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Um
lugar deslumbrante: natureza viva
KALIANNE PEREIRA Da
Redação
De brumas se fez gargantas,
que logo habitam as Acauãs. Rio cheio e seco - de quando
em vez - fez ali surgir, em paredões e águas dormentes,
uma imensa beleza da natureza. Pedra sobre pedra, ocre
dura do primórdio, em nomes e formas de ruma se ver
por lá: pedra do Navio, pedra da Baleia, das Araras,
do Canhão... Até o artista escultor aproveita da fartura
e emoldura no granito sua arte secular.
A sutileza do lugar,
associada aos caprichos do homem, nos permite deslumbramentos
e sonhos. No balanço das manhosas e silenciosas maretas
trafegam sem cessar canoas - manhãs-tarde - cheinhos
(sic) de Tucunarés, arrumados por ali (sic) nos samburás.
Madrugadas solitárias
transbordam de lembranças minha infância pastoril: açudes
de areia, mergulhos de emoções, estórias assombradas,
ao passo que o sol se aponta na ribanceira do lado de
lá. Diante disso, meus olhos investigam ângulos, formas,
luz, cor, vida, algo que eu possa eternizar para os
meus que ainda não foram neste lindo lugar.
A descrição caprichosa,
com toda a riqueza de detalhes desse presente da natureza
que o açude Gargalheiras, em Acari/RN, é do admirador
da paisagem existente no Rio Grande do Norte. Ele é
Hugo de Macedo Vieira, fotógrafo há dez anos e jornalista,
além de potiguar. O seu hobbie é apreciar a curiosa
dualidade do sertão seridoense: parte do ano uma seca
que afugentava gente, bicho e vegetação; e outra quando
chove e deixa tudo verdinho (sic) - vezes que doía nos
olhos.
Suas primeiras observações
em imagens, antes mesmo de a televisão chegar em Parelhas,
foi na sua casa, por uma pequena fresta na janela do
grande corredor onde dormia. Foi ali, balançando em
sua rede, que via imagens em cores, projetada numa parede
oposta, vindo do movimento da rua da cidade.
Os primitivos homens
das cavernas foram os primeiros a presenciarem esse
fenômeno. Foi a partir dessas observações que, em 1515,
o italiano Leonardo da Vinci descreveu cientificamente
a câmera escura. Hugo começou a fotografar quando trabalhava
na área de recursos hídricos (dessalinizadores), viajando
por todos os municípios do Rio Grande do Norte.
A surpresa que teve
com a beleza do povo simples e as paisagens apaixonantes
do sertão e do litoral o levou ao mundo da fotografia.
"Apesar de ter que estudar muito, o fotógrafo tem
que ter uma sensibilidade apurada, pois cada alma é
uma sociedade secreta", filosofa.
Macedo estudou o curso
de Letras (incompleto) e estuda Geografia na Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mas sua paixão
profissional é a fotografia. Montou uma escola em Natal
com um amigo e ensinou fotografia por dois anos, onde
aprofundou seus estudos. "Nessa era digital, o
fotógrafo que não estuda vai ficando para trás",
avisa.
Já realizou quatro
exposições em Parelhas, três em Natal, uma em Acari
e uma numa estação de metrô em Barcelona, Espanha. Os
temas sempre estão relacionados com as coisas do Rio
Grande do Norte (cultura, paisagem, fauna, flora e povo).
Ele está preparando
uma exposição itinerante chamada "Gargalheiras
das Acauãs", onde pretende mostrar por todo o Estado
as belezas do açude Marechal Dutra (Gargalheiras), em
Acari. No próximo dia dezoito será lançando, na livraria
Sicilione, o seu livro "Beco Estreito - Cinqüenta
Enredos Nas Terras do Major Antão" e uma exposição
fotográfica "Inside", onde entre num novo
tema, onde aborda o lado lúdico e imprevisto da fotografia.
Suas fotos já circularam
pelos principais jornais e revistas do Estado e eventos
governamentais. Suas áreas de maior atuação são os documentários,
revistas, jornais, governo e free-lance. Hoje, está
abrindo uma agência de fotografia e ministrando aulas
e oficinas no interior do Estado.
Hugo Macedo lança
livro de causos em Parelhas
No dia 13 de janeiro
deste ano, foi lançado na Casa da Cultura de Parelhas
o livro "Beco Estreito", do jornalista e fotógrafo
Hugo Macedo. O livro contém charges do jornalista e
artista plástico Leonardo Sodré, editor-geral deste
centenário.
O livro relata cinqüenta
causos contados nas ruas, mesas de bar e esquinas de
Parelhas. Trata-se de uma obra que fará parte das comemorações
dos 150 anos de emancipação do município e faz parte
da programação cultural da Casa de Cultura do município.
O autor pretende resgatar
e eternizar as histórias cômicas do folclorista Mané
Bonitim, do poeta Baé, do matuto Boró, do esperto e
manhoso Galego de Emídio, de Mané Diana e tantos outros
parelhenses que circulam na cidade, insultando, instigando,
brincando, enfim, contando o dia-a-dia do município,
de maneira alegre e divertida.
Tais como este: FIADO
OU À VISTA?
Jorge Tenente suava
e espantava as moscas enquanto salgava carne no seu
açougue, quando entrou Miguelzinho, conhecido como o
maior devedor da cidade. O mesmo, de uma conversa escabreada,
disparou:
- Jorge, meu amigo,
me venda dois quilos dessa carne que amanhã, bem cedinho,
eu venho lhe pagar?
- Ora Miguezim, eu
já tô salgando pra não perder! - Rebateu o açougueiro.
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