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NOVA-VELHA
POLÍTICA ECONÔMICA!!
Ao contrário
da área social — onde o presidente Lula,
através dos nomes escolhidos e primeiras
ações, sinaliza para mudanças profundas
— os rumos da política econômica do novo
governo apontam, até agora, claramente na
mesma direção tomada pelo governo FHC.
Direção,
aliás, tão dura e corretamente criticada
pelo então candidato e por todos os expoentes
do PT, durante os oito últimos anos e até
três meses antes das eleições, quando o
partido mudou radical e estrategicamente
o discurso. Questionável, porém fundamental
do ponto de vista tático-eleitoral, a “Carta
ao Povo Brasileiro” objetivou e venceu as
desconfianças do mercado e dos investidores
estrangeiros, que faziam o dólar disparar
e abriram brechas, infelizmente, para a
volta do processo inflacionário em curso.
Fundamental
na época de campanha, o que não se esperava
era que, ao assumir a Presidência, Lula
mantivesse além dos compromissos da Carta,
a política econômica no mesmo barco. Nem
temporariamente. Nem tampouco fosse convidar
para o leme alguns homens tão afinados ou
participantes do governo antecessor. Senão
vejamos: a maior surpresa, mesmo que tenha
e venha agradando os mercados foi a indicação
de Henrique Meirelles, do PSDB, para a presidência
do Banco Central. Homem do partido de FHC,
ex-presidente mundial do Banco de Boston,
Meirelles nunca rezou na cartilha do PT
e ganhou um prestígio inesperado nestes
primeiros dias de poder petista. Tanto é
assim que cresce no governo e entre parlamentares
do partido a idéia de dar autonomia ao BC
e tornar fixo o mandato do presidente e
dos diretores. Em outras palavras, independentes
para tomar decisões e com total estabilidade
no cargo. Nem o ministro da Fazenda, nem
o presidente da República poderiam demitir
Meirelles nem sua diretoria. Fórmula aplicada
com sucesso nos Estados Unidos, no poderoso
FED, o banco central de lá. Uma temeridade
em terras tupiniquins (mas isso merece um
artigo específico para aprofundar o assunto).
Meirelles
não se fez de rogado, usou do superprestígio
a ele atribuído pelo novo governo, do dia
para a noite, e além de manter toda diretoria
de Armínio Fraga, deixou bem claro em seu
discurso de posse que não vai abandonar
a atual política monetária. Elogiou a gestão
do antecessor e fez questão de revelar que
a equivocada política de juros altos — tão
combatida pelo PT enquanto oposição e promessa
da campanha de Lula que seria revertida
— vai continuar e “será a necessária para
o controle da inflação”... De onde, não
acalentem sonhos de que o Copom vá baixar
significativamente a Taxa Selic na reunião
deste mês.
O comandante
do “barco”, o ministro da Fazenda, Antônio
Palocci, apesar de petista “de carteirinha”
é o que mais tem suavizado não só o discurso,
mas as ações concretas, a começar pelos
nomes indicados para a equipe econômica.
No discurso de posse, elogiou a atuação
do antecessor, Pedro Malan, recebeu afagos
e evitou atacar FHC. Na última segunda-feira
durante o programa Roda Viva da TV Cultura,
mostrou que está se especializando em dar
entrevistas sem responder concretamente
o que não lhe interessa, ao estilo Maluf.
Só que de forma muito mais simpática. Tem,
é óbvio, agradado ao mercado. A ponto de
estar sendo chamado, no meio, de “Mallocci”...
E Pallocci
nomeou ainda mais dois nomes de peso da
equipe econômica de FHC para postos-chaves.
Joaquim Levy, que era chefe da assessoria
econômica do Ministério do Planejamento,
foi convidado para secretário do Tesouro
Nacional. Para a Receita Federal, o governo
Lula convocou não o insaciável Everardo
Maciel, mas o braço-direito dele, o secretário
adjunto, Jorge Rachid, que, certamente,
vai continuar a “obra arrecadadora do mestre”...
Ótima semana
para todos — vamos torcer para que essa
nova-velha política econômica seja apenas
temporária — quinta-feira (16/1) eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
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