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Veículo: Necessário ou objeto de prazer

SAYONARA AMORIM
Da Redação

Quando alguém decide comprar um veículo, a primeira idéia que se tem é que na escolha vão pesar critérios como preço acessível, tipo comercial e modelo popular. Esse é o procedimento adotado pela maioria das pessoas. Mas, o brasileiro é considerado um verdadeiro apaixonado por carros, e alguns mais excêntricos fazem do veículo o seu bem mais precioso.

Entre os apaixonados por veículos, é possível encontrar casos muito interessantes e até mesmo inexplicáveis. É difícil para quem está de fora entender como alguém prefere adquirir, por exemplo, uma moto por uma quantia que daria para comprar vários carros populares ou comprar apenas um carro enquanto poderia possuir dois ou três.

Casos assim, por incrível que pareça, são muito comuns em Mossoró. Contrastes como empresários que arriscam a própria segurança pelo prazer de pilotar uma moto potente e um que tem verdadeira ojeriza a veículos novos e paga um preço alto para conseguir modelos antigos que chegam a ser considerados museus.

Para um brasileiro operário que trabalha duro e sobrevive com dificuldades, casos como esses são considerados absurdos. Mas, para as pessoas que têm poder aquisitivo elevado, pilotar um veículo importado significa a realização de um sonho, sentir prazer ao máximo e exercer totalmente o direito de liberdade.

O médico oftalmologista Josivan Pereira Dantas é aficcionado por importados. Atualmente, possui um carro do tipo Pajero Sport, da Mitsubish, que custa algo em torno de R$ 100 mil, o que daria para comprar uma faixa de sete carros populares. Para ele, é mais interessante adquirir um veículo importado, mesmo que o valor dele seja bem superior aos nacionais.

Mas o seu gosto por importados não pára por aí. Além da Pajero, ele ainda possui uma motoVmax 1.200 cilindradas, da Yamaha, que custa hoje R$ 51 mil. Para completar sua coleção, o médico acabou de adquirir uma moto que é a mais potente do mundo, uma Kawasaki ZX12, que chega a fazer 350km/h. A "máquina" custa algo em torno de R$ 53 mil. "Ao comprar uma moto como essa, tenho a consciência que jamais vou poder utilizar toda a sua potência, mas pilotar uma máquina assim é algo inexplicável. É uma sensação de prazer que se mistura à liberdade. É o prazer total", declara.

Outro mossoroense também apaixonado por motos potentes é o empresário Francisco Araújo da Costa, conhecido pelos amigos como Araújo Falcão Peregrino. Ele possui uma moto que custa hoje R$ 46 mil, é uma Hayabusa, da Susuki. "Ela é minha relíquia e a comprei por puro prazer", diz. O empresário se considera um apaixonado pela liberdade e diz que somente pilotando sua moto consegue sentir-se livre. Araújo, assim como Josivan, é integrante de uma associação de motociclistas denominada de "Carcarás do Asfalto".

Ao contrário do médico Josivan Pereira e do empresário Araújo Falcão, o proprietário de uma das primeiras funerárias de Mossoró, Geraldo Xavier de Medeiros, dono da Casa Funerária São Pedro, diz não suportar carros novos. Ele sempre teve predileção por carros velhos. Atualmente possui um Caprice, da Chevrolet, ano 1974, e um Ford Landau, também de 1974. "Me sinto muito bem pilotando modelos antigos. E quanto mais velho o carro, mais fico atraído", afirma.

O empresário conta que diariamente chegam em sua empresa vendedores de consórcio oferecendo os mais novos modelos e as vantagens, mas ele diz não sentir qualquer atração. Geraldo explica que possuir um modelo antigo em Mossoró tem seus transtornos. Por exemplo, a manutenção tem que ser feita em outros centros. Mas nem isso o faz desistir. "Eu nunca usei um carro novo e nem pretendo", declara.