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Os perigos de andar comendo "qualquer coisa"

 

Que tal sair do expediente normal e aproveitar o pequeno espaço de tempo entre os turnos de trabalho para almoçar em um lugar onde são servidas refeições muito rapidamente? A princípio, nada mal. No entanto, vale a pena entender esse fenômeno que tem nome americano - fast-food (lanche-rápido) que tem invadido as grandes cidades brasileiras, mas que pode causar sérios problemas de saúde à população.

Mas a nutricionista Jarda Jacinta faz um alerta; o excesso leva às doenças cardiovasculares degenerativas e suas associadas, como o câncer causado por produtos embutidos chamados de nitritos e nitratos. "Esses produtos quando utilizados em larga escala, irão provocar doenças como o câncer no nosso trato gastrintestinal, pelo tipo da composição desses produtos", afirmou.

Segundo a nutricionista, as doenças cardiovasculares acontecem porque as pessoas ao se alimentarem de um fast-food vão diminuir a quantidade de fibras e aumentar a quantidade de gorduras de má qualidade como a maionese.

De acordo com estudos científicos, o catchup (molho de tomate) é saudável porque reduz a incidência de câncer de próstata. No entanto, a maionese é péssima por ser muito rica em gordura saturada que passa direto para dentro das artérias provocando as complicações do coração.

"COMER ALGUMA COISA" E ALIMENTAR-SE - Para a dra. Jarda Jacinta, é muito comum ouvir alguém chamar uma outra pessoa para "comer alguma coisa" e no seu entendimento, existe muita diferença quando se compara a alimentar-se. "Comer alguma coisa é quando você não escolhe e lança mão do primeiro alimento que encontrar".

Como exemplo, ela cita a tradicional "coxinha" que na realidade é uma fritura que não se sabe como estava a qualidade do óleo que muitas vezes chega até 180º de temperatura e passa a liberar radicais livres que termina por provocar as doenças crônico-degenerativas que são as diversas qualidades de câncer.

FEIJÃO COM ARROZ - "A mistura arroz e feijão é a melhor do mundo em termos de grãos", frisa a dra. Jarda. Ela é composta por nutrientes, fibras, carboidratos. Ela diz ainda que os supermercados hoje já têm produtos que podem melhorar a qualidade da nossa comida, mas lembra também para juntar uma salada, esquecendo de uma vez por todas de carnes vermelhas e gordurosas que devem ser trocadas por carnes brancas que são mais saudáveis.

COMO FUGIR DO FAST-FOOD - Se você pode fazer sua refeição em casa, mesmo que seja de maneira rápida, é o aconselhável segundo a médica. Outra opção são os restaurantes que oferecem os famosos "PF" onde você tem feijão, arroz, salada de alface com tomate e um pedaço de frango. "Sem dúvidas. É muito mais saudável do que comer um pastel com refrigerante", argumenta.

Levar para o trabalho o lanche feito em casa e fugir do fast-food é a melhor alternativa segundo a dra. Jarda Jacinto, isso porque você tem a liberdade de escolher o que comer. Como sugestão, ela dá até uma receita: "Você pode pegar um pão, colocar tomate, alface e uma fatia de queijo branco que não é gorduroso, o que significa uma troca muito mais saudável", recomendou.

OBESIDADE - A nutricionista Jarda Jacinta entende também que a incidência de obesidade nas pessoas com médio poder aquisitivo concorre cada vez mais para a incidência de hábitos alimentares desregrados. Isto porque essa classe social recorre quase que diariamente a alimentação tipo fast-food, principalmente quando se trata de crianças. "Eu acho que depois que a vida ficou mais corrida, as mães começaram a reduzir a quantidade de alimentos de preparação caseira, para utilizar biscoito recheado e refrigerante", afirmou.

O que acontece, segundo Jarda Jacinta, é que a criança vai começar a gostar do lanche rápido. Vez por outra vai preferir comer um pastel com um refrigerante do que comer uma fatia de bolo e um suco de frutas.

CORPO SARADO? - A dra. Jarda observa que o fast-food já está influenciando na composição corporal das pessoas porque existe um acréscimo na composição de gordura. Ele compara que jovens que nasceram até por volta dos anos 80 não tinham esse tipo de problema, diferentemente dos que nasceram depois dessa época. "É que naquela época a gente andava mais e não recorria ao fast-food. Esse tipo de lanche a gente só comia em tempos de festas ou em finais de semana", acrescentou.

Ela lembra ainda que para se caracterizar o fast-food não é preciso estar numa lanchonete no centro da cidade. “Nada disso. Se você está em casa e pega um pão francês e coloca mortadela, salsicha, queijo ou outra comida, você está se utilizando dessa invenção americana”, finalizou.

OS ERROS - O erro mais grave numa alimentação segundo a dra. Jarda, é a ausência de fibras que sempre estão presentes nas hortaliças (verduras e legumes) e nas frutas, que começam a ser trocados por engarrafados onde alguns não são de boa qualidade.  “É bom lembrar que a primeira refeição começa com os olhos. Então, é importante que a pessoa procure controlar essa ganância por comer tudo que vê pela frente”, ressaltou.

As conseqüências que podem surgir com o tempo

As conseqüências para quem deixa de utilizar os alimentos tidos como saudáveis e passa a se envolver com as refeições tipo "fast-food", são várias.  Você é um candidato em potencial a todo e qualquer tipo de doença, principalmente do coração, porque começa a se formar placas de gordura nas paredes das artérias, e isso leva a acidentes cardíacos e vasculares.

Além disso, essas pessoas também estão propensas a câncer do tipo gastrintestinal pela redução de fibras que também podem ocasionar o câncer de colo retal. Os molhos também são um aliado que prejudicam em muito o funcionamento do nosso organismo.

"Quando a gente fala em conseqüências não podemos esquecer das desepidemias que são as taxas de colesterol e triglicéris em níveis elevados", ressaltou.

A dra. Jarda Jacinta faz mais um alerta para as mães. O biscoito recheado nada mais é do que gordura saturada vegeta e hidrogenada que contribui para o aumento do colesterol o que é muito ruim quando se trata de uma criança.

Nos últimos anos a composição do prato brasileiro mudou, conforme pesquisa empreendida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Em meados dos anos 70, arroz, feijão, alface, tomate, laranja e banana eram os alimentos básicos da população nacional. Depois, verificou-se uma substancial queda nos gastos na alimentação com o feijão - em relação aos outros produtos calóricos.

 

 

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