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A precocidade de Aluízio
Alves
Aluízio Alves nasceu
na cidade de Angicos, no dia 11 de agosto de 1921.
Foi um menino precoce,
iniciando sua carreira de jornalista ainda criança.
Fundou o jornal "O Clarim", que era datilografado
e possuía apenas um exemplar, passando de casa em casa.
O jornal, segundo Aluízio, era "por mim mesmo desenhado
em vermelho, e por mim todo ele escrito: desde o editorial
às notas de aniversários, notícias de festas, entrevistas,
etc., às vezes, jornalista e datilógrafo de dois dedos,
levada o dia inteiro, até sem almoço, entrava pela noite,
sob o protesto da minha mãe. Tudo era compensado pelas
alegrias do domingo: o jornal ia passando de casa em
casa, com os comentários dos vizinhos, leitores de toda
a cidade".
Mais adiante, duas
outras iniciativas, ambas no campo do jornalismo: o
jornal "A Palavra" e a revista "Potiguarânia".
Dirigiu também o jornal "O Estudante".
O Partido Popular,
quando criou "A Razão" , designou Aluízio
para trabalhar como repórter. O jornal pertencia a Dinarte
Mariz e seu diretor era Eloy de Souza.
Após a vitória do Partido
Popular, que consegue eleger três deputados, e a situação
apenas um, Aluízio Alves, escreveu um artigo com o título
"Três a Um", quando chamou o interventor Bertino
Dutra de "apêndice podre da Marinha brasileira".
Diante da ofensa, a Marinha mandou prender Aluízio.
Foi criado, então, o impasse: o autor do artigo era
menor, contava apenas 13 anos de idade... Como solução,
o jornal foi fechado. Na administração de Mário Câmara,
a publicação voltou a circular.
O jornalista mirim
enfrentou outro problema semelhante. O major Abelardo
de Castro deu uma entrevista criticando a situação que
havia no Rio Grande do Norte. Essa entrevista foi publicada
no "Diário de Pernambuco". Como o jornal da
oposição se encontrava fechado, a entrevista foi impressa
em forma de boletim. Na noite seguinte, Aluízio, com
outras pessoas, pregavam com grude os boletins nas paredes
das casas, edifícios públicos, etc. Quando Aluízio estava
colando as folhas atrás da catedral velha, foi preso.
Mas não podia ser preso por causa da idade. O chefe
da polícia, capitão da Marinha, Paulo Mário, chamou
o pai do menino, aconselhou, ameaçou, porém o jovem
rebelde foi colocado em liberdade.
Aluízio, repórter de
"A Razão", junto à Assembléia Legislativa,
viveu momentos difíceis nessa fase: "lá às seis
horas da manhã para "A Razão", escrevia várias
matérias. Quinze para as oito e eu ia para o colégio
e ficava até onze horas. Às onze horas voltava para
a "A Razão" para escrever e fazer a revisão
da matéria. Uma hora da tarde voltava para o colégio,
até aí sem comer, sem almoçar, ficava no colégio até
três e meia da tarde. Quando saía às três e meia da
tarde. Quando saía às três e meia da tarde, eu ia para
o jornal, assistia ao final do jornal".
Aluízio Alves começou
a se interessar por política no ano de 1932, com onze
anos de idade, quando, após a derrubada do prefeito
de Angicos, João Cavalcanti, seu pai, Manoel Alves,
foi eleito prefeito.
Nesse ano, ocorria
uma terrível seca e os flagelados da região procuraram
seu "Nezinho", que convocou os comerciantes
para colaborar: recebendo e distribuindo gêneros alimentícios,
estava ali presente o menino Aluízio Alves.
Outro acontecimento
vai marcar a carreira precoce do político Aluízio Alves:
durante a revolução Constitucional de 32, ele se encontrava
em Ceará Mirim. Nessa cidade só havia uma rádio, na
casa de Waldemar de Sá. O menino Alves ouvia os discursos
dos líderes do movimento, repetindo para os presentes.
Aluízio, indo para
o Ceará, estudou no Ginásio São Luiz. Ocorreu então
o seguinte fato: um motorista de ambulância dirigia
em alta velocidade para salvar um doente. A ambulância
virou, o motorista morreu, porém, o doente sobreviveu.
O acontecimento emocionou a cidade de Fortaleza. Aluízio
foi escolhido para fazer a oração, durante uma homenagem
prestada pelos estudantes aos familiares da vítima do
acidente. Seu discurso emocionou a todos os presentes.
A partir daquele momento passou a ser o orador oficial
do ginásio.
Em 1940, em Angicos,
a paróquia organizou a festa de Cristo Rei. Estiveram
presentes o governador Rafael Fernandes e Aldo Fernandes.
Na oportunidade, Aluízio pronunciou uma conferência
sobre a Paróquia de Angicos. Como resultado, o menino
conferencista foi convidado por Aldo Fernandes para
trabalhar no jornal "A República", quando
se tornou repórter e editor do referido órgão de imprensa,
na época, dirigido por Edgar Barbosa.
Em 1942, uma grande
seca. Natal foi invadida pelos flagelados. Aldo Fernandes
chamou Aluízio, dizendo que queria fazer uma reunião
com as principais autoridades da cidade. Aluízio, então,
escreveu um artigo inti-tulado "Convocação à família
natalense", sendo designado para organizar o trabalho
de assistência aos flagelados. Dentro de três dias 8
mil pessoas estava abrigadas. Terminada a seca, Aluízio
Alves organizou a volta dos retirantes, fazendo com
que cada um levasse instrumento de trabalho, além de
recursos para recomeçar a vida, inclusive, comida para
um mês. Aconteceu que, no final, ficaram 60 menores
de ambos os sexos. Aluízio Alves sugeriu, então, criar
um Serviço de Assistência ao Menor. Aprovada a idéia,
Aluízio Alves foi para Recife e, naquela cidade, entrou
em contato com as autoridades que tratavam do problema.
Foi fundado o "Abrigo
Melo Matos", com Orígenes Monte assumindo a direção.
Incansável, Aluízio
Alves, com ajuda da Legião Brasileira de Assistência,
criou o Instituto Padre João Maria e, com auxílio da
prefeitura, organizou o Abrigo Juvino Barreto. Ambos
foram inaugurados no dia 19 de abril de 1943.
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