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Bel Kutner

A face oculta

Bel Kutner nunca foi de entrar em uma novela achando que a personagem fosse seguir exatamente o destino traçado na sinopse. Mesmo assim, a interesseira Mérilin, de “Começar de Novo”, ultrapassou todas as suas expectativas. De atriz do romântico seriado “Eu Amo Rita”, acabou se revelando uma autêntica “caça-dotes”, armando para cima do não menos golpista Ademar, papel de Carlos Vereza. “Isso é ótimo. Agora, quase no final da história, parece que fiz várias novelas em uma só”, destaca a atriz, que evita polemizar sobre as baixas audiências da trama e a saída de Eduardo Galvão, seu mais constante parceiro em cena. “Acho uma pena porque nos divertíamos muito. Só que as coisas se precipitaram e a novela foi para outro lado”, minimiza.

É justamente nas novidades que Bel encontra suas maiores satisfações com o trabalho. Como a possibilidade de contracenar com Vereza e as bem-humoradas “cenas de alcova” de Mérilin e Ademar. “Eles têm uma coisa ‘caliente’ na cama, é uma animação louca. Eu nem sonhava com isso e estou adorando”, derrama-se a atriz, grávida de quatro meses de seu primeiro filho. Animada, Bel acredita que não vá ter dificuldades para conciliar trabalho e maternidade. Inspirada no exemplo dos pais, os atores Paulo José e Dina Sfat, ela garante que vai levar “a cria” para todo lado. “Já dormi em muita coxia de teatro, ilha de edição e kombis nas quais meus pais viajavam para gravar novelas fora do Rio. Isso não me assusta”, garante, sorridente.

P - Como você reagiu às mudanças que envolveram seu núcleo na trama de “Começar de Novo”?

R - Para mim, como atriz, quanto mais mudanças houver, melhor. Não fica aquela historinha de um personagem que se apresenta, passa por uma crise, depois resolve e aí acabou. É uma novela das sete, ágil, cheia de humor, a personagem cruzou com um monte de gente pelo caminho, fez amizades, inimizades, implicou com a Júlia, depois ficou amiga dela, se matou de ciúmes da Carmem... Ela passou por muita coisa. A saída do Eduardo eu acho uma pena, porque nos divertíamos muito. Mas as coisas se adiantaram, a história foi para outro lado. E ele cumpriu a função dele. Talvez fosse pior ficar na novela totalmente sem função.

P - Você já fez diversas novelas do Antônio Calmon. O que é mais atraente no estilo dele?

R - Se não fosse o Calmon, nem sei o que seria de mim na tevê. Fiz com ele a maioria dos meus trabalhos e sempre gostei muito. As personagens são todas cheias de ação, de loucura, de vida. Não são passivas. Fiz personagens doidas, modernas, vulgares. As “possuídas” são sempre as mais divertidas.

P - Em “Olho no Olho” você também interpretava uma atriz. Acha interessante a possibilidade de mostrar o universo de sua profissão?

R - É muito legal. E eu tive sorte de serem duas situações bem diferentes. Em “Olho no Olho” era uma atriz de teatro, alternativa, radical. E não tinha uma coisa metalingüística, porque a profissão era só uma base para a história dela. Ela ia parar numa pensão cheia de jovens, era muito divertido. Acho interessante mostrar que nossa profissão pode ser trabalhada em vários níveis. Pode ser entretenimento, levando leveza e alegria às pessoas, pode informar, ter funções políticas, de formação de caráter. E tem uma função mais íntima, de mexer com a própria alma do ator.

P - Como você vê a influência dos seus pais no seu trabalho?

R - É uma influência definitiva. Não consigo nem me imaginar se não fosse filha deles. Cresci neste meio e acompanhei muito o trabalho dos dois. Da minha mãe acompanhei o que pude, porque tinha 18 anos quando ela morreu. Do meu pai acompanho tudo. Já fiz assistência de direção com ele em cena, em “A Controvérsia”, foi maravilhoso. Contracenei com ele em uma peça também, “1789”, e na novela “Olho no Olho”. Tínhamos o projeto de uma peça juntos para este ano, mas, com a gravidez...

P - Você teme as dificuldades de conciliar o trabalho com a maternidade?

R - Isso não me assusta. Meus pais sempre me levaram para todos os lugares. Já dormi em muita coxia, camarim, ilha de edição, viajei em Kombi para gravações da Globo... Para mim, levar meu filho vai ser o de menos. Principalmente enquanto for pequeno, quando ainda não tem uma rotina escolar. E hoje é tudo mais fácil. Minha mãe fez menos turnês do que gostaria porque precisava passar às vezes dois meses viajando pelo Nordeste. Hoje, a gente vai na sexta-feira e na segunda pela manhã já está de volta.

 

 

 

 

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