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Agora se sobressaiu o interesse popular

Se ontem o nosso editorial foi taxativo ao afirmar que os parlamentares que votaram pela derrubada da verticalização viram antes de tudo os seus próprios interesses, o mesmo não se pode dizer hoje do que estes mesmos deputados ao votarem com o substitutivo que dispõe sobre a propaganda, financiamento e prestação de contas das despesas com campanhas eleitorais. Nesse aspecto, somos pródigos ao afirmar que se viu o interesse da coletividade, dos cidadãos, do Brasil, enfim.

Cabível também é dizer que essa aprovação dessa normatização terminou por se constituir num dos instrumentos mais importantes para a moralização do ainda claudicante processo eleitoral brasileiro. Portanto, pelo texto que foi aprovado e que agora se conhece não se tornará exagero algum se dizer que ele realmente se transformou num marco na vida política do Brasil.

Os objetivos da matéria são relevantes e isso é taxativamente reconhecido por todos. Exatamente porque se está levando na devida consideração os objetivos que inspiraram a proposta elaborada do texto aprovado.

Reconheçamos que há votações nesse Congresso em que os interesses e conveniências pessoais se sobrepõem aos interesses e conveniências da coletividade (e isso foi o que se deu no caso da verticalização derrubada), convenhamos que a decisão recém adotada realmente vai contribuir para recuperar um pouco a imagem dos parlamentares que anda bastante desgastada. E o que é mais grave: imagem comprometedora até para o Legislativo como tal.

Bom, mas é fato que a partir de agora as doações para as campanhas eleitorais estarão sujeitas aos rigores da nova lei. Daí que escândalos do tipo caixa 2 tendem a desaparecer do decorrer das eleições brasileiras. Há outros ingredientes não permitidos e que dizem respeito aos showmícios, artistas remunerados ou não para animar comícios, propaganda de candidatos ou partidos mediante publicidades, cartazes, camisas, bonés, broches ou dísticos dos vestuários, todos estão proibidos e as suas utilizações se constituirão a partir de então num crime eleitoral.

Se realmente ficarmos livres desses vícios aí sim teremos condições de imaginar que estamos diante de resultados de eleições livres, transparentes, limpas, enfim, diante de um eleitorado de voto mais consciente.

 

 

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