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A convite de Fernando
Henrique Cardoso, um líder da cúpula do PMDB esteve
no apartamento do ex-presidente, no bairro paulistano
de Higienópolis, na última sexta-feira. Conversaram
por mais de duas horas. Durante o diálogo, FHC sondou
o interlocutor sobre o interesse do PMDB de indicar
o candidato a vice na chapa do PSDB.
A sondagem surpreendeu
o líder peemedebista, que via como praticamente definida
a coligação do tucanato com o PFL. Ligado à vertente
do partido que deseja que o PMDB lance um candidato
próprio, ele respondeu a FHC que, a essa altura, com
prévias marcadas para 19 de março, não há como retroceder.
O interlocutor de FHC
disse-lhe, porém, que há uma ala do PMDB, representada
pelos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP),
que continua trabalhando com a hipótese de compor com
um candidato de outro partido ainda em primeiro turno.
Esse grupo dá preferência, porém, a Lula.
Só uma disparada do
candidato tucano nas pesquisas, seja ele Geraldo Alckmin
ou José Serra, avaliou o peemedebista durante o diálogo,
atrairia o naco governista do PMDB para o lado dos tucanos.
Passou-se, então, a analisar as chances de composição
no segundo turno.
De novo, disse o peemedebista
a FHC, o partido tende a manter a divisão interna. Prevalecendo
a polarização entre PT e PSDB, a ala que hoje se alinha
à tese da candidatura própria defenderá uma composição
com o tucanato. Prefere José Serra. Mas não oporá resistências
se o candidato for Geraldo Alckmin. A outra ala, mais
vinculada a Lula, irá se compor com o PT.
Personagem central
do processo de escolha do candidato do PSDB, FHC estreitou
nas últimas semanas os contatos com o PMDB, partido
que integrou o consórcio de apoio ao seu governo no
Congresso. Conversa amiúde com quatro pessoas. São recebidas
sempre separadamente.
Nos encontros, FHC
mostra-se convencido de que o PMDB tornou-se peça chave
no xadrez eleitoral de 2006. Parece decidido a impedir
que a legenda -ou uma parte dela- se componha com Lula.
Informados acerca da articulação do ex-presidente, dois
líderes tucanos ouvidos pelo blog revelaram-se surpresos.
Receiam que, a pretexto de dificultar a vida de Lula,
FHC acabe por jogar areia nas boas relações do tucanato
com o PFL.
As negociações com
os pefelistas encontram-se em estágio avançado. Não
passa pela cabeça de nenhum dos integrantes da direção
do PFL a hipótese de não indicar o candidato a vice.
Ao contrário. Deseja-se apressar a definição do cabeça
de chapa, para iniciar a costura dos palanques nos Estados.
A questão do vice é tratada como favas contadas.
Os dois grão-tucanos
ouvidos pelo preferem acreditar que as sondagens disparadas
por FHC em direção ao PMDB visem apenas à composição
no segundo turno.
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