Saída para a saúde é a autonomia dos hospitais,
afirma a governadora

Após visitar as dependências do Santa Catarina, conversando com diretores, funcionários e pacientes, a governadora anunciou a pretensão de ampliar a área da maternidadeNATAL - Déficit orçamentário, superlotação de leitos, equipamentos quebrados e sem manutenção. Esta é a realidade do Hospital Dr. José Pedro Bezerra, localizado no conjunto Santa Catarina, Zona Norte, visitado na manhã de ontem pela governadora Wilma de Faria. Ao constatar as condições precárias de funcionamento do hospital, ela disse que só há um remédio para combater a burocracia e os males provocados pela centralização de recursos: a autonomia administrativa para as unidades da rede estadual de saúde, medida que considera o grande desafio da sua gestão nesta área, com a regionalização e hierarquização dos serviços de saúde.

Após visitar as dependências daquela unidade, conversando com diretores, funcionários e pacientes, a governadora anunciou a pretensão de ampliar a área da maternidade, que hoje só possui 52 leitos, responsável por dois terços dos atendimentos procedidos no Hospital de Santa Catarina. Para os servidores, em especial, também uma boa notícia: a partir de agora, a gratificação referente à produtividade virá no contracheque dos salários, o que representa, entre outras vantagens, a garantia de receber tudo em dia.

Acompanhada do secretário de Saúde, Ivis Bezerra, a governadora Wilma de Faria observou que boa parte dos pacientes atendidos no Hospital de Santa Catarina é originária do interior do Estado. “Se fizermos com que os hospitais regionais funcionem, diminuirá a demanda nas unidades da capital”, avaliou.

No caso daquele hospital, uma média de 800 pacientes são atendidos diariamente, sendo a maior demanda para a clínica médica e obstetrícia.

Segunda maior unidade da rede estadual em atendimento de urgência, o Hospital Santa Catarina possui 184 leitos, mas apenas 75% destes estão cadastrados junto ao SUS (Sistema Único de Saúde). Apesar de ter um faturamento médio mensal de R$ 310 mil, ou R$ 217 mil líquidos, apenas R$ 150 mil são repassados para seu custeio. “Queremos que retorne para este hospital tudo o que ele produzir, para que possa ser revertido em melhorias para os pacientes e funcionários”, frisou a governadora, ressaltando que os “recursos são suficientes, mas mal geridos”.

Apesar de ter sido reformado no ano passado, quando ganhou melhorias em suas estruturas elétricas e hidráulicas, além de pintura nova, o Hospital de Santa Catarina possui deficiências que comprometem a qualidade do atendimento: o aparelho de Raio X está quebrado há seis meses e falta material para a realização de exames no laboratório, cuja aparelhagem, de acordo com os funcionários, está bastante ultrapassada.

Segundo o secretário Ivis Bezerra, todos os hospitais da rede estadual recebem um teto abaixo da produtividade e, ainda assim, os recursos correspondentes a este teto não são repassados integralmente. “Vamos mudar este quadro, garantindo o repasse integral e complementando o que for possível”, afirmou.

“Além disso, os recursos irão render mais porque serão geridos com austeridade”, completou. Disse ainda que, com autonomia administrativa, as direções dos hospitais terão condições de arcar com os custos da manutenção dos equipamentos, evitando prejuízos no atendimento aos usuários.

Governadora empossa nova diretoria do Hospital de Santa Catarina

Ainda na manhã de ontem a governadora Wilma de Faria e o secretário Ivis Bezerra participaram da solenidade de posse da nova diretoria do Hospital de Santa Catarina. Dr. João Moreira Pinto assumiu a diretoria geral, no lugar da dra. Maria Isaura Paes. As diretorias médica e técnica ficaram, respectivamente, com Giselda Teixeira e Damião Nobre.

Sensível aos problemas e apelos dos servidores, a governadora Wilma de Faria determinou ao novo diretor do hospital que mantivesse as funcionárias da limpeza, mesmo que haja mudanças no contrato da empresa contratada para realizar este serviço. As humildes funcionárias não contiveram a alegria.

No final do ano passado, ainda durante a campanha, a governadora Wilma de Faria visitou o Hospital Walfredo Gurgel e o Pronto Socorro Clóvis Sarinho, quando constatou in loco os seus problemas. Depois dos contatos que manteve no Hospital de Santa Catarina, disse que ainda vai visitar todas as outras unidades de saúde do Estado.

 

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Mossoró-RN, terça-feira, 14 de janeiro de 2003