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SUPERMERCADOS
INSISTEM EM
DESRESPEITAR CONSUMIDORES
Com falsos
argumentos - verdadeira cortina-de-fumaça para desviar a atenção
do consumidor - aliados à interposição de recursos jurídicos
que tramitam a passos de tartaruga nos meandros burocráticos do Poder
Judiciário, as grandes redes de supermercados insistem em desrespeitar a
lei; o Código de Defesa e os próprios consumidores, não recolocando
os preços em cada embalagem dos produtos comercializados.
E
quando grifei o termo não recolocando é porque, a exemplo dos
maus políticos, há muitas diretorias de grandes supermercados que
apostam na "memória curta" dos brasileiros. Na verdade, não se
trata de colocar, mas sim de voltar a colocar os preços, porque eles
sempre foram etiquetados nos produtos e não nas gôndolas, como agora.
Antes e depois da implantação dos sistemas informatizados. Antes e
depois do advento do código de barras!
Foi
muito depois do surgimento das tecnologias e da estabilização da moeda
brasileira, que a moda - que não é moda é sim política
cartelizada e bem orquestrada - que o preço na gôndola foi
adotado pelas grandes redes. Que argumentam que etiquetar cada produto
"representaria um custo muito elevado, que teria que ser repassado ao
consumidor". Ora, essa linha de argumentação não resiste a
uma análise mais aprofundada. Senão, vejamos:
A adoção
do código de barras, inegavelmente um avanço fantástico, é um
instrumento de controle e instrumento facilitador para os empresários e não
para os clientes! Que gera economia, também fantástica, mas
para os supermercados, no controle de estoque; na emissão de novos
pedidos de mercadorias; nas estatísticas de fluxos de vendas; no perfeito
acompanhamento da sazonalidade de mercadorias específicas; na
racionalidade de procedimentos e mesmo no enxugamento da mão-de-obra para
realizar tais tarefas.
Inovação
que não deve, ou não deveria, em hipótese alguma, substituir as
etiquetas de preços individuais, porquanto elas garantem, por si só, o
direito inalienável do consumidor de, em cada prateleira, em cada gôndola,
comparar preços, com quantidade, peso, qualidades, medidas, composição
e acondicionamento das dezenas de produtos similares que nos são
apresentadas, no regime da livre e saudável concorrência...
Que
humano é capaz, a não ser que fosse dotado de um chip de memória de
computador instalado no cérebro, depois do carrinho cheio ao passar no
caixa, com 40/50/60 itens, de se lembrar do preço de cada produto para
conferir com o preço que está aparecendo na tela, ou mesmo já em casa
quando for conferir a nota? E depois de um mês, quem é capaz de
entrar na despensa da casa e comparar o preço da massa de tomates
comprada num supermercado com o adquirido em outro concorrente??
Convenhamos,
é de todo impossível!! E os erros também acontecem, propositais ou não,
e não são poucos. Mas a maioria acaba passando despercebida...
Por
outro lado, além do Código de Defesa do Consumidor ser claro no tocante
a obrigatoriedade do preço estar bem claro em cada produto, há várias
decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo menos uma no âmbito
do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando que os supermercados
voltem a etiquetar os preços nas mercadorias. Mas as grandes cadeias
varejistas quando não desafiam explicitamente a Justiça, recorrem aos
conhecidos expedientes e recursos jurídicos protelatórios. Apelam e
apelam em todas as instâncias. Empurrando com a barriga...
As
entidades e associações de defesa do consumidor, em cada Estado, em cada
cidade podem e devem, também usar do mesmo caminho para ir revertendo a
situação. Ajuizar ações regionais, com pedido de liminar, para que os
supermercados e suas associações locais cumpram a lei. Há um bom
exemplo a seguir: recentemente o Movimento das Donas de Casa de Minas
Gerais conquistou na Justiça uma decisão favorável neste sentido, e
outra que obriga os supermercados a retirarem das prateleiras os produtos
maquiados. Até que os fabricantes voltem a fornecê-los com os pesos e
quantidades que foram subtraídos.
Agora
o interessante nessa história toda e que desmorona de vez a frágil e
fantasiosa argumentação das grandes redes, é que os pequenos
supermercados de bairro e da periferia conseguem, sem repassar
"custos", etiquetar todos os produtos - além de ter,
em muitos casos, preços à vista muito melhor do que os
"gigantes", basta pôr na ponta do lápis.
Outro
"pequeno" detalhe é bom relembrar: as grandes redes nunca
reclamaram, nos tempos que a inflação atingia 30, 40 até 80% ao mês e
as maquininhas remarcadoras "trabalhavam" dia-noite. Nunca se
queixaram de remarcar um produto, aumentando o preço, apenas três
ou quatro dias depois da mercadoria estar na gôndola. Ao contrário,
quando a fiscalização foi intensificada, remarcavam na calada da
madrugada. Não reclamavam de nenhum "custo altíssimo para
etiquetar". Agora, com a inflação estabilizada, em que apenas
uma etiquetagem é suficiente, o consumidor é obrigado a ouvir essa
ladainha. Francamente, os supermercadistas estão aplicando dois pesos e
duas medidas. Literalmente!!
Um
ótimo feriado prolongado de N. Sra. Aparecida - que
a padroeira do Brasil dê força e fé aos brasileiros para protestar
e fazer as redes de supermercados respeitarem os direitos do consumidor - quinta-feira
(18/10)
eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
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