Mossoró-RN, domingo 12 de fevereiro de 2006

ANTIGAMENTE ERA ASSIM
Aldivam Honorato
aldivamhonorato@ig.com.br

Para Emery Costa

Oh! Quantas lembranças
Sentimos dos carnavais
Aqueles anos de ouro
Sei que não voltam jamais.

Muitos blocos de salão
Animavam na ACDP
Outros no Clube Ipiranga
Fazendo aquele auê.

Totõezinho e seu conjunto
Outras orquestras de fora
Animavam o carnaval
Naqueles de outrora.

Eram rapazes e moças
Vestindo uma fantasia
Eram casais brincando
Todos na maior alegria.

E a visita às residências
Chamadas de assustado
Onde o dono da casa
Previamente era avisado.

Era uma consideração
Ninguém podia faltar
Era comida e bebida
Para todos se fartar.

O carnaval de rua
Era outra maravilha
E por ser mais popular
Brincava pai, mãe e filha.

Quase todo o bairro
Tinha seu bloco de rua
Que também fazia bailes
Do pôr-do-sol ao clarão da lua.

Lembro bem do Baraúnas
Lá do bairro doze anos.
Que terminava um carnaval
Pra outro fazia planos.

Outro bloco importante
Era o dos Salinistas
Que tinha como carro-chefe
As suas belas passistas.

E a presença dos Índios
Também era esperada
Com chocalhos e maracás
Fazendo muito zoada.

Mas a espera do povo
Era pela querida Cristina
Que puxava os Pimpões
Desde o tempo de menina.

Meu velho Amigo Emery
Agora eu lhe pergunto.
Cadê o carnaval de Mossoró
Será que virou defunto!

Onde estão as autoridades?
Os promotores de festas?
Será que o carnaval,
Para eles já não presta?

Não sou contra outras festas
Cada uma tem a sua ocasião
Mas o carnaval sempre foi
A grande festa do povão.

VISÃO DO TEMPO
Caio César Muniz
Escritor e poeta

Eu já caminhei por essas ruas
carregando um fardo de sonhos em cada mão.
No tempo em que eu ainda tinha sonhos,
no tempo em que em minhas mãos
ainda havia força para carregá-los.

ILUSÕES DE VIDA
Francisco Otaviano
Rio de Janeiro (1825 - 1884)

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.

ERA POETA...
Cefas Carvalho
Jornalista (Natal/RN)

Era Poeta...de todas, a mais bela
De seus versos fiz meu pão e fiz meu vinho
Com régua e compasso fiz meu caminho
Da aquarela de teus olhos fiz minha tela

Era Poeta...envolta em seda e linho...
Ares de Safo, Cecília e Florbela...
Em devaneios, abri uma janela
E mergulhei em seu mar azul marinho

Mas, e agora? Tão pouca coisa aconteceu...
Sem poesia e tão mornos os dias passam
Não eras Julieta nem eu o seu Romeu

Onde irá levar-nos essa vida louca?
Se meus versos e seus versos não se enlaçam...
Se quero escrever sonetos em tua boca...

ROTINA
Vera Lucia Azevedo
Poetisa (Natal/RN)
Vencedora do 2º Concurso de Poesia Zila Mamede

Semidesperto...
Um olho descerra preguiçosamente
após o outro...
Um braço acima... o outro também ...

Estico a perna direita calmamente...
A esquerda também...

Neste instante espichada
e o mundo paradinho... me esperando
Não gira, não anda...não segue...

Puxo lentamente o lençol com um pé...
O esquerdo ajuda ...
Deixo-me estar assim...inerte...
...mansamente....

Clic !!

Pulo  
chuveiro
toalha
roupa
dentes
café
sapatos
porta
portão
calçada
corrida
e o ônibus não me espeeeeeeeeera nunnnncaaaa!!!

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