|
Nossa
relação com os idosos
Observa-se
em Mossoró que, senão em dificuldades, há
uma instituição da cidade que é a própria
amostra do nosso abandono, verdadeiro desprezo
pelos idosos. Trata-se do Abrigo Amantino
Câmara. Reconheça-se que aquela entidade
fundada à época do primeiro bispo diocesano,
dom Jaime, já viveu momentos piores e mais
difíceis. Hoje em que pese não viver num
mar de rosas, ainda se ressente de alguma
dificuldade. Mas, pode ser tido como o retrato
mais fiel do abandono que as pessoas relegam
aos mais velhos.
Aqui diariamente
se vê e se ouve reclamações, por exemplo,
de pessoas idosas, quanto ao tratamento
que lhes é dispensado por motoristas de
coletivos que, além de não observarem as
paradas, ainda por cima os ameaçam de atropelamento.
Esse cenário contrasta com muitas regiões
e países do primeiro mundo onde as autoridades
e até os jovens dedicam tratamento especial
aos idosos. Aqueles de idade mais avançada,
aposentados ou com limitações impostas pela
idade ou ainda de saúde abalada, se fazem
presentes nos parques, jardins, teatros,
cinemas e diversos logradouros, tanto públicos
como privados, sempre cercados do mais completo
respeito, carinho e de condições favoráveis
à sua permanência. Como se vê, bem diferente
do que ocorre entre nós.
Aqui, salvo
situações especiais vividas por um Clube
da Melhor Idade “Reviver”, mesmo o próprio
Abrigo Amantino Câmara e esporádicas outras
iniciativas, os idosos são freqüentemente
discriminados e desrespeitados. E convenhamos
que a questão é mais grave à medida em que
o poder aquisitivo das pessoas diminui.
Convenhamos
ainda que nossos idosos não têm o mínimo
de respeito nem o tratamento que merecem
pelo muito que já deram de si para a nossa
realidade de hoje. São vistos, na maioria
dos casos, como verdadeiros entulhos por
determinados motoristas e empresas de coletivos,
em muitas casas de shows e cinemas não recebem
o desconto de 50 por cento nos ingressos,
nos nossos parques e jardins não têm direito
à devida segurança e são as maiores vítimas
de marginais e descuidistas que têm nos
indefesos idosos o seu alvo predileto.
Reconheçamos
que nós temos que dar mais, muito mais,
aos nossos idosos. E não estamos lhes dando
nem o mínimo, como bem o merecem.
|