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Mossoroenses
reprovam o horário de verão
Luís Juetê
Da Redação
cotidiano@omossoroense.com.br
Entrou em vigência
à zero hora de hoje o horário brasileiro de verão, que de acordo
com o governo federal entra em cena para reduzir o consumo de energia
no país.
Na Região Nordeste,
segundo dados do Ministério das Minas e Energia, a média de economia
durante o período não ultrapassa a casa dos 0,7%.
Média considerada
ínfima e que de acordo com representantes de entidades de classe da
região o Nordeste poderia ser privado do horário de verão, como
ocorreu no ano passado.
Esse ano o horário
de verão será uma semana mais curto que os anos anteriores,
contabilizando exatos 126 dias de alteração na rotina do cidadão e
pouca economia de energia.
Em nível de
Mossoró, os prováveis prejuízos que o horário de verão poderá
causar no município são irreparaveis, segundo o presidente do
Sindicato dos Empregados no Comércio de Mossoró (SECOM), José
Rodrigues, que frisou ainda que muitos empresários aproveitam do novo
horário para explorar os seus funcionários.
"Em relação a
jornada de trabalho, muitos comerciantes de Mossoró usam o horário
de verão como artifício para explorar seus empregados com o
prolongamento no horário de trabalho", explicou, lembrando que a
maioria dos comerciários tem que levar os seus filhos para a escola.
O acréscimo na rotina de trabalho, segundo ele, leva ao desgaste do
trabalhador e conseqüentemente ao baixo rendimento.
Quanto a economia de
energia, o representante dos empregados no comércio disse que o
horário de verão sob essa alegativa é totalmente desprezível.
"Economia quanto a isso é mínima", completou.
José Rodrigues
destacou ainda que é possível que haja uma negociação entre
empregado e patrão no sentido de uma flexibilidade no horário de
entrada. "Mesmo assim o patrão sai ganhando porque depois ele
desconta no horário de saída", sentenciou.
Uma das alternativas, segundo
Rodrigues, seria uma discussão entre todos os setores da sociedade
para se chegar, pelo menos, a uma decisão sensata. "Só esse é
o caminho para se chegar a uma solução", argumentou o
presidente do Secom.
Horário de verão teve origem na
Inglaterra
As origens do
horário de verão remontam ao ano de 1907, quando William Willettb
um construtor britânico e membro da Sociedade Astronômica, deu
início a uma campanha para adoção do horário de verão naquele
país.
Naqueles dias o
argumento utilizado era que haveria mais tempo para o lazer, menor
criminalidade e redução no consumo de luz artificial.
Surgiram opositores
de todas as áreas; fazendeiros, pais preocupados com as crianças que
teriam que acordar mais cedo etc.
Willett não viveu o
suficiente para ver a sua idéia ser colocada em prática.
O primeiro país a
adotá-la foi a Alemanha em 1916, no que foi seguida por diversos
países da Europa, devido a Primeira Guerra Mundial.
A economia de energia
elétrica foi vista como um esforço de guerra, propiciando uma
economia de carvão, a principal fonte de energia da época.
Nos EUA a
introdução do horário de verão foi mais difícil, pois houve uma
coincidência com a implantação do horário de verão e do sistema
de fusos horários em 1918. O principal motivo foi a Primeira Guerra
Mundial também.
NO BRASIL -
Ele foi adotado pela primeira vez em 1931, visando também a economia
de energia elétrica.
‘As perspectivas são sombrias’
Presidente do Sindicato do Comércio
Varejista de Mossoró (SINDVAREJO) foi categórico quando indagado
pela reportagem de O Mossoroense sobre o que poderia acarretar
ao comércio local o horário de verão, juntamente com o Plano B de
racionamento de energia do governo federal.
"As perspectivas são sombrias
para o comércio de Mossoró", lamentou Anunciato, que fez
questão de ressaltar que a alteração no horário bancário já vem
prejudicando o andamento do comércio.
Com o horário de verão e os
feriados decretados pelo governo, segundo ele, o comércio tende a se
enfraquecer substancialmente.
Os dados estatísticos do Sindvarejo
mostram claramente o reflexo negativo dessa crise energética e que
pode se agravar ainda mais com o horário de verão.
No ano passado, segundo dados
repassados pelo Sindvarejo, no mês de outubro já haviam sido
efetuadas cerca de 1.000 contratações temporárias, tendo em vista o
período natalino.
De acordo com Waldemar Anunciato,
até semana passada foram efetuadas apenas 400 contratações
temporárias e o quadro tende a se agravar a partir de agora porque
com essas incertezas de mercado o consumidor tende a se retrair e os
empresários, por sua vez, evitarão novas contratações. "É
possível até que haja demissões. Por isso que vejo todos esses
acontecimentos e agora o horário de verão com preocupação",
finalizou Anunciato.
Já o presidente da Câmara de
Dirigentes Lojistas, Marcelo Rosado, foi menos pessimista no seu
discurso. Segundo ele, ainda é cedo para dimensionar as
conseqüências do horário de verão para Mossoró. "É preciso
ver como o comércio irá se comportar. Isso só depois de dois ou
três meses".
Mas de uma coisa ele tem certeza.
"Bom para Mossoró não vai ser, disso eu tenho plena
convicção", comentou.
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