trazia o subtítulo de "Êxodo", fazia referência ao despovoamento de Mossoró com a notícia da aproximação dos revoltosos. Segundo a matéria, mais da metade da população havia abandonado a cidade. O jornal "O Nordeste", que circulava em Mossoró naquela época, trazia nas primeiras páginas de sua edição de 20 de fevereiro de 1926, os títulos: "Os Rebeldes no Nordeste - O Rio Grande do Norte invadido - Mossoró ameaçada". Dizia a matéria: "Quem diria fosse a Região Nordeste do Brasil invadida pela onda de rebeldes que se avolumaram no Sul do País, indo acossada pelas forças legalistas, até as fonteiras dos Estados do Prata? Não se esperava por essa odisséia terrível, mas ela aconteceu..."

Não é nossa pretenção discutir aqui o projeto político que originou a Coluna Prestes nem o resultado obtido pela mesma em sua longa marcha. Queremos simplesmente retratar o fato histórico ocorrido aqui na região, mostrando que longe de atingir os seus objetivos, a "Coluna dos Revoltosos", como ficou aqui conhecida, deixou um rastro de medo e destruição.

Para a história, o fato é recente, existindo ainda pessoas nos lugares por onde passou a Coluna, lúcidas o suficiente para depor sobre o ocorrido.
 

 

Felicidade: uma questão de escolha!

Bruna Lianne Carlos
Contadora -
brunalianne@hotmail.com 

Será que felicidade é algo tão complexo como muitos acham? Será que ser feliz é algo inalcançável, utópico?

Hoje em dia, pode parecer que sim, em face da cruel realidade em que vivemos, porém a felicidade está mais perto de nós do que imaginamos.

Ao passo que vivemos submergidos em tantos problemas, dificuldades e tantas outras coisas que muitas vezes nos impossibilitam de enxergar as maravilhas que a vida nos proporciona dia após dia, isso faz com que passemos a ver a felicidade como um horizonte, e o horizonte é algo inalcançável, quanto mais tentamos nos aproximar mais distante ele está de nós. Muitos depositam a felicidade em outra pessoa, na formação, nos filhos, no novo namorado - ou namorada -, na realização profissional, e ao passo que essas aspirações vão sendo conquistadas as pessoas não conseguem extrair, ou detectar a felicidade em tais coisas, e é quando muitos deságuam num mar de questionamentos e desilusões. É então quando percebemos que a felicidade não advém de coisas, de pessoas, mas que felicidade é a decisão de viver o dia-a-dia de uma maneira intensa, dar sempre o melhor de si para todas as coisas que nos propomos realizar, é considerar importante coisas que para muitos  podem parecer irrelevantes, como o desabrochar de uma flor, a grandiosidade do pôr-do-sol, a nossa respiração...

Diferentemente de buscar uma formação, ansiar a vida a dois, condição social privilegiada, a felicidade não é um objetivo, e sim uma condição de vida, é uma decisão só nossa, não depende de ninguém, com isso, não podemos depositar em nada nem ninguém o resultado da nossa felicidade ou infelicidade, porque esse é um estado de espírito que pertence a cada um de nós, está nas nossas mãos decidir como ser feliz. É um sentir ímpar que ninguém pode contestar e o que se caracteriza felicidade para uns pode não ter o mesmo efeito para outros, por isso se faz necessário falar, expor o que sente independente das circunstâncias, haverá sempre os que nos atirarão pedras, é verdade, mas se nos prendermos a estes, o sentimento já muda e perde a característica de felicidade, passamos a nos preocupar com a opinião das pessoas ao nosso respeito.

Ser feliz é fazer exatamente o que nos agrada sem medo dos preconceitos sociais em que vivemos mergulhados. É verdade que existe um padrão de conduta, porém, somos dotados de livre arbítrio para decidir nossa profissão, nossos amigos, cônjuge, e por que não decidir como ser feliz?

Não podemos depositar nossa esperança de vida em coisas materiais, acreditando que só conseguiremos ser felizes assim, as dificuldades existirão sempre, e se desde já não decidirmos ser felizes com o que temos, da maneira que somos, simplesmente a vida passará por nós e continuaremos a buscar a felicidade com a mesma curiosidade que temos em buscar o horizonte. Aceite-se e decida ser feliz!

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