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Ailton Siqueira - (Coordenador) - e-mail: ailtonsiqueira@uol.com.br
CARMEM VASCONCELOS:
SAUDADES,
BUSCAS E PAIXÕES
Rejane Freitas de Miranda
Carmem
Vasconcelos é uma das grandes revelações, em termos de poesia, no
Rio Grande do Norte. Ela nasceu em Angicos em 1965, é formada em
Direito e Serviço Social. Sua obra é destinada a todos aqueles que
se consideram amantes da poesia.
Na obra Chuva Ácida, Carmem Vasconcelos se demonstra mais pensativa e analítica sobre a poesia. Há um grande fluxo de imagens constituídas a partir da palavra, essas imagens falam, recordam, sobrevivem.
A poesia se vê refletida numa imagem, e o reflexo pode ser real ou distorcida. Nesses termos cabe uma análise do título Chuva Ácida, o que corrói, quanto mais se pinga lembranças mais se corrói o ser humano.
O saudosismo, presença forte na obra, marca saudades da infância, saudades daquele namoro, daquela manhã. Esse sentimento está presente principalmente numa parte da obra denominada de raiz da palavra. A raiz do ser humano, Carmem cava em busca de suas raízes, seja para admirá-las ou para arrancá-las.
O campo, em alguns momentos, é sertão, revela o natural, faz lembrar acontecimentos remotos e isso não se restringe apenas aos poemas, o indivíduo ao ler tenta cavar também a procura de suas raízes e assim esses momentos sãos recordados.
O ser humano vive de momentos e é essa inconstância que movimenta a vida, a felicidade é pura e simplesmente sensação, é estar e não ser. É desse modo que podemos observar o ser humano através da poesia de Chuva Ácida.
A busca pela intimidade do homem, o desejo, angústia, melancolia, paixão, frustração... nos provoca reflexão e o desejo de buscar, essa busca pelos sentimentos mais profundos, não é mera distração, desequilibra o ser humano, as máscaras caem.
Aprender a não esperar por si próprio é também uma das grandes lições da poesia de Carmem. Através dos relatos da poesia-imagem consegue-se resgatar esse desejo. A incerteza do esperar é o desencontro, a perda, o sofrer...Por que esperar? O momento certo é agora. A paixão desenfreada, amor proibido, infidelidade, luxúria e até mesmo o sexo são obstáculos para a vida e ficamos sentados esperando o momento...
Um outro destaque da poesia de Chuva Ácida são as cantigas de abril. Essas cantigas compõem uma grande melodia de amor à vida. A poeticidade dessas cantigas é surpreendente, a cantiga dos encontros e desencontros com o amor. E é o amor que é o ar que respira a poesia.
Dentre essa sordidez do mundo, a incerteza e a revolta do homem é que encontro essa pesquisadora da vida descrevendo o que há de mais belo, a delicadeza, sensatez, refletir e elegância de viver.
SOBRE A AUTORA:
É graduada em Letras pela UFRN. Professora da rede pública de ensino médio em Natal-RN.
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Mossoró-RN, domingo, 13 de abril de 2003