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O Centro Estudantal
Mossoroense
Autor: Dorian Jorge
Freire
Dificilmente o Centro
Estudantal Mossoroense (CEM), fundado por Juvêncio da Cunha Filho,
Pucunino, marido de dona Elisa, Pacu para os Escóssias e meu pai, viveu
em sua história, período mais agitado e brilhante.
Foi, na época, a melhor
escola da cidade. Mais do que uma agremiação estudantil. Nas suas
sessões domingueiras, a moçada ensaiava política, oratória,
literatura. Descaradamente, imitávamos a Câmara Federal. Tratávamos os
colegas de "vossa excelência", muito embora, como os deputados,
fôssemos facilmente levados à vulgaridade dos insultos e do calão.
Vivíamos para o Centro,
Jaime Hipólito Dantas, Lauro da Escóssia Filho, Wilson Lemos, Pedro
Batista de Melo, Máximo Medeiros Filho, Jório da Escóssia, Francisco de
Assis Pinheiro, Geraldo Torquato, Edmilson Aires, Francisco Germano,
Francisco Costa Neto, Amélia Queiroz, Francisca Boa, Nelson Chaves,
Apolônio de Castro Filgueira, Elder Heronildes da Silva, Ranildo Falcão,
Aleixo Prates, Francisco Rodrigues.
Na tribuna centrista,
além das arengas estudantis, os problemas mais graves eram tratados.
Seriamente. Passávamos a semana lendo, estudando, anotando e domingo
sapecávamos nossa sabedoria e, principalmente nossa erudição.
A política derramava-se
do círculo estudantil e empolgava a cidade. O jornal "O
Movimento" era um primor de apresentação graças ao bom gosto, ao
capricho extremado de Lauro da Escóssia Filho. Os políticos municipais
intervinham nas nossas disputas. O PSD com Assis Pinheiro, a UDFN conosco.
O primeiro bispo, dom João Batista Portocarrero Costa, opinava. As
campanhas se estendiam do âmbito dos ginásios às praças públicas. Dia
de eleição era dia de festa na cidade. Se de manhã chegava a haver
troca de sopapos, à tarde havia bailes comemorativos.
No Dea, na praça Bento
Praxedes, com a confraternização e outros bichos.
No centro as evocações
despontavam. Máximo mostrava sua tendência para os rigores da ciência.
Jaime, sua enorme vocação literária, Apolônio, o seu legalismo, Lauro,
os arroubos políticos, Pedro a preocupação social, Wilson, o saudosismo
poético, Assis, a vocação mineira pessedista.
Possuísse Mossoró
àquela época cursos superiores e teríamos obtido resultados
favoráveis. Mas o que tínhamos era simplesmente curso secundário (na
realidade, apenas um ginásio), a Escola Técnica de Comércio. Terminado
o ciclo, havia o irremediável êxodo e muita coisa comemorada no Centro,
sob tão bons auspícios foi morrer nos desencontros da distância.
Dos nossos, Apolônio e
Jório chegaram à presidência. Lauro, Jaime, Wilson e eu fizemos parte
de várias diretorias. Fui orador e secretário. Coube-me em disputa com
Wilson Lemos, Jaime Hipólito Dantas e Pedro Batista de Melo (se a
memória não me trai) dar o nome de Rui Barbosa à biblioteca estudantil.
Secretariei o nosso partido. Fui o redator do nosso jornal.
Lá se vão tantos anos.
O Centro ganhou maioridade. Conheceu novos dirigentes, outras lideranças.
Deixou de ser a tertúlia político-literária para transformar-se em
entidade de classe. Talvez reluzindo menos, com imagem menos fascinante.
Possivelmente com ação mais efetiva.
Mas, o que guardo do meu
Centro é a lembrança do seu brilho aos domingos. A emoção dos
discursos e dos debates. A expectativa eleitoral. A incerteza política. O
passionalismo das discussões. É a saudade dos discursos de Jaime, Lauro,
Wilson. Declamação de poemas, referências a Maritain, citações de Rui
Barbosa.
E morro de saudades.
(Transcrição do livro
"Veredas do meu caminho", do autor e recém-lançado pela
Fundação Vingt-un Rosado - Coleção Mossoroense)
(Igualmente em homenagem aos 55 anos do
Centro Estudantal Mossoroense a transcorrerem no próximo dia 30 de
outubro de 2001)
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