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Você conhece o ‘flanelinha’ que cuida do seu carro?

 

Você conhece bem o "flanelinha" que está guardando o seu carro enquanto você trabalha, vai ao banco ou está fazendo compras? Com certeza a grande maioria vai responder que não. O jornal O Mossoroense levantou junto a gerente de Desenvolvimento Social, Fátima Moreira, um perfil detalhado acerca da situação de cada um daqueles que estão nas ruas de Mossoró prestando serviço à sociedade.

Segundo ela, Mossoró tem hoje devidamente cadastrados 160 "flanelinhas", distribuídos em 19 pontos de serviços espalhados pela cidade. O perfil desses trabalhadores é o mais variado possível. São pais de família, alguns com 40 anos ou mais que se misturam aos adolescentes, notadamente em pontos de grande movimento comercial e bancário.

Na grande maioria, o objetivo é o mesmo; sustentar a família ou contribuir para reforçar o orçamento familiar. "Sem estudo, o camarada é obrigado a se virar, e lavar e pastorar carros foi a saída que eu encontrei", disse Ricardo José dos Santos Oliveira, 45, há dez anos na profissão.

Dos 160 "flanelinhas", 126 têm filhos, mas apenas 50 com registro em cartório. Muitos deles vivem em situação civil irregular, e apenas 30 são casados, 50 são solteiros e 80 vivem amasiados.

A faixa de idade dos "flanelinhas" é bastante diversificada. A metade tem entre 20 e 30 anos; 40 estão na faixa etária variando entre 30 e 40 anos e 20 têm 40 anos ou mais. Apenas 20 "flanelinhas" estão na faixa de idade entre 18 e 20 anos.

A situação de moradia dessas pessoas também é diversificada. A maioria (60) mora em casa própria; 45 residem em casas alugadas e 55 em aposentos cedidos por terceiros.

No que se refere ao tempo de trabalho, os dados mostram que 70 deles estão nas ruas pelos menos há cinco anos. Outros 40 estão na batalha há 10 anos e 38 já convivem com a informalidade entre dez e 20 anos e apenas 12 já estão nas ruas há 20 anos.

Mais da metade (150) trabalha de segunda a sexta-feira pela manhã e à tarde e apenas 50 trabalham no sábado, também em dois expedientes. Manoel Pereira dos Santos, 47, é um dos que trabalham no final de semana e justifica: "Tem semana que o apurado é pouco e não dá pra fazer muita coisa. Então, eu tenho que voltar no sábado e no domingo, porque tem pouca concorrência, e aí dá para faturar até mesmo mais que a semana toda", disse.

O programa "Amigo Cidadão" coordenado pela Gerência do Desenvolvimento Social faz um acompanhamento do dia-a-dia desses trabalhadores informais cadastrados, oferecendo capacitação e treinamentos sobre relações humanas, o que normalmente é feito por assistentes sociais nos 19 postos de trabalho.

Mas segundo a gerente Fátima Moreira, isso não é o suficiente e antes que a Lei seja regulamentada é importante que os parceiros cheguem com a sua colaboração. "Nós precisamos delimitar na cidade de Mossoró as áreas de estacionamento, quem vai ser responsável pela fiscalização e outros detalhes", explicou.

A legislação transforma o trabalho dos lavadores de carro numa profissão autônoma, e a partir da regulamentação, os "flanelinhas" passarão a ter direito sociais, como por exemplo, a aposentadoria. Para que isso aconteça, todos eles deverão recolher a contribuição previdenciária junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a exemplo dos trabalhadores de outras categorias.

Um Projeto de Lei à Câmara Municipal regulamentando a profissão de "flanelinha" em Mossoró está para ser criado nos próximos dias. A audiência pública realizada na última terça-feira (9) foi mais um passo na tentativa de solucionar um problema que já se arrasta há alguns anos.

No dia 20 dezembro de 2005, por ocasião das comemorações natalinas, a prefeita Fafá Rosado comunicou aos "flanelinhas" que enviaria um Projeto de Lei à Câmara Municipal, regulamentando a profissão de logo na abertura dos trabalhos de 2006, do Poder Legislativo. Foram estas as suas palavras: "Vocês são trabalhadores que merecem o respeito da sociedade", declarou a prefeita, diante de um grupo de 150 flanelinhas do Programa "Amigo Cidadão", realizado pela prefeitura de Mossoró, através da Gerência do Desenvolvimento Social.

Alfabetizados

85

N/Alfabetizados

75

Casados

30

Solteiros

50

Amasiados

80

De 18 a 20 anos de idade

20

De 20 a 30 anos de idade

80

De 30 a 40 anos de idade

40

Mais de 40 anos de idade

20

Moram em casa própria

60

Moram em casa alugada

45

Moram em casas cedidas

55

Na rua há cinco anos

70

Na rua há dez anos

40

Na rua de dez a 20 anos

38

Na rua há mais de 20 anos

12

Têm filhos

126

Filhos registrados em Cartório

50

Estudam

50

Não estudam

110

 

 

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