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Tempo
para nós mesmos...
É impressionante como
não nos sobra tempo no nosso corre-corre diário para
desfrutarmos um pouco da nossa própria companhia.
Isso mesmo, um momento
só nosso, para olharmos um pouco para o nosso íntimo,
fazer questionamentos, ou mesmo não fazer nada, apenas
deixar que a cuca divague.
Eu já nem tomo mais
café da manhã como antes.
Hoje, ao mesmo tempo
em que degusto um copo de leite, também visto a camisa
ou calço os sapatos.
Enquanto escovo os
dentes, passo a vista no jornal, e o jornal hoje não
é mais aquele prazer da simples leitura, é uma espécie
de obrigação, aquela coisa de saber quem disse o quê
de quem e quando.
Por recomendação médica
tive que encontrar ao menos uma hora livre para mim
nos últimos tempos para caminhar.
Desta uma hora, tirei
quinze minutos para fazer banalidades - catar mangas
que caem no meu quintal fora da safra, comê-las como
menino guloso que nem tira a casca e se lambuza como
se estivesse morto de fome, coisas que eu fazia quando
criança, simples, mas que nós não conseguimos mais fazer.
Eu queria mais tempo
para mim, porque às vezes parece que sinto falta de
mim mesmo.
...et
cetera e coisa e tal...
O Instituto Cultural
do Oeste Potiguar - ICOP - instituiu "O Dia Vingt-un".
A cada dia vinte e um de cada mês a instituição reunirá
outras entidades culturais da cidade e demais intelectuais
para homenagear o mecenas da cultura mossoroense.
Manchetes de jornais:
"Areia Branca Prepara Largo da Folia"; "Felipe
Guerra Quer se Tornar Opção no Carnaval"; "Macau
Pronta Para a Festa de Momo". Enquanto isso Mossoró,
uma cidade considerada pólo cultural do Estado, tem
que se contentar com os "ursos" na rua.
Li em algum lugar que
a prefeitura de Mossoró vai investir quinhentos mil
reais no carnaval da cidade. Pura balela, conversa fiada.
Coloque esta quantia nas mãos de qualquer promotor de
eventos que ele faz um carnaval de vergonha. Mas vergonha
é o que parece que esta administração não tem.
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