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O
abolicionista Almino Afonso
No dia
13 de fevereiro de 1899 faleceu em Fortaleza/CE
o grande tribuno Almino Álvares Afonso,
nascido a 17 de abril de 1840, no modesto
sítio de Coroatá, na povoação de Patu de
Dentro, vizinhanças da atual cidade de Patu/RN.
Advogado,
magistrado, latinista emérito, poeta e jornalista,
tribuno vibrante, abolicionista, a grande
voz da libertação dos escravos de Acarapé,
do Ceará, de Mossoró, de Manaus e do Amazonas,
Constituinte da Primeira República, com
enorme contribuição na feitura da Carta
de 1891.
Bacharelou-se
em Direito pela Faculdade de Direito do
Recife, integrando a turma de 1871. Nomeado,
logo após a formatura, promotor da Comarca
de Guarabira, na Paraíba, onde contraiu
matrimônio em 13 de fevereiro de 1872 com
sua prima Abigail de Souza Martins. Em 1874
foi para Fortaleza, no Ceará, sendo nomeado
secretário da Presidência da Província,
cargo que desempenhou com indiscutível critério.
Sendo reclamado os seus serviços em Cascavel
e Aquiraz, aceitou o lugar de Juiz Municipal,
desempenhando também com redobrado esforço
as funções de Comissário nas terríveis secas
de 1877 e 1879. Reconduzido como Juiz Municipal,
permutou pelo de Procurador Fiscal da Tesouraria
da Fazenda, voltando então a Fortaleza.
Ardoroso
adepto abolicionista, tomou Almino Afonso
parte saliente nas memoráveis campanhas
do Ceará e de Mossoró, em 1883, representando,
na ocasião, 14 entidades abolicionistas
e falou por quatro províncias – Ceará, Pernambuco,
Pará e Rio Grande do Norte, sendo de sua
autoria a lavratura da ata da Sociedade
Libertadora Mossoroense traçada naquele
dia.
Havia chegado
a Mossoró no dia 22 de setembro, viajando
até Areia Branca no navio “Pirapama”, da
Companhia de Navegação Pernambucana, que
fazia viagens costeiras nos Portos do Recife,
Cabedelo, Natal, Macau, Mossoró, Aracati
e Fortaleza. De temperamento irrequieto,
não parava momento algum, andando pelas
ruas, casas de negócios, escritórios, indo
e vindo do estabelecimento comercial de
Romualdo Galvão para o hotel, para a maçonaria
e outros locais de concentração dos abolicionistas,
onde passou a freqüentar, tornando-se logo
conhecido de todos.
Almino
Afonso foi uma das presenças de maior projeção
no movimento que se desencadeava contra
a escravatura, que tendo feito a abolição
no Ceará, deslocara-se para a província
do Rio Grande do Norte para continuar a
mesma luta. Homem de grande saber, portador
de uma erudição que causava assombro a quantos
o ouviam, incomparável na fulguração de
suas imagens, capaz de citar poemas completos,
páginas e capítulos inteiros de livros famosos,
cujo teor guardava decorado, todos de autores
célebres da Língua Portuguesa.
Durante
toda sua vida, que nunca foi tranqüila,
foi Almino Afonso um idealista, homem de
combate, dedicado à causa da abolição. Sua
palavra foi elemento decisivo na campanha
abolicionista do Ceará. Vindo para Mossoró,
assentou suas baterias de combate, sendo
aí considerável a sua atividade de tribuno
e de organizador de planos de trabalho que
culminaram com a extinção total do elemento
servil no município.
Com o advento
da proclamação da República, o nome de Almino
Álvares Afonso surgiu nas combinações políticas.
As últimas eleições monárquicas, em que
ele fora um dos candidatos, aliás apresentado
pela corrente conservadora do Estado, haviam
posto em evidência as idéias e o desinteresse
do ilustre norte-rio-grandense. Pedro Velho
o incluiu entre os representantes da primeira
Constituinte Republicana. Foi o candidato
mais votado. Na Câmara Federal era considerado
“o advogado dos fracos”.
Aos 59
anos de idade adoeceu no Rio de Janeiro.
A sua maneira inquieta de ser, as suas lutas
e conduta boêmia, o derrubaram. A conselho
dos médicos, regressou ao Ceará onde veio
a falecer, na casa de familiares, em Fortaleza.
Dioclécio
D. Duarte, em conferência realizada na Federação
das Academias de Letras, no Rio de Janeiro,
em 19 de maio de 1949, descreve seus últimos
momentos: “Dos seus lábios, tranqüilamente,
saem belíssimas orações em latim. Os olhos
se fecham aos poucos com saudades da terra
que ele tanto estremeceu. Pára, suavemente,
o coração, que tanto sofreu pelos outros.”
(Para conhecer
mais sobre a história de Mossoró visite
o site: www.mossoro.cjb.net)
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