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KALIANNE PEREIRA Da Redação
A maternidade é uma condição totalmente
especial para as mulheres. Uma descoberta do amor incondicional
pelo seu filho. Há mães que ficam com o coração partido
por se separar do seu bebê seja por ocasião do trabalho
ou decisão judicial; outras que engravidaram ainda adolescentes
ou após os 40 anos; há aquelas que lutaram durante anos
por uma gravidez; e por fim, têm umas sem definição,
que simplesmente não sabem a força de três letras, pois
são capazes de jogar um recém-nascido dentro de uma
lagoa ou até mesmo alugar a barriga.
Embora exista uma infinidade de formas
para lembrar esta data tão especial, sabe-se que hoje
o dia é inteiramente dedicado a todas que carregaram
ou carregam um ser dentro do ventre e até mesmo para
quem não teve essa experiência, como o caso de pais
que exercem a dupla função (maternidade e paternidade)
- esses têm motivos para comemorar duas vezes ao ano
- ou até mesmo quem adotou, de livre e espontânea vontade,
a responsabilidade de cuidar, sustentar, e formar o
caráter de um filho não-biológico.
Em razão dessas opções, buscamos três
personagens distintas e ao mesmo tempo bastante semelhantes
para representar todas as mães neste dia.
Exatamente hoje faz nove meses que
foi publicado neste jornal uma matéria sobre a ansiedade
do casal de contadores Alana Cristina e Dyjardan Carvalho
em 'engravidarem'. A reportagem foi publicada no Dia
dos Pais do ano passado. Há oito anos eles estavam em
tratamento. Ter pelo menos um filho sempre foi uma meta
prioritária na vida deles. Acreditar em uma força superior
foi muito importante para dar-lhes ânimo e obstinação
para que esse sonho se tornasse real. Através de um
teste de farmácia Alana descobriu que está grávida.
Já são dois meses de gestação. São muitas as mudanças:
enjôos freqüentes, ansiedade para saber o sexo do bebê,
opções de nomes, etc. Suas roupas, antes justas, hoje
requerem mais elasticidade.
Quando soube da notícia da gravidez
a reação do casal foi de total admiração. Sem acreditar,
na mesma hora Alana fez exame de sangue e ficou esperando
o resultado, que novamente deu positivo.
"Quando recebi a notícia a ficha
custou a cair, porque pra mim precisava de algo mais
para ter a certeza. Depois, liguei para minha mãe, pai,
sogra e o resto da família, amigos, pra dar a notícia
e foi tanta gente nos ligando... Todos felizes! Todo
mundo sabia o quanto queríamos este bebê, e vimos o
quanto as pessoas ficaram solidárias, o quanto torceram
por nós. Hoje, estamos mais maduros e preocupados com
o bem-estar do bebê. Estou me cuidando, fazendo direitinho
o pré-natal, exames, me alimentando bem, e com isso
já aumentei seis quilos, quero que ele nasça bem
forte", justifica.
Tudo isso é considerado gratificante
para a contadora e cheio de ansiedades. "A expectativa
é total, pois ainda não tive o bebê, mas me sinto completamente
mãe! E ser mãe para mim já era um desejo antigo e Deus
foi tão fiel conosco quando atendeu aos nossos anseios",
disse. Ela explica que foram muitas as dificuldades,
anos de tentativas, de tratamentos, exames, cirurgia,
muitos gastos. "Às vezes me sentia fraca e desanimava,
porque todos os meses era aquela expectativa e nunca
vinha. Só que eu não entendia que não era aquele o momento,
e que o momento foi este. Para mim a superação de tudo
isso foi acreditar que um dia eu seria mãe e alimentava
isso dentro de mim. Até que um dia veio. Já Dyjardan
sempre acreditou que o dia estava muito próximo e procurava
sempre passar isso pra mim", lembra.
A primeira ultrassonografia ocorreu
no último dia 10 e Alana descreve como foi o momento:
"Foi muito emocionante. Estávamos muito ansiosos,
porque queríamos vê-lo. E foi demais, ver aquele bebê
se mexendo dentro de mim, já todo formadinho, foi maravilhoso.
Estou com dois meses e em junho irei fazer uma nova
ultra para saber também o sexo para já ir providenciando
o enxoval. Quero que tudo fique bem a carinha dele ou
dela".
Quanto ao nome a futura mamãe
deu as sugestões. Segundo ela, há muitos anos eles tinham
em mente o nome do menino, que será Leonardo. "Sempre
achei esse nome lindo e forte. E se for menina, chamar-se-á
Fernanda, nome que Dyjardan escolheu, também por achar
bonito e de personalidade", comenta.
Além de um feliz Dia das Mães, Alana
teve um excelente presente de aniversário em sua data
natalícia transcorrida na última terça-feira (9/5).
"Em tão pouco tempo, vimos nossas vidas mudarem
por completo, o que vestir, comer, para onde ir, o que
ler, tudo é diferente e novo. Aprendi que devemos ter
fé, acima de tudo, e acreditar que o queremos não é
impossível. Foi isso o que aconteceu conosco",
destaca.
Da fase “menina mimada” a mãe
Para Suelen Freire, auxiliar de escritório,
a maternidade veio aos 19 anos, antes do casamento.
Foi durante o seu namoro com o atual marido, Thales
Patreze. "Com 11 meses de namoro engravidei e casamos.
Foi muita emoção esse meio tempo entre o dia que soubemos
da gravidez e o dia do casamento. A notícia da gravidez
foi chocante, mas comemorada por nós dois em seguida.
Nunca ele me deixou fraquejar ou achar que aquilo não
estava certo, pelo contrário, sempre estava feliz demais",
enfatiza.
Mesmo com a pouca idade para assumir
a responsabilidade de ser mãe, Suelen hoje analisa a
situação com sensatez. "Fui mãe e casei-me aos
19 anos. É uma responsabilidade enorme sair da fase
menina mimada para ser mãe. Foi tudo muito rápido, mas
graças a Deus é muito gratificante. Sou muito apaixonada
pela minha filha (Julie) e estou adorando tudo isso",
conta.
O jovem casal está junto há um ano,
enfrentando a correria do dia-a-dia, contas, casa, família,
filha e trabalho, mas mostrando que estão aprendendo
a lição: "Com muito amor e garra vamos vencendo
as batalhas da vida. Quando soube que estava grávida
tomei um susto, mas desde aquele momento já me apeguei
àquele novo ser que estava crescendo em mim e cada dia
mais eu amo a minha filha. Ser mãe é uma tarefa muito
especial, seja em qual idade for, pois a mulher amadurece
pra poder cuidar, amar e orientar, incondicionalmente,
seus filhos. Ser mãe é abrir mão de si pra fazer o melhor
para os filhos", relata.
Suelen ressalta que Julie nasceu aos
oito meses, mas com muita saúde. Mesmo com toda a satisfação
de uma típica família feliz, os afazeres diários possibilitam
um certo desgaste que precisam de medidas enérgicas
para serem superados. "A nossa rotina não é fácil,
afinal de contas somos jovens (eu tenho 20 anos e Thales,
21) e estávamos de certa forma despreparados pra tamanha
responsabilidade. Mas como tudo na vida é uma lição,
com muita batalha e Deus do nosso lado estamos conseguindo
dar conta do recado. Trabalho com meu pai no escritório
de contabilidade dele, vou iniciar minha faculdade de
Ciências Contábeis agora no segundo semestre e meu esposo
trabalha com vendas. Minha sogra cuida da minha pequena
para que possamos trabalhar, já que minha mãe mora nos
Estados Unidos. Enfim, estamos muito felizes com tudo
isso apesar do peso enorme de toda essa responsabilidade",
adverte.
Parir aos quarenta e três anos:
um desafio superado
"Acho que toda mulher, independente
da idade, deveria sentir a felicidade do que é ser mãe.
Ser mãe é amar, cuidar, se dar. Meus filhos não me pertencem,
somente vieram de mim, eles foram feitos pra vida e
pro mundo". Essa definição bem madura é da empresária
Mércia Freire. Ela teve o último filho após os 40 anos.
Mércia foi mãe pela primeira vez aos
22 anos, engravidou logo no primeiro ano de casamento
e depois não conseguiu mais engravidar. Apesar de não
tomar contraceptivo, quando sua primeira filha estava
com cerca de cinco anos, a empresária começou a pensar
na possibilidade de engravidar novamente, porém não
conseguia, inclusive foi buscar ajuda médica.
"Para minha surpresa nada havia
de errado comigo ou com o meu marido. Fiz diversos tratamentos
até que aos 35 anos coloquei na cabeça que se até aquela
época eu não havia conseguido era porque "não tinha
de ser", minha filha seria filha única. Para minha
surpresa naquele mesmo ano engravidei e perdi com 2
meses de gravidez, quase fiquei louca", disse.
No ano seguinte, Mércia engravidou
novamente e dessa vez a gravidez foi até o final. A
sua segunda filha nasceu exatamente no mesmo dia em
que há 2 anos ela havia perdido o seu bebê. Foi uma
gravidez e um parto difícil, ela teve eclampsia pós-parto,
mas essa talvez tenha sido a filha mais esperada, mais
desejada, e mesmo assim, apesar do parto e da idade
avançada não quis fazer uma laqueadura de trompas.
Aos 40 anos outra vez ela engravidou
e novamente perdeu com três meses de gestacão. Quando
Mércia já estava com 43 ficou grávida de novo e percebeu
de imediato que seria um menino, apesar do medo que
muitas pessoas faziam ela resolveu arriscar.
"Colocaram na minha cabeça
que ele poderia nascer com alguma deficiência. Fiz todos
os exames necessários e esperei tranqüila, pois lá no
fundo sentia que deficiente ou não aquele seria o meu
filho. Ele chegou cheio de saúde e graça, uma semana
depois eu completaria 44 anos. A minha gravidez na maturidade
foi a mais tranqüila de todas, apesar de saber dos riscos
que eu e meu filho poderíamos estar correndo, esse foi
o meu melhor parto. A idade nos dá a sabedoria, nos
traz a tranqüilidade e a paz que precisamos para saber
esperar", destaca.
Para finalizar, a empresária deixa
o seguinte comentário: "Fui mãe jovem. Fui mãe
na idade em que toda mulher deveria ser mãe, numa fase
em que sua vida já está estruturada e você sabe o que
quer. Fui mãe na maturidade, onde já deveria ser avó,
quando minha filha mais velha tinha a idade em que eu
a tive. Hoje tenho uma filha aos 26 anos, já feita na
vida, outra entrando na adolescência aos 12 anos e o
meu filho amado aos cinco".
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