FUNDADO POR JEREMIAS DA ROCHA EM 1872   -   Mossoró, domingo, 10 de junho de 2001
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Genildo Costa Sob a luz da ribalta

Marcos Ferreira
Da Redação

Após uma longa e persistente busca, finalmente o cantor e compositor Genildo Costa vê levado a cabo o projeto de um sonho acalentado há muito tempo: a gravação do seu primeiro CD, que recebe o título de “Cores e Caminhos”. O trabalho é composto por 14 faixas e foi gravado no estúdio Pro-Mídia, em Natal, e prensado pela Nordeste Digital Line, de São Paulo, com uma primeira tiragem de mil cópias. O disco traz parcerias de Genildo Costa com poetas e compositores de Mossoró e região oeste do Estado. Segundo ele, “este é um projeto que não representa apenas a voz de Genildo Costa, mas também de todos aqueles que acreditaram e contribuíram para a realização desta primeira antologia poético-musical”.

O disco, que tem a sua criação gráfica assinada pelo publicitário Rogério Dias, será lançado primeiramente em Grossos, terra natal do compositor, no dia 15 de junho, a partir das 20 horas, ao preço de R$ 10,00, no Centro Juvenil da Igreja Católica, durante as festividades alusivas ao padroeiro do município. Outros contatos estão sendo realizados para um lançamento que deverá ocorrer no Teatro Alberto Maranhão, em Natal, numa das “janelas” do Projeto Seis & Meia, como também em Mossoró e Fortaleza. “Além desses locais onde pensamos trabalhar primeiro, é do nosso intuito fazer uma divulgação do disco em outros Estados da Região Nordeste e, na medida do possível, até mesmo em outros pontos do País”, acrescenta Genildo.

Nomes como Gonzaga de Areias, Caio César Muniz, Maurílio Santos, Crispiniano Neto, Luiz Campos, Cid Augusto, Rogério Dias, Antônio Francisco, entre outros, tiveram letras e poemas musicados por Genildo. O trabalho contou com as participações dos músicos Mazinho, Eduardo Taufic, Paulo Gomes, Cacá, Monte Neto, Augusto (Trem de Minas) e da cantora Shirlene, integrante do “Grupo Ensaio”, de Natal, que participa do CD fazendo um dueto com Genildo nas músicas “Sete Cores” e “Minha Casa”. O trabalho conta ainda com a participação especial de Jairo Josino, areia-branquense radicado em Natal, que traz como epígrafe para a segunda faixa do disco a interpretação do soneto “Horas Mortas”.

TRAJETÓRIA
Genildo Costa Silva, 41 anos, grossense, formado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), radicado neste município desde 1985, quando chegou à cidade para residir na Casa do Estudante de Mossoró, começou seu trabalho com a música ainda nos festivais da Rádio Rural, na década de 80, chegando a classificar para uma das finais a música “Aspiração da América”. “Era aquele um tempo muito bom, havia aquela coisa acalourada, meio mágica... Tinha toda uma emoção, os jurados, o friozinho na barriga. A gente vinha de Grossos pegando carona nos caminhões que puxavam sal, com as percussões — Eu e meus irmãos Geová Costa e Vavá”, relembra Genildo.

Na mesma época, por intermédio de Jorge Borges, coordenador do “Canta Nordeste” no Estado, Genildo participou do programa da TV Educativa, de Natal, assim como dos festivais da Esam, onde esteve com a música “Tempos Modernos”, inserida posteriormente num disco gravado por Círio e Léo Batista. “Daí vieram outras oportunidades. Comecei a fazer o circuito dos barzinhos de Mossoró, onde se ganha muito pouco mas ajuda a gente a sonhar com outros palcos. Em 94, fiz a ‘janela’ do Projeto Seis & Meia, ocasião do show de Ademilde Fonseca... Em 99, fui ‘janela’ outra vez no show de Adriana Calcanhoto, que veio apresentar-se no Hotel Thermas, abrindo o ‘Mossoró EnCanto’”, acrescenta.

PERSEVERANÇA
Ao longo desses “anos de sonho e de luta”, Genildo Costa bateu em muitas portas à procura de incentivos que pudessem levar à consumação do seu projeto. E muitas foram as respostas desabonadoras. Seu primeiro CD só veio à custa de muito sacrifício e perseverança. A alternativa que restou para dar seqüência ao trabalho foi a venda antecipada do disco. Com o apoio de amigos, Genildo conseguiu vender, antecipadamente, mais de 200 cópias do seu projeto musical. O dinheiro dessa venda foi usado para as despesas com o estúdio de gravação. Após ter gravado a matriz do seu “Cores e Caminhos”, Genildo ainda esperou vários meses até conseguir recursos para a reprodução de sua obra, que é a etapa de prensagem.

“É lamentável, mas é preciso que se faça justiça, é preciso que se diga que a cultura de Mossoró, infelizmente, está vivendo num momento de crise, de completa orfandade. Os músicos, os artistas de um modo geral, vivem num desamparo terrível nunca visto. Agora, eu acho que Mossoró está de luto... Mossoró silenciou, não teve realmente como dar um salto no que diz respeito especificamente a essa questão da música, da arte cantada, como em tantos outros aspectos. O artista de Mossoró padece, sofre... Ele, infelizmente, está vivendo uma situação de completo abandono. Quem procura fazer arte em Mossoró, como é comum neste país, anda de pires na mão”, desabafa Genildo.

Segundo acrescentou, a gravação do CD foi possível, principalmente, graças à participação de amigos e à contribuição da prefeitura de Grossos, que financiou 50% do custo da prensagem do CD. “Muito da conclusão desse trabalho eu devo agradecer ao incentivo e à valiosa ajuda de alguns que seguiram comigo o caminho difícil dessa luta. Agradeço aos que me deram seu voto de confiança comprando antecipadamente o disco e àqueles que fizeram a vendagem, como Jairo Josino, Tércio Pereira, Antônio Cidenir, Caio César Muniz, Rogério Dias, Cid Augusto, Francisco Nolasco, Marco Aurélio, Chico Bento, Josué Damasceno, Fenandes (da escola Visão Moderna), e à Secretaria de Educação/Departamento de Cultura de Grossos, na pessoa de João Dehon da Silva, entre outros, pois, se dependesse das ‘leis de incentivo à cultura’ e de outras instituições públicas, o nosso “Cores e Caminhos” ainda estaria apenas no papel”, finaliza Genildo Costa.

MÚSICAS DO CD “CORES E CAMINHOS”

01 — Anonimato:
Gonzaga de Areias / Genildo Costa
02 — Dores e Amores:
Cid Augusto / Genildo Costa
03 — Minha Casa:
Marcos Ferreira / Genildo Costa
04 — Boi Bumbá:
Genildo Costa
05 — Caminhos Opostos:
Marcos Ferreira / Genildo Costa
06 — Texto Americano:
Rogério Dias / Genildo Costa
07 — Dias de Luta:
Maurílio Santos
08 — Sete Cores:
Marcos Ferreira / Genildo Costa
09 — Álibi:
Gonzaga de Areias / Genildo Costa
10 — Me enganei com minha noiva:
Luiz Campos / Genildo Costa
11 — Sabedoria:
Caio César Muniz / Genildo Costa
12 — Cores e Caminhos:
Marcos Ferreira / Genildo Costa
13 — Meu Brasil de canto a canto Tem suor de nordestino:
Antônio Francisco / Genildo Costa
13 — Baixo Assu:
Crispiniano Neto / Genildo Costa


 

 
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