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O funeral
A penumbra do ambiente, o silêncio e a tristeza estampados nos olhos dos presentes anunciavam alguma espécie de funeral.
Não vi nenhum defunto, mas de longe avistei uma imagem de nossa Senhora Aparecida em cima da geladeira, como que abençoando aquele que partia.
Um violão tristonho tocava alguma canção que eu desconhecia, mas não vi também quem conduzia o recital.
Poetas tristes balbuciavam versos incompreendidos e lamentavam a partida daquele que tanta falta iria lhes fazer, mas que eu não conseguia enxergar.
Aos poucos chegavam e saíam, olhavam as paredes vazias, alguns choravam e deixavam o ambiente, desolados e envolto em lágrimas.
Um pintor, parecendo atordoado, adentrou o espaço silencioso e bradou qualquer coisa que ninguém entendeu. Com um balde de tinta nas mãos, jogou-o na parede, deixando escorrer toda a tinta na parede – todos olharam como se entendessem, mas sem entender.
Não suportei mais a agonia de estar ali e não saber quem deixara de forma tão comovente aquele universo de tanta boemia.
Perguntei a um moço que recitava poesias sob um banco de madeira:
– Por quem choram os poetas, os músicos, por quem choram todos eles?
– Por ninguém – respondeu o moço – apenas lamentam.
– Lamentam o quê? – Perguntei, insistente.
– É que o bar fechou e nunca mais abrirá.
Não suportei a notícia e caí aos prantos no pé do balcão.
...et cetera e coisa e tal...
O filme “Um Chão de Esperança”, d´O Pessoal do Tarará, está pronto. Com roteiro e direção de Dionízio do Apodi, o filme conta com o elenco d´O Pessoal do Tarará, Lalauzinho de Lalau, Escravo da Arte, Antônio Francisco, Fred Veras e muito mais.
Graças ao patrocínio da Petrobras, O Pessoal do Tarará poderá levar o filme à periferia mossoroense em telões, para que toda a população conheça este trabalho. O lançamento está marcado para o dia 15 próximo, às 19h30, na Praça da Catedral.
Não critico os bares que cobram couvert artístico quando têm músicos fazendo a parte alegre de seus ambientes, só me pergunto se os valores cobrados são realmente repassados para os artistas da noite. A AMAM bem poderia verificar isto.
Tem continuidade a exposição da Coleção Mossoroense no Espaço Cultural Chap-Chap. Rogério Dias, D. Célia e Cia., incansáveis batalhadores também desta cultura ingrata, tentam levar no peito e na raça este espaço nosso de cada dia.
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Mossoró-RN, de 2003