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Mossoró
em 1915
Em 1915
o Nordeste brasileiro foi assolado por uma
terrível seca - a famigerada seca de quinze.
E Mossoró, em pleno sertão nordestino, mas
com uma boa estrutura comercial, assistia
a procissão humilhante dos flagelados que
haviam chegados à cidade em busca de salvação.
Em registros do livro de tombo da paróquia
de Santa Luzia, eram cerca de doze mil retirantes,
famintos e andrajosos que de porta em porta
invocavam a caridade popular. A população
local era de dezesseis mil habitantes, o
que significa dizer que nesse período o
número de habitantes quase que dobrou. Apesar
da grande massa de flagelados, a misericórdia
divina e a ajuda do povo foi tão propícia
que ninguém morreu de fome. Não houve peste,
correu a seca sem nenhum morbus contagioso.
Francisco
Vicente Cunha da Mota, industrial salineiro
e um dos chefes de importante organização
comercial daquela época, havia assumido
o comando da municipalidade para o triênio
1914/1916. Não obstante as dificuldades
que teve de vencer, ocasionadas pela seca,
a sua administração ficou marcada por uma
série de acontecimentos e realizações notáveis,
todas de incentivo ao desenvolvimento de
Mossoró e da própria região.
Cunha da
Mota era um ardoroso entusiasta do automobilismo,
sendo, nesse setor, um verdadeiro pioneiro.
Conseguiu fazer a primeira grande viagem
de automóvel de penetração interiorana,
quando até então as estradas só permitiam
o trânsito de comboios e carros de boi.
Partindo de Mossoró, chegou a Sousa, na
Paraíba, três dias depois, percorrendo trezentos
quilômetros de trechos sem estradas. Ao
regressar, concedeu entrevista ao jornal
da terra, narrando com entusiasmo o bom
êxito da pioneira jornada.
Foi em
1915 que se iniciou a construção da capela
de São Vicente de Paula, na rua Alberto
Maranhão, centro de Mossoró, com os retirantes
fabricando tijolos para a construção, praticamente
trocando o seu serviço por comida. O sacrifício
foi tanto que inspirou o padre Manuel de
Almeida Barreto, que foi professor, escritor
e por duas vezes diretor do Colégio Diocesano
Santa Luzia, a escrever em 1° de dezembro
de 1946: "Mossoroenses, quando passardes
diante da Igreja de São Vicente de Paula,
prestai o vosso culto, não só ao orago do
templo, como aos seus construtores, quase
todos desaparecidos, já, porém, ainda mais
- Rendei ao vosso preito àqueles humildes
grandes, que fabricaram, de graça, o material
para o citado templo."
Foi também
em 1915 que Jerônimo Rosado iniciou a exploração
das jazidas de gesso no sítio "Tapuio"
em São Sebastião, atual Dix-sept Rosado.
Foi ainda
em 1915, a 7 de fevereiro, num domingo,
por volta das 17 horas, que chegou o primeiro
comboio da Estrada de Ferro de Mossoró,
vindo de Porto Franco, sendo festivamente
recebido pela população. A 19 de março do
mesmo ano era feita a inauguração oficial
do trecho, que foi entregue ao serviço público,
com banquetes oficiais e discurso. O jornal
"O Comércio de Mossoró", em sua
edição de 13 de fevereiro de 1915, registrara:
"Toda a população correu à estação:
eram homens, mulheres e meninos, de todas
as classes e de todas as idades. O trem
entrou grave e solene, devagar para não
atropelar o povo que se apinhava em filas
ao longo da estação, saudando-o, vibrando."
Esses fragmentos
de história que aqui retratamos, é apenas
para que as novas gerações possam conhecer
um pouco do nosso passado e assim valorizar
mais as coisas de nossa terra. Já dizia
o Cônego Sales: "Quem não sabe amar
o passado, dificilmente terá amor às tradições
de sua terra e de sua gente."
(Para
conhecer mais sobre a história de Mossoró
visite o site: www.mossoro.cjb.net)
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