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Crise atinge o mundo

Os impactos causados pelos atentados aos Estados Unidos em 11 de setembro já estão provocando grandes reflexos negativos na economia mundial, causando a recessão em diversos países. No Brasil, o dólar dispara e provoca a queda na venda de produtos importados, diminuição das exportações. Oportunista, o governo lança mais um reajuste de combustíveis. A equipe de O Mossoroense realizou um levantamento desses impactos junto à população para identificar quais os setores da economia mossoroense mais atingidos com a situação vigente.

O setor de fruticultura, um dos mais promissores da economia local, já está buscando novos países na Europa interessados nos produtos da região, para tentar fugir da recessão que poderá se instalar nos países dos continentes americano e asiático. As altas taxas de juros a médio e longo prazos sobem e deixam clientes receosos em contrair empréstimos. Inicialmente, o tempo é de análises e precaução. Qualquer medida tomada de forma impensada agora pode redundar em sérios prejuízos mais tarde.

 

   

Crise do terror afeta economia mundial

O real está em queda livre desde o começo do ano. A desvalorização chegou a 40% neste ano frente ao dólar norte-americano, que fechou a semana em R$ 2,782. Os motivos variaram muito, e estão ligados, segundo o governo, à crise argentina e aos atentados nos EUA.

O ano 2001, de fato, tem sido muito turbulento, mas fica uma pergunta: será que todos esses recentes eventos justificam a tamanha desvalorização da nossa moeda, ou a nossa política econômica não tem base para suportar as crises mundiais por menores que sejam?

Analistas da economia sentenciaram que na era da economia globalizada e, conseqüentemente, toda ela baseada no dólar, é inevitável que muitos países sofram duramente as conseqüências desse atentado, que, segundo especialistas no assunto, levará uma séria recessão que acometerá até mesmo os países considerados mais ricos do planeta.

Diante disso, há uma questão que a curto prazo poderá atingir em cheio um dos campos econômicos mais promissores na região, que é a nossa cidade, responsável pela maior produção nacional e exportadora da fruticultura, além da maior produção de sal marinho e primeiro lugar em petróleo na área terrestre.

Para afastar a possibilidade de queda brusca nas exportações, um grupo de empresários mossoroenses está em viagem pela Europa em busca de novos clientes para importar os produtos da região, tendo em vista que o maior importador internacional da região são os Estados Unidos e os países asiáticos.

Essa atitude do grupo mossoroense foi tomada mesmo antes do anúncio feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), na semana que o Japão entrará em recessão neste ano, que a economia da zona do Euro terá um crescimento bem abaixo dos 2%, e que a economia dos Estados Unidos irá se recuperar na primeira metade de 2002.

Todas essas informações apontam para um imprescindível reajuste da moeda americana no Brasil, o que fará com que a crise se torne mais evidente para a população de modo geral.

O Fundo irá revisar suas estimativas de crescimento para a economia mundial nas próximas semanas, após os ataques de 11 de setembro aos Estados Unidos.

No entanto, o FMI alertou sobre medidas rápidas para reativar a economia. A entidade alertou que seria um erro adotar medidas que possam ajudar nos próximos três ou seis meses, mas que no final trariam novos problemas a médio e longo prazos.

A Europa não entrará em recessão, mas deverá experimentar uma desaceleração mais forte da economia. No entanto, o crescimento no continente deverá ficar bem abaixo dos 2% este ano.

No Japão haverá uma recessão da magnitude de, possivelmente, entre 0,5 e 1 ponto percentual este ano.

O Japão, que poderia já estar em sua quarta recessão em uma década, está adotando reformas estruturais centradas em medidas para acabar com os empréstimos ruins no sistema bancário e medidas para administrar a crescente dívida pública.

A última previsão do FMI para a economia mundial foi feita no mês passado, quando previu um crescimento de 2,6% em 2001 e de 3,5% em 2002. Mas não se podia imaginar que os atentados fossem ocorrer nos Estados Unidos.

 

Dolarização de produtos provoca 
queda nas vendas

As empresas de informática da cidade vêm registrando queda nas vendas nas últimas semanas. A baixa é em conseqüência dos seus suplementos comercializados serem dolarizados, provocando também uma certa dificuldade em repor os estoques. Mesmo conseguindo manter sua contabilidade em dia, algumas lojas já estão trabalhando com a possibilidade de redução de pessoal. Essas informações foram apresentadas por funcionários que não querem ser identificados.

Mesmo não admitindo a redução de pessoal, as empresas tidas como grandes representantes do setor estão se mostrando preocupadas com as incertezas sobre as perspectivas do mercado de informática. "O mundo hoje vive um momento inconstante, e, mesmo num mercado promissor como o da informática, não se pode dizer que existe estabilidade. Seria incoerência fazer uma revelação nesse sentido, já que a baixa dos juros nos Estados Unidos tem provocado um aumento do dólar em outros países, como é o nosso caso", finaliza um dos proprietários.

As empresas que possuem um bom estoque estão procurando segurar os preços até que o mesmo seja reposto, revendo desse modo os novos ajustes de mercado.

Com essa instabilidade do dólar, alguns produtos não estão sendo oferecidos pelos fornecedores, como é o caso dos cartuchos de impressoras a jato de tinta, que já vêm sofrendo um aumento significativo.

Segundo Ricardo Melo, diretor da Mikro Center Informática, muitos fabricantes e fornecedores se aproveitaram desse colapso na economia para aumentarem os produtos, ficando praticamente inviável para algumas empresas conseguirem se manter estáveis.

Ele acrescentou que alguns distribuidores e empresas que repassam os produtos aos consumidores estão explorando essa crise através de promoções de impressoras, cartuchos e, na medida do possível, colocando outros produtos também nesse meio.

Existe nesse meio o papel das empresas de pequeno porte na cidade, que já sentem, devido à instabilidade econômica, que os fornecedores estão dificultando a venda dos equipamentos. E como a maioria são produtos importados, eles estão prendendo os estoques para não terem prejuízo, mesmo correndo o risco de fecharem suas portas.

"As empresas que mais têm dificuldades de conseguir equipamentos são justamente as brasileiras", comentou Roney Vale, gerente da MicroData Informática.

Segundo ele, existe uma paralisação no mercado perante às fábricas, devido ao fechamento das exportações e importações dos EUA nas duas primeiras semanas após os ataques do W.T.C. É o caso da AMD, que ainda não regularizou suas remessas de produtos como processadores e hardware no mercado brasileiro. Isso estaria provocando essa desconfiança nos representantes de produtos de informática.

Governo anuncia medidas para facilitar o envio 
de mercadorias para o exterior

Para tentar impedir uma queda mais brusca nas exportações, o governo brasileiro lançou na semana passada

duas medidas que desburocratizam o envio de mercadorias nacionais para o exterior.

A primeira das medidas diz respeito às remessas de câmbio para pagamento de armazenagem, fretes, impostos no país de destino e outras despesas dos exportadores que entregam produtos diretamente aos clientes. Com isso, fica eliminada a necessidade de a Secex, autorizando o envio do dinheiro para o exterior desde de que a remessa seja limitada em 10% do valor exportado, no caso de a operação não envolver o desembaraço aduaneiro das mercadorias, ou a 20% do valor, quando houver desembaraço.

Para pequenas exportações, com remessa ao exterior menor do que 10 mil dólares, a análise da Secex também será dispensada.

A segunda medida é relativa às importações de componentes que são usados na fabricação de produtos destinados à exportação. As importações, neste caso, são livres de tributação, cujos valores são devolvidos às empresas.

 

Para mossoroenses, falta de política
econômica favorece reajuste

Para conceder os constantes aumentos dos combustíveis, que já atingem um índice médio de 8,62% esse ano, foi instituída uma fórmula que leva em conta o preço internacional do petróleo tipo Brent e a cotação do dólar.

No entanto, as cotações internacionais de petróleo têm ficado abaixo de US$ 22,00 o barril, a ponta mínima da faixa de oscilação que vai até US$ 28,00 e funciona como uma referência da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).

A equipe de O Mossoroense realizou uma enquete junto à população para saber qual a real justificativa do governo para os constante aumentos, colocando a possibilidade de uma ligação entre o reajuste dos combustíveis com a guerra entre os Estados Unidos e o Afeganistão, e foi constatado que a população está atenta aos acontecimentos. Atribui à falta de uma política econômica definida.

A recepcionista Janicleide Ferreira da Costa, 22, foi taxativa ao responder que não pode existir ligação entre um fato e o outro. "Não podemos culpar esse lamentável acontecimento da guerra com a falta de uma política econômica definida do governo federal, que não possui uma equipe econômica capaz de manter os juros baixos e, ainda por cima, adota um sistema de reajuste de combustíveis que não acompanha a realidade do País, que responde por 77% do combustível consumido, e não poderia pagar esse preço que ele impõe", declara.

As balconistas Walkiria Márcia, 25, concorda com o fato de que o reajuste já estava previsto. "Foi apenas uma questão de proximidade nas datas, mas não se pode ligar o aumento de combustível à guerra. O que está acontecendo é um abuso por parte do governo federal, que governa o país através de liminares", desabafa.

Tomada de empréstimos exige cautela

Aos consumidores que desejam dispor de um microcomputador através de financiamentos bancários, é valido dizer que os juros continuam acompanhando a cotação do dólar, não interferindo desse modo na comercialização do produto para o consumidor. Atualmente, as taxas mensais de juros cobradas para o financiamento de informática variam entre 2,05% a 8,30%, o que atinge uma média anual de 24,78% a 138,65%, sujeito a variações.

Com isso, o número de financiamentos tem caído bastante na cidade, o que vem se refletindo nas empresas, que já estão calculando uma queda considerável na demanda com relação ao mesmo período do ano passado.