Mossoró-RN, domingo 14 maio de 2006

TROCA
Fátima Feitosa
Pedagoga (Mossoró/RN)

Sabendo do que aconteceria
Preferido não ter acontecido
Beijo dado, trocado...
Sentimento incontido.

Loucura, doce loucura
Desejo, vontade, querer
Nas voltas do mundo
Tudo possa novamente acontecer

Será acaso do destino
Será doce ilusão
Será vida não vivida
Que agora está em ebulição.

Como saber então...
Só com um outro acontecer
Até quando essa espera
Atormentando o viver

Viver almejando ser
Um intenso reviver
Mas para se realizar
Necessita de um outro ser

Será um ser feliz
Ou um ser atormentado
Desejoso de momentos
Que talvez foram roubados.

O OLHO DE LORD BYRON
Cid Augusto
jornalista
Samara Couto
advogada
(Mossoró/RN)

O sertão bruto
não pede licença ao mar,
chega em carne viva
lambendo as coxas virgens
da areia branca
que o vento
zeloso
tenta esconder
na arquitetura
das tardes agitadas.

O sertão rude,
de jurema preta
e xiquexique,
penetra o mar
que se lança
do olho esquerdo
do Lord Byron
e goza poemas azuis
no rosto rosado
das dunas.

O TRÂNSITO DA MINHA CIDADE
Lucianne Pedrosa Costa
Aluna do 5º ano da Escola Estadual Disneylândia, 9 anos

No trânsito da minha cidade
Tem carros, motos e bicicletas.
Os motoristas correm tanto -
Pensam que são atletas.

A bebida é o principal motivo
Para eles correrem assim,
Se não tiverem cuidado
Suas vidas chegam ao fim.

E agora para terminar
Eu só quero dizer
Se chega a qualquer lugar
Sem precisar correr.

ANDORINHA
Andorinha lá fora está dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...

GRILO MORTO
Jotta Paiva
Radialista (Apodi/RN)
jottapaiva@hotmail.com

De manhã cedo quando o sol saiu
Os verdureiros já gritavam na rua seu refrão
De lá do alpendre o menino olhava sorrateiro
O passar firme das jovens beatas
Passo à passo nos batentes do patamar 

Aqui - acolá, um zoar de carruagens.
Pneus rasgando o chão
E a poeira seca e fina fez o mercador de burundangas
Cheio de coisas imprestáveis. Mixórdia
Pestanejar seqüencialmente
No recanto da parede
O cão sonolento
Espera um latido
E as formigas rodeiam o grilo morto
O cheiro do café desperta os sonhadores
E os bêbados jogados nas calçadas sujas
E na janela do sótão
A rapariga sonolenta
Prepara-se para sonhar dormindo.

MÃE
Ângela Gurgel    
Graduada em Ciências Sociais e graduanda em Filosofia pela Uern

Joanas, Antonias, Josefas, Aparecidas,
Mulheres que se dedicaram um dia
A seguir o exemplo de Maria,
e conseguem, mesmo quando são esquecidas.

Mãe é mais que mulher, companheira,
Amiga ou confidente,
Mesmo leiga sabe tudo da gente
E não precisa falar para dizer o que sente.

Mãe é um pouco de tudo,
Afaga quando precisa, mas também
Sabe a hora de castigar,
E faz isso como ninguém!

Não conheço o manual das mães,
Mas deve existir um em algum lugar
Pois todas são parecidas,
No agir, no pensar, no amar...

As mães têm algo de sagrado
Uma sabedoria que não vem da escola
Uma sensatez que não depende da idade;
Mãe parece sinônimo de maturidade.

Mãe é o pedaço do céu que Deus nos deu
É a maior obra que a natureza criou
É virtude, carinho, paciência e amor
É o pedaço bom de cada um de nós.  

Não importa seu nome, seu rosto, ou idade
Sua cor, ideologia ou religião
Toda mãe é paz, coragem e serenidade,
Menina, homem ou mulher, mãe é nossa salvação.

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