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POESIA:
a que será que se destina?!
Por
MARCOS FERREIRA
Muito
antes de partirem a pedra e acenderem o
fogo; antes que o papel e a tinta deixassem
a moradia das árvores e das cavernas escuras,
ela já se fizera inquilina dos palácios
e porões de nossas almas. Porque sempre
esteve conosco desde a luz e a treva, indiferente
à nossa opinião e escolha. E todos a louvamos
e a cobiçamos, mesmo que alguns jurem de
pés juntos que a desprezam e a ignoram.
Mas ela está aqui, dentro de nós e à nossa
volta. Habita-nos e nos circunda a um só
tempo. Não nos diz a que veio porque a ela
nos destinamos, embora não raro a soterremos
com a lógica rude de nossas cabeças malsãs.
Ainda assim a vemos reflorir entre os cardos
e as pedras do caminho. Continua e será
exatamente a mesma, por séculos e séculos,
diversa e una. Reina absoluta sobre todas
as escolas e grilhões, sobre todas as formas
e regras, licenças e modernismos, línguas
e silêncios, credos e guerras. Coexiste
entre a lágrima e o riso, entre o êxtase
e a dor. É fardo e fortuna de todos discípulos
e devotos. Alista reis e vassalos para a
empresa de sua eternidade. Nobres e plebeus
compartilham do mesmo pão verbal à sua mesa
farta e indistinta. Não possui fronteiras
nem dimensão. Cabe no útero de uma ostra
e arrebenta rios e represas. É a pomba e
o chacal, a espada e o cordeiro. Uma hora
é festa e multidão, noutro instante é abandono
e vazio. E se acaso à noite ela se revela
sombra e embaraço, ressurge cristalina mal
rompe a manhã. Eis, portanto, a irmã de
Cristo, a filha bastarda que Deus não registrou
nas sagradas escrituras: a Poesia!
Recitais
e exposição de livros marcam o Dia Nacional
da Poesia em Mossoró
Diferentemente
da programação apresentada em outros anos,
a Poema – Poetas e Prosadores de Mossoró,
divulga um Dia Nacional da Poesia bastante
informal e segmentado. Em nossa cidade,
as comemorações e tributos à data mais importante
na agenda literária do País acontecerão
em lugares e horários distintos.
Segundo
a presidenta da entidade, a poetisa Margareth
Freire, vários fatores negativos contribuíram
para uma celebração modesta. Entre eles,
ela cita a falta de patrocínio e o pouco
tempo que teve para organizar uma festa
maior, visto que chegou recentemente de
uma viagem para tratar de assuntos pessoais.
Apesar
dos pesares, a data não passará em brancas
nuvens em Mossoró. Poetas, escritores e
outros personagens do meio cultural da cidade
estarão se revezando numa pequena mas alegre
programação. O dia começa com uma visita
dos poetas às escolas da cidade. No colégio
Mater Christi, por exemplo, das oito às
nove e trina da manhã, um pequeno grupo
fará recital e exposição de livros de autores
locais.
No período
da tarde, os poetas voltam à escola para
estender o trabalho aos alunos do turno
vespertino, onde se encontrarão das quatorze
às quinze horas e trinta. Mais tarde, entre
dezessete e vinte horas, um maior números
de escritores se encontrarão no Teatro Lauro
Monte Filho para um novo recital e lançamento
de cordéis.
ENCERRAMENTO
– Às nove da noite, reunindo todos os poetas,
escritores e convidados, acontece uma confraternização
no espaço cultural Chap-Chap (ainda a ser
aberto oficialmente), de propriedade do
poeta e publicitário Rogério Dias, que estará
apresentando uma mostra de seus mais recentes
trabalhos em artes plásticas.
Paralelamente,
acontece no clube Aceu a cantoria dos renomados
violeiros Nonato Costa e Raimundo Nonato
(Os Nonatos), que representam a maior expressão
da nova safra de cantadores nordestinos.
A cantoria dos Nonatos é uma promoção do
Clube da Poesia, que tem à sua frente o
também repentista e professor universitário
Aldaci de França.
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