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Gastrite tem cura, mas tratamento deve começar cedo

Os consultórios médicos – públicos ou privados – estão se enchendo cada vez mais de pessoas com problemas estomacais. Um deles é justamente a gastrite. Não há definição única para "gastrite".

O gastroenterologista José William Rebouças aponta que são elevados os casos de gastrite e que o maior causador da doença atualmente é a bactéria, seguido dos hábitos alimentares. "Existem muitas pessoas com gastrite nervosa, mas também há registro de outros tipos da doença", informa.

O termo é usado por endoscopistas, que baseiam seus diagnósticos no que visualizam durante um exame; já os patologistas o definem à base de apresentação histológica, isto é, o que enxergam no microscópio; os radiologistas, por alterações grosseiras da silhueta da mucosa  - o que vêem no RX.

Por outro lado, os clínicos, que não usam nenhum método objetivo, admitem a presença de gastrite quando existem evidências clínicas sugestivas (alcoolismo, uso de medicações que causam irritação gástrica, ou dor intensa), dispepsia ou sinais de sangramento digestivo.

Na definição exata, gastrite significa inflamação da mucosa gástrica e, em primeira instância, a gastrite deve ser descrita de acordo com critérios histológicos.

Por tal critério, ela pode ou não estar presente quando o diagnóstico for sugerido por meios clínicos, radiológicos ou mesmo endoscópicos.

Traduzindo: a confirmação final de gastrite só pode ser feita através do exame microscópico.  O que acontece muitas vezes é que durante um exame endoscópico os sinais são tão exuberantes que o exame histológico (biópsia) é dispensado para um segundo exame de controle do tratamento.

Atualmente a biópsia gástrica é realizada rotineiramente na grande maioria dos serviços de endoscopia para pesquisar a presença do Helicobacter pylori. Uma bactéria descoberta em 1987 e hoje responsabilizada pelas gastrite e úlceras.

Histologicamente, a gastrite é inicialmente dividida em erosiva e não-erosiva. Dentro de cada tipo de inflamação, se existir, pode ser aguda ou crônica  (a diferenciação é feita através da visualização no microscópio da presença de células específicas que identificam a presença de inflamação aguda ou crônica).

De acordo com o gastroenterologista José William Rebouças, a gastrite crônica é muito mais comum, mas as duas podem coexistir. "A gastrite não-erosiva inespecífica crônica pode ser superficial ou profunda (transmucosa), com ou sem atrofia glandular ou metaplasia", revela.

A gastrite decorrente da idade conhecida com atrófica é tão comum que alguns a consideram um fenômeno do envelhecimento. Seu aparecimento em jovens merece atenção especial. A gastrite erosiva é melhor diagnosticada endoscopicamente.

A classificação endoscópica das gastrites é pouco mais complexa e existe para tentar uma aproximação maior com a classificação histológica.

SINTOMAS - A gastrite caracteriza-se por uma inflamação da mucosa gástrica, geralmente manifestada por náuseas, vômito, hemorragia, dor, mal-estar.

As crises ocorrem muito freqüentemente após ingestão de alimentos específicos para os quais o indivíduo já tem sensibilidade aumentada, comer muito rapidamente, comer após emoções fortes, ou quando o indivíduo se encontra muito cansado. Excesso de álcool, tabaco ou alimentos muito condimentados podem ser fatores desencadeantes de crises de gastrite.

DIAGNÓSTICO - Na gastrite aguda, baseando-se na história clínica, sendo em geral desnecessário exames. Na suspeita de complicações como a hemorragia, a endoscopia digestiva alta é o exame indicado. A endoscopia é um exame que permite enxergar diretamente a mucosa, mostrando alterações sugestivas de algum tipo de gastrite.

Entretanto, 40% dos casos de gastrite crônica nada mostram. Por isso, considera-se que o diagnóstico das gastrites crônicas é, fundamentalmente, histológico, ou seja, pelo exame microscópico de fragmentos da mucosa colhidos por pinça de biópsia que passa através do próprio endoscópio.

TRATAMENTO - O tratamento está relacionado ao agente causador. Nos casos de gastrite aguda associada ao uso de medicações antiinflamatórias, sua suspensão e/ou substituição, associada ao uso de medicamentos que neutralizem, que inibam ou bloqueiem a secreção ácida do estômago, é o tratamento básico.

A endoscopia é mais utilizada nos casos de gastrite aguda acompanhada de sangramento, além de poder fazer o diagnóstico, pode interromper a hemorragia aplicando variados tratamentos locais.

Não há consenso sobre a vantagem de tratar a bactéria Helicobacter pylori quando há gastrite sem úlcera, pois não tem sido observada uma melhora significativa dos sintomas digestivos.

PREVENÇÃO - Evitar o uso de medicações irritativas como os antiinflamatórios e a aspirina; evitar o abuso de bebidas alcoólicas e do fumo. Existem controvérsias quanto ao hábito da ingestão de café e chá preto influir nas gastrites, por isso o seu consumo deverá depender da tolerância individual.

A melhoria das condições sanitárias, do tratamento da água de consumo doméstico, da higiene pessoal (lavar as mãos antes de tocar alimentos), dos cuidados no preparo e na conservação dos alimentos, faz decrescer significativamente as vítimas das toxinfecções alimentares (gastroenterites).

Gastrite aguda

Gastrites agudas permitem uma abordagem mais simplificada por serem de aparecimento súbito, evolução rápida e facilmente associadas a um agente causador. Medicamentos, infecções e estresse físico ou psíquico podem levar a uma gastrite aguda.

Ácido acetil-salicílico (aspirina, AAS), antiinflamatórios não-esteróides, corticóides, bebidas alcoólicas e a ingestão acidental ou suicida de certas substâncias corrosivas são exemplos de agentes agressores.

Alimentos contaminados por germes, como bactérias, vírus, ou por suas toxinas são causa freqüente de inflamação aguda do estômago, como parte de uma infecção, genericamente conhecida como gastroenterite aguda.

Situação bastante conhecida é a hemorragia digestiva superior aguda, com vômitos e evacuações com sangue. A hemorragia digestiva pode ocorrer como complicação de situações graves como o estresse pela longa permanência dos doentes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em períodos pós-operatórios, em pacientes com queimaduras em extensas áreas do corpo, em politraumatizados ou em pacientes com infecção generalizada (chamada de septicemia).

Gastrite crônica

Em relação à gastrite crônica, também, existe muita confusão, principalmente no que se refere aos sintomas e à relação com os agentes causadores. Sabe-se que a bactéria Helicobacter pylori pode determinar uma gastrite crônica.

Na gastrite crônica atrófica, situação em que diminuem muito as células da mucosa do estômago, existe considerável redução na produção do ácido gástrico, que é importante para a "esterilização" do que ingerimos e para a digestão dos alimentos.

Por vezes, a bile que o fígado descarrega na porção inicial do intestino delgado (chamado de duodeno), reflui para o estômago, causando inflamação crônica. Estes fatores, atuando isoladamente ou em conjunto, podem determinar gastrite crônica.

A maioria dos casos crônicos não apresenta sintomas. Já na gastrite aguda, quando existem queixas, são muito variadas: dor em queimação no abdômen, azia, perda do apetite, náuseas e vômitos, sangramento digestivo, nos casos complicados, demonstrado pela evacuação de fezes pretas (melena) e/ou vômitos com sangue (hematêmese).

Por deficiência de absorção de Vitamina B12 e ácido fólico, pode ocorrer anemia manifestada por: fraqueza, ardência da língua (glossite), irritação dos cantos dos lábios (comissurite), diarréia, mais raramente, alterações neurológicas envolvendo memória, orientação e coerência, quadro clínico relacionado à gastrite atrófica.

Alimentos proibidos

- Alimentos gordurosos e frituras em geral

- Frutas ácidas (laranja, abacaxi, limão, morango, damasco, pêssego, cereja, kiwi)

- Temperos (vinagre, pimenta, molho inglês, massa de tomate, molhos industrializados, katchup, mostarda, caldos concentrados, molho tártaro), picles

- Doces concentrados (goiabada, marmelada, doce de leite, cocada, pé-de-moleque, geleia, compotas)

- Frutas secas e cristalizadas

- Frutas oleaginosas (nozes, avelã, coco, amêndoa, castanha de caju e do pará, amendoim, pistache)

- Feijão e outras leguminosas

- Pepino, tomate, couve, couve-flor, brócolis, repolho, pimentão, nabo, rabanete

- Café, chá preto, mate e chocolate

- Lingüiça, salsicha, patês, mortadela, presunto, bacon, carne de porco, carnes gordas, alimentos enlatados e em conserva

- Bebidas alcoólicas e gasosas

Alimentos permitidos:

- Leite, queijo fresco, ricota

- Chá de camomila, erva-doce, erva-cidreira, melissa, espinheira santa

- Sopas magras

- Carnes magras desfiadas, picadas, moídas, ensopadas, cozidas, assadas, grelhadas

- Ovos cozidos, ponches, quentes

- Verduras e legumes bem cozidos

- Frutas (exceto às mencionadas acima)

- Pães brancos, bolachas Maria, maizena e água e sal

- Arroz, macarrão simples

- Batata, mandioca, mandioquinha cozidos

Recomendação importante:

- Não ficar por mais de 3 horas sem se alimentar