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A
CHAVE DO GALINHEIRO BRASIL PARA A RAPOSA!
Não se
entende, nem tampouco se justifica, o açodamento
de alguns dos maiores expoentes petistas
em querer tornar, à toque de caixa, independente
o Banco Central (BC), com mandato fixo para
o presidente e diretores da instituição.
Ora, o
BC concentra hoje tantos poderes sobre o
sistema financeiro, sobre a vida dos cidadãos
comuns — mesmo que a maioria nem saiba disso
— e a economia como um todo, que é extremamente
contraproducente colocar todo esse arsenal
nas mãos de um só homem. Seja ele quem for,
a que partido pertencer, sem poder ser exonerado.
Traduzindo: independente para tomar decisões
e com total estabilidade no cargo. Nem mesmo
o presidente da República, Lula, poderia
demitir, no caso atual, Henrique Meirelles
nem tampouco sua diretoria.
Fórmula
aplicada com sucesso nos Estados Unidos
— onde impera forte democracia interna e
instituições respeitadas — no poderoso FED,
o banco central de lá. Uma temeridade em
terras tupiniquins. Sobretudo se levarmos
em conta que, apesar de aparentemente consolidada,
nossa democracia ainda se ressente e cura
as chagas do golpe militar de 1964. Golpe
que instalou uma ditadura que durou 20 anos
e acabou há menos do que isso. Sem contar
que há apenas 10 anos tivemos um presidente
da República cassado por corrupção...
Causa mais
estranheza esse afobamento, ou avexo, como
se diz no Nordeste, por parte de ministros
e líderes do PT, uma vez que Meirelles foi
recrutado dos quadros do PSDB do ex-presidente
Fernando Henrique. Se ainda o presidente
do BC indicado por Lula fosse, apenas à
título de exemplo, o senador Aloísio Mercadante,
histórico dentro do partido e homem de completa
confiança do governo, tudo bem. Mas não
é o caso.
Neste sentido,
procedem as críticas do deputado federal
Babá (PT/PA) e da senadora Heloisa Helena
(PT/AL), entre outros, contra a indicação
de Meirelles; o aumento na taxa de juros
e a intenção de transformar o BC numa espécie
de “quarto poder” . Eles apenas estão sendo
coerentes com o programa e com tudo o que
o partido sempre defendeu, quando oposição.
A grande maioria da imprensa tem tratado
esses parlamentares como radicais. Ora,
mesmo analistas e cidadãos contrários a
posições radicais — e eu sou frontalmente
contrário a radicalismos — reconhecem que
eles, independentemente de suas correntes
ideológicas, estão, coerentemente, cobrando
coerência do presidente Lula e de outros
lideres petistas. Radicais seriam se estivessem
exigindo que o PT, agora no poder, adotasse
teses que o partido defendia na sua fundação,
há 22 anos, como não-pagamento da dívida
externa brasileira e uma reforma agrária
radical...
Tornar
o atual presidente do BC indemissível, soa
como entregar a chave do cofre para o ladrão.
Não que Henrique Meirelles seja um bandido,
longe disso. É apenas uma metáfora. A folha
corrida de Meirelles não apresenta máculas
do ponto de vista criminal. O problema está
no campo das idéias, das concepções e da
escola econômica que ele segue. Que não
é a mesma que o PT trilha (ou trilhava?).
O que se pretende é tão inusitado e desaconselhável
como se o ex-presidente FHC tivesse, ao
longo dos dois mandatos, nomeado alguém
do PT — jamais o faria — para presidir o
BC e ainda por cima enviasse para o Congresso
a proposta de torná-lo independente e insubstituível
até o fim da gestão!!
Convenhamos,
o fato de Henrique Meirelles ser obrigado
por lei a renunciar ao cargo conquistado
nas últimas eleições como deputado federal
pelo PSDB de Goiás (sem possibilidade de
arrependimento e retomada do mandato) condição
para exercer a presidência do Banco Central;
e a pressa do novo governo em conferir autonomia
ao órgão, deixa a dúvida — quase a certeza
— que houve a formalização de um pacto.
Um pacto pela estabilidade de Meirelles
no novo cargo!!
Boa semana
para todos — pobres de nós, cidadãos do
galinheiro Brasil, pintinhos, frangos ou
galos formados, pelo jeito teremos que engolir
muito milho duro de roer — quinta-feira
(20/02) eu volto. Traduzindo a Economia
para o seu dia-a-dia!
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