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O ex-gerente do restaurante do hotel
Meliá, em Brasília, Marcelo Antônio de França, afirmou,
em depoimento à Polícia Federal, que o deputado Nilton
Capixaba (PTB-RO) e o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ)
se reuniam com freqüência de duas a três vezes por semana
com o empresário Darci José Vedoin, dono da Planam,
preso pela "Operação Sanguessuga".
Outros três parlamentares conversariam
com Vedoin com a mesma freqüência, mas o ex-gerente
não quis divulgar os nomes à imprensa. "O expediente
do Darci no hotel era o mesmo que o da Câmara, terça,
quarta e quinta. Na quinta, ele ia embora e dizia: 'Tchau
para os pobres porque o rico está indo para a fazenda
curtir o final de semana'."
De acordo com França, o sócio da Planam
seria proprietário de vários apartamentos no hotel e
teria uma mesa cativa no restaurante onde ele e seu
filho distribuíam recursos a assessores de parlamentares
para facilitar a liberação de emendas ao Orçamento para
compra irregular de ambulâncias.
O ex-gerente afirmou que o movimento
de pessoas no hotel para se encontrarem com Vedoin era
constante e que ele seria uma pessoa "autoritária,
grosseira e arrogante". Ele afirmou ter flagrado
os encontros em 2003 e 2004, mas que soube por amigos
que trabalhavam no hotel que o esquema continuou em
2005, depois que deixou o local.
Medicamentos - França disse estranhar
o fato da PF não investigar o esquema também na compra
de medicamentos. A operação investiga, até o momento,
a compra irregular de ambulâncias e equipamentos hospitalares.
Vedoin, pelo relato do ex-gerente, falava muito sobre
aquisição e importação de medicamentos.
Na entrada, França disse não precisar
de advogado e que decidiu depor porque seu dinheiro
como contribuinte estava sendo desviado e porque Vedoin
não estava fazendo um bem para a sociedade ao trabalhar
com importações de medicamentos, como ele achava. "Eu
me senti indignado com a pessoa Darci. Eu conversava
muito com ele e ele me parecia uma pessoa honesta."
O ex-gerente compareceu para depor
espontaneamente ao delegado regional Valmir Lemos de
Oliveira.
França disse também que, dependendo
do andamento das investigações, poderia contar mais
coisas sobre o esquema desvendado na semana passada
pela Polícia Federal por meio da "Operação Sanguessuga",
que resultou na prisão de 50 pessoas, entre ex-deputados,
assessores de parlamentares e servidores.
A Mesa Diretora da Câmara decidiu
arquivar os processos contra 36 deputados que constam
da lista da Polícia Federal nas investigações de compra
superfaturada de ambulância. De um total de 62 nomes,
apenas 16 serão investigados pela comissão de sindicância
da Corregedoria. Outros dez deputados aguardarão o aprofundamento
das investigações da PF.
O ex-deputado Carlos Rodrigues está
preso desde o último dia 4, quando se apresentou à PF.
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