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Gabriel
Barcelos
Gabriel Barcelos Chaves
tem 35 anos e é natural de Pelotas/RS.
Formado em Direto,
ele está radicado em Mossoró há seis anos e já foi agraciado,
no ano passado, com o título de cidadão mossoroense
ao que diz que não precisava, pois já se sentia assim
antes mesmo de ser agraciado.
Atual gerente do Hotel
Thermas, ele ocupa também o cargo de gerente de Turismo
do município de Mossoró.
É com ele a entrevista
desta semana.
Por Caio César Muniz
OM - O Pólo Costa
Branca é um projeto que já vem sendo falado há mais
de uma década, mas que só veio a ser implantado realmente
há cerca de um ano. O que já foi realizado a partir
da sua instalação?
Gabriel Barcelos -
É importante realmente ressaltar que este projeto já
vem sendo falado há tanto tempo, talvez mais de uma
década. O que mudou na verdade, o que eu acho que até
impulsionou para a sua criação foi a própria orientação
do governo federal. Porque antes o Ministério do Turismo
nos orientava e dirigia através de programas de municipalização
do turismo. Então, todo o trabalho, todo foco era nos
municípios. No atual governo mudou-se a visão, ou seja,
passou-se a trabalhar com regiões turísticas, regionalização
do turismo. Então se dividiu o Brasil. Não é só o Costa
Branca, aqui no Rio Grande do Norte, por exemplo, são
cinco pólos, da mesma forma que no Ceará, que na Paraíba,
no Rio Grande do Sul, enfim, em todas as regiões. E
assim que realmente a coisa funciona, porque você vai
agregar valores ao seu produto turístico, àquilo que
você tem, porque você divulgar o que se tem em um município
é uma coisa, mas trabalhar toda uma região você vai
ter sempre muito mais atrativos para divulgar. É assim
no mundo inteiro. No Rio Grande do Sul, por exemplo,
há muito tempo se falava nas serras gaúchas, só que
você não pode falar desta forma porque você não sabe
onde começa ou onde termina determinado município, porque
é uma região. No momento em que se mudou este enfoque,
as coisas começaram a se encaminhar neste sentido de
desenvolvimento. O Pólo Costa Branca ele tem um potencial
enorme. Eu diria até que ele é maior do que o Pólo Costa
das Dunas, que fica localizado em Natal, em termos de
diversidade.
No Costa das Dunas
você tem única e exclusivamente sol e mar, você tem
no Costa Branca sol e mar, com uma qualidade de produto
tão bom quanto o Costa das Dunas, mas temos outra diversidade
de coisas para mostrar que não existe por lá, é o caso
das pinturas rupestres, das águas termais, das salinas,
da fruticultura, do petróleo e tudo isso pode ser trabalhado
de uma forma turística.
Então sobre sua pergunta
original (o que foi feito a partir da instalação do
Pólo Costa Branca?) eu diria que o principal foi que
se criou, oficialmente, o pólo. O que existia antes
era somente teoria, mas ele agora oficializado. Além
da sua criação, também foi criado o Conselho do Pólo
Costa Branca, que é composto por membros do poder público,
da iniciativa privada e do terceiro setor. Este conselho
é quem vai gerir o desenvolvimento do Pólo Costa Branca,
através dele, que representa a sociedade, os municípios
que fazem parte do pólo, ele vai dar as orientações,
os sonhos necessários para o desenvolvimento do turismo
sustentável na região. Quando falamos em turismo sustentável,
estamos falando de um turismo que venha a trazer os
benefícios que o turismo traz, de uma maneira em que
a gente possa projetar isto em longo prazo e que não
seja um turismo predador, aquele que chega e acaba trazendo
muito mais prejuízos para a sociedade do que benefícios.
Mas aqui está se pensando e se planejando o turismo
de uma forma muito consciente.
OM - Como será feita
a roteirização do Pólo Costa Branca?
GB - Na última segunda-feira
nós tivemos aqui um grupo do Sebrae, da Secretaria de
Turismo do Estado e da Creato, que é uma empresa contratada
através de um convênio com o Ministério do Turismo para
fazer esta roteirização e já nesta primeira reunião
foi feito um reconhecimento da região. É uma empresa
mineira, mas que executa este tipo de trabalho no Brasil
inteiro então têm muita experiência. Alguém pode achar
que poderíamos até ter escolhido pessoas daqui, mas
eu acredito que tenha sido bem melhor assim, primeiro
porque eles têm o conhecimento, eles sabem o que vende.
Depois, justamente pelo fato de ser de fora, porque
eles têm uma melhor visão de tudo e, geralmente quem
é de fora, costuma dar mais valor ao que é daqui. Quem
reside por aqui ignora, por exemplo, a importância turística
de uma salina e, quem vem de fora fica fascinado quando
avista uma salina. Então estas pessoas têm a visão do
turista. Então o trabalho já começou, ele tem que estar
pronto para o salão do turismo que ocorre em junho em
São Paulo, é o maior evento de turismo hoje no Brasil.
É um trabalho que como se vê, foi iniciado, mas tem
data para terminar. Eu estou entusiasmado porque isso
vai nos dar além de um material muito bom para que nós
possamos vender junto a operadoras e agências de viagem,
que é quem vende. Nós teremos também uma profissionalização
no nosso turismo, será um grande passo. A partir
do momento em que nós criamos um roteiro, nós vamos
precisar criar uma infra-estrutura para este roteiro,
para que ele possa acontecer, para que ele possa receber
o turista. Isto vai promover uma profissionalização,
vai expor também as nossas dificuldades, o que, claro,
vai nos mostrar onde precisamos melhorar. Então, a primeira
grande ação, prática, do Pólo Costa Branca são os roteiros
turísticos sendo vendidos nas operadoras e agências
de turismo do Brasil.
OM - Então o Pólo
Costa Branca não vai trabalhar a questão turística somente
na parte litorânea da nossa região, outras localidades
afastadas também irão ser beneficiadas?
GB - Quando se fala
em Costa Branca pensa-se logo que a coisa está ligada
somente ao litoral. Não é. Na verdade, o litoral teria
muitas dificuldades de desenvolvimento se não fosse
Mossoró. Não é querendo dizer que Mossoró seja melhor
do que ninguém, mas a cidade hoje, é, realmente, a porta
de entrada para toda esta região. Você não teria como
desenvolver este pólo sem a infra-estrutura oferecida
por Mossoró. Eu diria mais. Mossoró não dá suporte somente
para as cidades localizadas no Estado do Rio Grande
do Norte, mas também para cidades próximas, no Estado
do Ceará, como é o caso de Icapuí e Aracati que necessitam
desta infra-estrutura que nós temos. Há algum tempo
nós recebemos um grupo de portugueses que estavam em
Icapuí, mas que vieram conhecer Mossoró, alguns investidores,
inclusive, e eles nos falavam que para o desenvolvimento
destes projetos naquela cidade, precisariam de Mossoró.
Porque Mossoró daria o suporte para a sustentabilidade
dos seus projetos.
Então a partir de Mossoró
você tem várias opções. Apodi, por exemplo, que não
faz parte do Costa Branca, vai fazer parte do roteiro.
Porque não tem como desprezar o Lajedo de Soledade,
que é conhecido no mundo inteiro, que tem uma infra-estrutura
já pronta e que fica a apenas 70 quilômetros daqui.
Então existirão alguns roteiros para o interior que
são indispensáveis. É bom dizer que também que apesar
do pólo contar com dezesseis municípios, apenas oito
vão fazer parte, neste primeiro momento deste roteiro
turístico, porque algumas cidades, infelizmente, ainda
não têm esta infra-estrutura pronta para o recebimento
do turista.
Agora, a partir do
momento que estes oito municípios passarem a receber
um fluxo maior de turistas, os outros são beneficiados
também, porque eles vão estar muito próximos destes
roteiros. Qualquer coisa que eles criem, eles vão puxar
este turismo para eles. O difícil seria se os turistas
estivessem em cidades mais distantes como Natal ou Fortaleza,
mas se estão aqui, entre estes oito municípios, qualquer
evento que aconteça em volta vai levá-los até este lugar,
inserindo assim aquela localidade na sua rota de visitações.
Na hora que isto começar a acontecer a iniciativa privada
vai responder de uma maneira muito forte. Porque quem
faz o turismo é a iniciativa privada. O poder público
tem que criar a infra-estrutura, dar as condições para
que a ela faça os investimentos necessários e o turismo
realmente aconteça. Então quando tivermos este roteiro
pronto, turistas vindo nestes roteiros, com certeza
a iniciativa privada, os empreendedores locais, e mesmo
de fora, vão realmente começar a fazer os seus investimentos
e a roda começar a girar. Nós temos que começar a fazer
as coisas acontecerem e aí não vai parar mais porque
o potencial é inegável e vai trazer um desenvolvimento
para a região muito grande.
OM - O senhor falava
da questão da infra-estrutra. Mossoró tem um problema
sério de infra-estrutura que é a sua rodoviária, além
de que o aeroporto local também não tem recebido vôos
comerciais. Como o senhor avalia isto?
GB - Recentemente foi
feito uma pesquisa sobre o turismo em Mossoró e no geral
esta pesquisa foi muito positiva. Os pontos negativos
abordados - e eu concordo com eles - era a questão da
sinalização turística da cidade, que realmente é muito
fraca, mas nós já estamos trabalhando para criar uma
sinalização eficiente, uma folheteria com informações
sobre os pontos turísticos de Mossoró e o outro ponto
era exatamente a rodoviária.
A rodoviária, sem dúvida
é a porta de entrada da cidade, é a primeira impressão
e isto realmente tem nos preocupado porque ela é deficiente
em termos de atrativo turístico.
O DER é o responsável
pela rodoviária, então o município tem pouca gerência
sobre isto, no máximo podemos pressionar para que sejam
feitas melhorias, e isto temos feito. Alguma coisa já
foi feito neste sentido de melhoramento, mas insuficiente.
Na minha opinião, o ideal seria a municipalização desta
rodoviária, isto seria muito mais fácil para que nós
resolvêssemos este problema. O aeroporto, hoje, ele
já tem as condições mínimas para o recebimento de aeronaves,
inclusive boeings, como tem chegado da companhia BRA,
então as condições estão razoáveis. Claro que alguma
coisa tem que melhorar e isso vai ser feito a medida
que passarmos a ter vôos regulares para cá. Quando isto
acontecer, as melhorias que se farão necessárias vão
ser feitas.
Eu acredito que mais
ainda que o aeroporto, a rodoviária é um problema maior,
porque o fluxo de pessoas é muito grande.
Há uma semana eu recebi
um casal, diretores de um grande jornal do Rio Grande
do Sul que vieram conhecer Mossoró e queriam voltar
para Fortaleza de ônibus e eu confesso que fiquei constrangido
em deixá-los na rodoviária. Porque eles estavam tão
positivamente entusiasmados com o que viram em Mossoró
que aquele cenário destoou de tudo que eles conheceram.
OM - Percebe-se
em Mossoró certa inabilidade dos profissionais que trabalham
na área de atendimento e isto, com certeza, é prejudicial
ao turismo. Existe algum projeto visando capacitação
nestes setores?
GB - Atualmente as
pessoas estão começando a acreditar no turismo. Então
os próprios empresários da cidade estão se dando conta
de que precisam capacitar seus funcionários para atender
as pessoas que vem de fora. Nós temos aqui bares e restaurantes,
por exemplo, onde o turista não é atendido de uma forma
adequada porque os funcionários estão acostumados a
atender o público local, que não é tão exigente quanto
as pessoas que vem de fora.
Nós estamos montando
um projeto de sensibilização de policiais, frentistas,
taxistas, que é quem geralmente o turista procura para
obter informações sobre a cidade.
OM - O que pode
ser feito para que, com o aumento do turismo na região,
não venhamos a ter, também, um aumento nos casos de
exploração sexual de menores?
GB - Um dos membros
do Conselho do Pólo Costa Branca é uma ONG chamada Ceática
que se preocupa com esta questão da exploração sexual
infanto-juvenil.
Agora, eu acho que
uma das coisas principais que devem ser feitas é que
as leis sejam cumpridas, que haja a fiscalização, que
as pessoas sejam punidas, porque vai servir de exemplo.
Existe um projeto do
Sebrae chamado "Turismo Melhor" do qual dois
hotéis da cidade (o Thermas e o Sabino Palace) já possuem
o selo de qualidade, e que um dos requisitos para o
recebimento deste selo é justamente que o hotel tome
medidas para coibir este tipo de violência.
Ações, lógico, têm
que ser feitas, caso contrário isto é inevitável, mas
temos que ter esta preocupação, agir de maneira dura,
prevenindo, trabalhando junto aos hotéis e com as autoridades
locais e conscientizar as pessoas dos riscos para que
tenhamos o mínimo de problema, se possível, nenhum problema
desta natureza.
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