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Bruno Barreto Da Redação
O entrevistado deste domingo é o deputado
estadual José Dias (PMDB). Ele fala sobre o futuro do
PMDB nas eleições deste ano, sobre o novo sucessor de
Garibaldi e a possibilidade de uma aliança antes inimaginável
com o PFL do antes arqui-rival senador José Agripino.
Ele também fala sobre a inviabilidade política de uma
CPI do ‘Foliaduto’ e defendeu com veemência a candidatura
de Geraldo Melo ao Senado.
O Mossoroense - Como o senhor tem
avaliado o seu mandato na atual legislatura?
José Dias - Olha, eu acho que quem
deve avaliar o nosso mandato é o eleitor. Eu apenas
tenho procurado cumprir dentro das minhas possibilidades
a missão que eu recebi. Fui à praça pública com a mensagem
que renovo e repito porque eu vou pedir o voto ao povo
do Rio Grande do Norte com uma mensagem de coerência.
Nunca mudei nem de oposição para governo. Tenho uma
linha de coerência, procuro no desempenho do meu mandato,
dentro daquilo do que é possível, estudar todas as matérias
que são apresentadas. Quando sou solicitado dou sugestões,
debato, discuto e tenho uma presença em plenário que
graças a Deus e à TV da Assembléia tem sido vista pelo
público. Hoje é muito mais fácil a população fazer uma
avaliação dos deputados porque faz ao vivo com o deputado
no plenário. Nós ainda temos uma certa dificuldade para
mostrar o trabalho das comissões, mas o plenário hoje
tem o privilégio de ser coberto por uma televisão que
ainda não vai à maioria das casas porque é uma televisão
fechada ainda. Com a perspectiva de uma televisão aberta,
nós ampliaremos bastante a capacidade do eleitor de
fiscalizar o desempenho de um mandato que é do eleitor.
Nós não podemos deixar a consciência de que nós somos
procuradores e temos que honrar o mandato daquele que
nos outorgou a procuração. Em matéria de averiguação,
de julgamento de mandato, eu hoje tenho a satisfação
de dizer que o povo está tendo a oportunidade de fazer.
Não cabe ao deputado nem fazer uma autocrítica, nem
uma auto-avaliação e nem sequer essa autopropaganda
que não convence a ninguém. A oportunidade é dada ao
povo de julgar e espero que julgue corretamente.
OM - Muito tem se falado que Geraldo
Melo não teria o apoio de Garibaldi na sua tentativa
de retornar ao Senado. Qual o seu posicionamento diante
disso?
JD - Olha, a pergunta como é feita
implica num risco para mim de as pessoas entenderem
que estou dando a resposta em nome de Garibaldi, o que
não é verdade. Não tenho autorização de Garibaldi para
falar por ele, agora o que eu digo é que nós do PMDB
temos uma tradição de honrar a palavra empenhada, uma
tradição de correção e lealdade. Geraldo é um nome que
foi indiscutivelmente colocado logo após as eleições
de 2002, na qual ele não se reelegeu como o nosso candidato
a senador em 2006 e claro que política tem dinâmica
e momento e acima de tudo tem realismo, não se pode
impor candidato porque candidato imposto é apenas candidato.
Eu acho que Geraldo tem todas as condições de ser o
nosso candidato e de ser eleito. No jogo das preferências
ele é o meu preferido, defendo o nome dele não porque
se tenha levantado ou cogitado que ele seria o candidato
desde 2002. Faço isso porque o considero um bom candidato
que tem condições de se eleger e acho que o Rio Grande
do Norte ganharia com o nome dele no Senado.
OM - O senhor como uma das lideranças
do PMDB tem acompanhado as negociações com o PFL. Em
que pé elas estão atualmente?
JD - Essa é outra pergunta que é extremamente
difícil e ao mesmo tempo fácil de responder. Fácil se
eu trouxer a resposta para o campo de minha observação
pessoal, falo isso para que as pessoas entendam que
não falo em nome de partido nem de grupo. O que acontece
é o seguinte, é que se nós considerarmos as lideranças
dos dois partidos os partidos são a oposição real no
Rio Grande do Norte, uma posição que une as duas legendas.
É claro que quando você vai tratar de um pleito se fala
na composição de chapa, na hora de compor uma chapa,
mesmo dentro de um partido você tem interesses a respeitar,
choques a administrar, aspirações a contemplar, enfim
o que é essencial na política que é conversar para encontrar
a melhor forma de convivência. Nesse caso você tem dois
estágios: o atual é que no momento é patente que os
dois partidos estão na oposição, o PMDB totalmente,
eu não posso falar pelo PFL nem dizer que o PFL está
totalmente na oposição, mas os seus líderes estão. A
composição da chapa é a outra etapa que passa pela possível,
e eu torço que ocorra, indicação de José Agripino para
vice-presidente da República, passa ainda pela candidatura
própria ou não do PMDB à Presidência da República, fatos
que estão fora do RN que podem determinar o rumo a seguir.
Depois disso temos que ver como iremos compor essa chapa
que dependerá da capacidade das lideranças e dos políticos
de se despirem de interesses pessoais e vaidades para
trabalhar em benefício do povo.
OM - O senhor é a favor de uma
candidatura própria do PMDB à Presidência da República?
JD - Não, não e não. Porque não temos
nenhum nome hoje que possa despontar como favorito,
ou melhor, como candidato que possa ganhar as eleições.
Um partido político tem que ter um projeto nacional
efetivo para lançar candidato a presidente, se não tem
pelo sistema político nós temos que valorizar as bases
partidárias, no caso as intermediárias que são os Estados
porque as bases municipais não participam dessas eleições.
Eu acho muito melhor fazer um número maior de
governadores, senadores, deputados estaduais e federais
do que colocar candidato à Presidência da República
que não vai se eleger.
OM - No caso do ‘Foliaduto’, o
senhor acha necessária a instalação de uma CPI?
JD - Justo seria. É difícil a sua
viabilidade. Justo seria mesmo tendo a consciência de
que o Ministério Público está fazendo um excelente trabalho
e vai apontar os responsáveis, mas só daria certo se
tivéssemos condições políticas porque você há de convir
que o governo tem uma maioria de dois terços feita sabe
se lá como, mas tem. Aí não temos condições políticas
para uma CPI porque eu acho que ela seria contraproducente.
OM - Uma CPI em ano eleitoral não
se tornaria um palanque?
JD - CPI, infelizmente, sempre foi
palanque independente de ser ano eleitoral ou não. Tenho
uma posição desde que assumi o meu primeiro mandato,
há quase 20 anos, de que a CPI é um dos maiores instrumentos
de controle que temos do Executivo, de influência na
vida nacional, visto que ela não serve apenas para apontar
desvios do Poder Executivo, mas para apontar soluções,
essa é a sua função mais nobre até porque CPI não pune
ninguém. Tem que apontar os fatos e levantar os nomes
a serem indiciados. A CPI também tem um papel político
que precisa ser muito bem avaliado, temos que reconhecer
que a CPI que levou a cassação de Collor foi um momento
importante de nossa democracia.
OM - Para encerrar esta entrevista,
não poderíamos deixar de lhe perguntar sobre o futuro
político do grupo da família Alves após a morte de Aluízio.
Quem assumirá a função de líder a partir de agora?
JD - Hoje o líder, vamos dizer assim,
do PMDB é o senador Garibaldi Alves Filho. Ele é o líder
indiscutível, é o nosso candidato a governador. Eu acho
que Aluízio gostaria e esse até é um sonho verdadeiro
dele que essa liderança não fosse identificada como
a de um líder de família, isso Aluízio foi internamente.
O que Garibaldi é hoje é líder de uma facção política
forte, essa liderança familiar tinha porque havia ascendência
dele perante os outros e isso não se discute, o que
se discute é liderança política e essa cabe a Garibaldi.
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