Comunidade

População sofre com limitado número
de ultrasons pelo SUS

IZAÍRA THALITA
Da Redação

Aflita e com as recomendações de urgência por parte médica, a servidora estadual Francisca Dauvanir Rodrigues recorreu à imprensa na manhã de ontem para denunciar o descaso que não só ela, mas toda a população vem encontrando de obter a autorização para a realização de exames de ultrasonografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a partir da prefeitura municipal.

Depois de levar a  filha, Roberta Rodrigues, 16 anos, ao atendimento na Unidade de Saúde do Abolição IV, com fortes dores abdominais e ainda sem diagnóstico, a médica dra. Gilvanda recomendou a realização urgente de ultrasonografia no Centro Clínico do Bom Jardim, unidade de referência para a autorização destes exames pelo SUS.

Francisca Dauvanir conta que entrou em contato por telefone e a informaram que poderia ir a unidade marcar, pela manhã ou tarde. Ao chegar no Centro Clínico teve a notícia que há dois dias os exames para ultrasonografias  não vinham sendo marcados e que não estavam disponíveis até a semana seguinte. Diante disto, ela buscou a diretoria, mas não obteve autorização para falar com a diretora e explicar-lhe a situação de emergência de sua filha.

“Depois de insistir, resolvi procurar o jornal porque isso é uma falta de respeito. O caso da minha filha é de urgência. E mesmo se não fosse, não estão concedendo o exame. As pessoas ficam lá, esperando e ninguém aparece para dar nem uma explicação”, conta Francisca Dauvanir.

Francisca conta que nem mesmo a assistente social do Centro Clínico se mostrou receptível ao apelo das pessoas que buscavam por informações no local.

“Ela passava pra lá e pra cá, não ficava na sala nem para ajudar, quando mais de dez pessoas estavam esperando uma providência”, reclamou Francisca que chorava ao imaginar que a filha não teria acesso ao exame de forma rápida.

ATENDENDO - A denunciante aceitou acompanhar a equipe de reportagem para obter esclarecimentos com a diretoria do Centro Clínico do Bom Jardim. A diretora, Amélia Queiroz, confirma que há dois dias a autorização para exames de ultrasonografia através do Centro de Ultrasons (funciona no Instituto de Mama), devido a quantidade de vagas - 40 exames por dia - estar superlotado, muitos já estão agendados para até o dia 30 de março. No entanto, ela diz que os casos de urgência estão tendo prioridade e são reservadas algumas vagas para casos específicos como o de dona Francisca Dauvanir e sua filha.

“Infelizmente já estourou a cota diária e o Centro Clínico está marcando já para 31 de março. Então, resolvemos suspender por alguns dias até que a quantidade possa ser reduzida. Temos algumas vagas para urgências, mas limitamos as informações porque todo mundo que chega diz que o caso é de urgência e muitas vezes não é. No caso dela, percebemos que é realmente de urgência e podemos sim, encaminhar para que ela faça o exame”, explicou Amélia Queiroz enquanto autorizava o exame a dona Francisca Dauvanir.

A diretora do Centro Clínico esclarece que isto ocorre devido ao grande número de pacientes de outras cidades circunvizinhas a Mossoró que diariamente chegam em busca dos exames, não são atendidos nos seus municípios de origem.  Ela afirma ainda que ainda estão sendo realizados ultrasons em gestantes pela Mater Dei outra prestadora, todos os dias sem restrições e no próprio Centro Clínico, de transvaginal. Mas os exames para o Centro de Ultrasons, que compreende outros problemas, só voltarão a ser agendados na próxima quinta-feira, daqui a sete dias.

Diretora diz que cota é insuficiente para atender a população

A diretoria administrativa do Centro de Ultrasons, credenciado pelo Sistema Único de Saúde para realizar os exames do Município de Mossoró, se posicionou em relação ao estouro de cotas de atendimento diário.

Segundo a diretora administrativa Joelna de Oliveira Rafael, no caso do Centro, são permitidas 40 ultrasonografias por dia, determinado pelo Ministério da Saúde (MS), através do SUS.

“Estas 40 ultrasonografias são insuficientes para atender a população de Mossoró. Até porque não atendemos somente Mossoró, mas 40% das ultrasonografias que realizamos são das cidades circunvizinhas, principalmente Grossos, Areia Branca, Patu e etc. Então, isso acumula as ultrasonografias para a população de Mossoró, que deixa de ser atendida porque 40% está sendo utilizada para pacientes de outros municípios”, explica Joelna Oliveira, ressaltando que os exames são realizados pelo seu esposo, o médico Denal Rafael.

A diretora explica que somente o Ministério da Saúde pode alterar a quantidade do teto financeiro para a cidade e depois contradizendo o que afirmou antes ‘quando afirmou que a população deixa de ser atendida porque 40% está sendo utilizada para pacientes de outros municípios, a diretora afirma que os atendimentos são feitos, mesmo ao extrapolar a cota.

“Nós já conversamos com o pessoal para ver o que pode ser feito, para aumentar o teto financeiro ou seja, a quantidade de ultrasonografias que é insuficiente. Quem negocia isto é o Ministério da Saúde.

O órgão só encaminha a verba ao SUS de acordo com a população da cidade. Mas isso não depende de nós. Depende de uma resposta do Ministério da Saúde. Já falamos nas reuniões e é o MS quem define, quem manda a verba à prefeitura que faz ao pagamento a prestadora como nós. Mas independente disto, todos os dias os casos de urgência que chegam são atendidos. As urgências não se contam, não estão incluídas nesta quantidade de 40 exames, prestamos o serviço imediatamente, nunca deixamos de atender, mesmo estando superlotados”, completa Joelna Oliveira.

Trabalhadores contratados para obras de saneamento local têm pagamento atrasado

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil na cidade de Mossoró denunciam novamente o atraso no pagamento dos salários dos trabalhadores em relação as empresas encarregadas das obras de saneamento básico no município.

Segundo o presidente do sindicato, Raimundo Milton, cerca de 180 trabalhadores que estão nestas obras somaram 45 dias de atraso ontem, sem receber salários das empresa contratante ‘O.S’ - que possui outras subempreiteiras trabalhando: a Aceta Construções, TCE Construções, Construtora Potiguar.

Ao presidente do sindicato, as empresas contratadas teriam alegado que aguardam o repasse das verbas da O.S, que por sua vez alega que as verbas são federais e ainda não foram repassadas.

“A O.S  alega que o dinheiro das obras não vem sendo repassado pelo governo federal e com isso os maiores prejudicados são os trabalhadores que, sem muitas opções de trabalho, já chegam há dois meses sem receber os salários”, denuncia Milton.

O representante sindical afirma que as responsáveis pelos trabalhadores são as construtoras e, portanto, o atraso está sendo cobrado destas. Ele afirma que foi feito o compromisso de tentar viabilizar os pagamentos até o fim desta semana. Mas ele afirma que se até o início da semana as empresas não viabilizarem o pagamento, os trabalhadores deverão paralisar as obras.

“Em algumas contratadas os trabalhadores já pararam o serviço. É o caso dos que foram trabalhar pela Potiguar. E a O.S, por outro lado, não viabiliza o pagamento dos trabalhadores com recursos próprios, que a empresa poderia fazer isso e não faz”, explica Milton.

As obras de saneamento da construtora ‘O.S’ vêm sendo realizadas nos bairros Alto da Conceição, Nova Betânia e Boa Vista, enquanto que as da construtora ‘ECON’, são nos bairros Bom Jardim, Santo Antônio, conjuntos Abolição e Barrocas.


 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003