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Paulo Locatelli

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Entrevista

João Marcelino

A resistência do povo de Mossoró ao bando de Lampião naquele 13 de junho de 1927 é história muito conhecida do povo desta cidade e vem sendo contada já há 4 anos no espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, durante a programação do Mossoró Cidade Junina.

Na entrevista desta semana, o diretor da peça, João Marcelino, fala um pouco sobre o espetáculo e sobre a cultura do teatro em Mossoró.

Com falas objetivas e sucintas, o diretor explica por que o Chuva de Bala ganhou uma adaptação para o palco e convida o público a ver o espetáculo durante o Cidade Junina.

O Chuva de Bala traz algumas novidades, para este ano, na trilha sonora, no elenco e no roteiro. Que novidades são essas de que tanto se ouve falar?

Nós não temos algumas novidades este ano, tudo que está no espetáculo é novo. A única coisa que é igual aos outros anos é a dramaturgia, só isso. O resto, tudo é novo.

Houve alguma alteração no texto?

A dramaturgia é a mesma, o que muda é a encenação. Cenário, figurino, adereços, efeitos, atores, isto tudo é encenação. Isso quer dizer que tudo isso é diferente do ano passado, é uma montagem inédita. O que o público viu ano passado, não vai ver este ano.

Este ano, o espetáculo ganhou uma adaptação para o palco. Qual foi o principal objetivo de se fazer essa adaptação?

Fazer com que os atores tenham emprego pra ganhar dinheiro.

Essa adaptação vai ser levada para outros lugares?

Esse é o desejo da prefeitura.

Mossoró tem uma tradição de grandes espetáculos de rua, como o próprio Chuva de Bala, o Auto da Liberdade e o Oratório de Santa Luzia. Qual a importância deste tipo de teatro para o desenvolvimento da cultura no município?

Eu não sei se isso vai desenvolver cultura, eu não sei especificar exatamente ou responder a contento a sua pergunta, mas eu acho que o que se tem feito aqui, nos últimos dez anos, no que diz respeito a esse tipo de espetáculo, como você citou esses três, cria uma nova cultura, uma identidade pra cidade. As pessoas começam a perpetuar uma idéia de que isso existe em Mossoró. Não é só dentro do circuito municipal, mas dentro da zona estadual, assim como no Nordeste como um todo, vira uma referência, e aquilo que vira referência termina sendo a criação de uma cultura. Eu vejo mais neste aspecto, de que estamos criando uma cultura. É complicado falar agora porque a gente vive o hoje, ninguém sabe o que é que vai acontecer amanhã, isso só a história vai dizer, a exemplo do que a gente tá fazendo aqui. É importante a resistência do povo de Mossoró ao bando de Lampião, não é à toa que até agora essa história é contada e recontada. Então, a história fez jus àquela ação que pra algumas pessoas era uma coisa ruim, que não deveriam enfrentar, que não deveriam comprar armas pra enfrentar o bando, etc, etc.

Então, você acha que o teatro é desvalorizado na cidade?

A julgar o que eu tenho falado até agora, essa pergunta não cabe. Para tudo o que se tem feito dentro destes últimos dez anos, a pergunta não funcionaria dentro deste contexto. Atores estão trabalhando, os pirotécnicos, os figurinistas, as costureiras estão trabalhando. Muita gente tá vivendo e sobrevivendo com este trabalho que foi criado a partir de um projeto da prefeitura municipal. Naturalmente, termina levando a reboque as montagens dos grupos, o Teatro Dix-huit Rosado, que é inaugurado, novos públicos são criados, Mossoró entra mais no circuito do teatro nacional, companhias nacionais passam pela cidade, é isso.

Quais são as expectativas para a temporada do espetáculo Chuva de Bala durante o Mossoró Cidade Junina?

Que as pessoas se emocionem, que elas fiquem contentes com o trabalho que a gente tá fazendo. O objetivo de cada artista com o que tá fazendo é que agrade, que emocione, é que a história seja bem contada. E cada vez que se repete, seja aqui, seja na China, quando se faz um espetáculo, o único desejo é fazer com que aquela pessoa que está vendo o nosso trabalho se sensibilize, se emocione. É como um escritor quando faz um livro, que ele quer que seja lido. Como um artista plástico quando pinta a sua tela, ele espera que o público admire o trabalho. É simplesmente isso, nada mais, nada menos.

Que recado você mandaria agora para o público mossoroense, para chamá-lo a ver o espetáculo?

Que venha, que venha. O fato de estar havendo o espetáculo é uma maneira do povo de Mossoró estar perpetuando sua  história. E essa perpetuação depende da aceitação do público. Se o público vem e gosta, a história se perpetua. É assim que se vende jornal, é assim que se vende pinturas em tela, bijuterias, roupas.  

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