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Saudade de Iracema
Sempre declarei minha grande paixão por
cidades pequenas, pela vida menos veloz e concorrida desses lugares. E
hoje me aperreia o coração brejeiro esta saudade de Iracema, ali no
interior cearense, distante cerca de duzentos quilômetros deste nosso
país de Mossoró. Meu amor por Iracema teve seu começo (não recordo o
mês) no ano de 1998, quando lá estive em companhia de um dos seus
filhos, o poeta Caio César Muniz, que tratava do lançamento do seu,
imagino com esta memória amnésica, segundo livro de poemas. Minha estada
se deu na casa da boníssima Graça Muniz, tia do referido poeta, que nos
acolheu (como é próprio do cearense e de toda essa gente interiorana)
com o carinho e a mais hospitaleira e sincera hospitalidade que se pode
oferecer. Ali também, devo confessar, encontrei uma das figuras mais
amadas de meu coração forasteiro, Vanúzia, uma moça iracemense que
vesti com a camisa de bronze de um soneto inevitavelmente comprometedor.
Assim me dói esta saudade de Iracema, cidadezinha cheia de graça que
toda cabe num só olhar. Como no soneto do mestre Quintana. Espero não
demore muito eu possa me encontrar entre aquelas serras, onde o relógio
enguiçado na torre da igrejinha matriz nos recebe a todos de braços
abertos, como se cheio desta saudade que o tempo não deixa nunca morrer.
Vou-me embora pra Iracema!
Estão abertas as inscrições para o
"Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães", que se estendem
até o dia 30 de novembro deste ano. Maiores informações pelo fone
(0xx84) 221-2938. Biblioteca Municipal "Nei Pontes Duarte"
convida para reunião de fundação da "Sociedade Amigos da
Biblioteca", que ocorrerá no próximo dia 17, às 17h. Apostilha
do "Curso de Iniciação à Poesia", elaborada pelo poeta
Crispiniano Neto e aplicada no antigo "O Sujeito" no ano de
1999, está sendo trabalhada agora para ganhar formato de livro. Crispim
não sossega. O "Projeto Outras Falas" apresenta hoje, às
17h, no Auditório Vingt-un Rosado, o espetáculo "O Soldadinho
Perneta", com Augusto Bonequeiro e Ângela Escudeiro. Enviamos
nosso abraço à senhora Nilza Maia, nossa mais nova leitora, e mãe da
jornalista Fávila Maia.
Correspondência
Atendendo ao pedido do poeta Jomar Rêgo,
publicamos a seguinte correspondência: "Mossoró, 1° de outubro de
2001. Marcos: A onda nacionalista já começa a inundar o mundo, partindo
dos Estados Unidos da América. O exemplo americano contagia, in totum, o
resto do mundo. E há, por isso, um prenúncio de combustão universal
próxima: a hecatombe mundial será inevitável! Respeito ao nacionalismo,
cá em Mossoró, eu parti na frente, pregando, através dos meus versos
patrióticos, o reamamento nacionalista, do Brasil! E hei-de continuá-lo!
Por conseguinte, venho de escrever, especialmente, para essa Coluna
Literária, o Hino marcial anexo (publicado no último domingo), que julgo
o alter ego do poema marcial criado por Joaquim Osório Duque Estrada,
aquele belíssimo grito de guerra, que os brasileiros jamais nunca
escutaram ou não o querem!!! Quanto ao Hino marcial — Creio! — que
produzi com alma e fervor pátrios, ha-de ter, cedo ou tarde, a sua
melodia, o que rogarei de um grande músico potiguar; senão, eu mesmo lhe
porei uma, ex improviso. E, se algo dependesse de mim, do meu fervor
nacionalista, e do de um pugilo de bravos brasilleiros, seríamos ainda, a
Pátria fardada e egemônica, o tendo por satélites as outras nações,
que teriam de nos lamber os coturnos!!! O sangue pela Pátria!!! Cordiais
saudações, Jomar Rêgo. P.S. Peço-lhe publique-me a carta,
textualmente.

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Memórias de um
retirante
Entre os títulos de mais uma safra de
importantes livros apresentados ao leitor norte-rio-grandense pela
Coleção Mossoroense/Fundação Vingt-un Rosado, enfocamos hoje uma obra
de um dos mais significativos expoentes da literatura potiguar: o saudoso
e festejado escritor e professor Raimundo Nonato da Silva.
O título que destacamos neste nosso
Autores e Obras é o livro "Memórias de um Retirante", agora em
sua terceira edição, que foi pela primeira vez editado no ano de 1957,
no Rio de Janeiro, com orelhas escritas pelo historiador e folclorista
potiguar Luís da Câmara Cascudo, aos 11 de agosto do respectivo ano, e
prefaciado por Raimundo Nunes.
‘"Memórias de um Retirante’ é
trabalho de homem, trabalho de teima, sofrido, pensado, sonhado, lento,
lerdo, veloz, atribulado, mas incessante em sua marcha ascensional. Quando
a gente acaba de ler, recorda de como Guillaumet andou, nos gelos dos
Andes, duas noites e dois dias, e venceu para dizer: Une bête n’aurait
pás fait ce que j’ai fait! E é mesmo", analisa Câmara
Cascudo.
Neste livro, que se
apresenta mais como uma biografia romanceada do que propriamente um
romance, Raimundo Nonato resgata com simplicidade e beleza nos caminhos da
memória uma grande parte de sua infância de menino pobre ao pé da serra
de Martins, descrevendo a história verídica de quem sofreu na pele os
flagelos da lastimável seca de 1919.
"É um livro que deve ser lido e
guardado, carinhosamente, pelo repositório de episódios que sintetiza em
sua magnífica tessitura. Escrito em estilo simples e objetivo, se torna
atraente pelas surpresas que desdobra, nesse manancial de ensinamentos que
robustecem a fé, na vitória do espírito encorajado pela disciplina da
inteligência, a serviço da sensibilidade humana", diz Raimundo
Nunes no prefácio escrito em 1957.
TRECHO DO LIVRO:
"(O Acendedor de Lampiões —
página 22)
Dessas lembranças de um passado que
sempre me acompanhava, uma era mais viva, a da amizade do Benvenuto, o
acendedor dos lampiões, que todas as tardes, quase à boquinha da noite,
vinha com a escada no ombro, e por ela subia no poste, queimando a mecha,
que logo ficava ardendo, soltando uma luminosidade fumacenta, amortecida e
triste.
Àquela hora, ou no outro dia, quando
ainda cedo voltava para limpar as mangas de vidro e reabastecer os
depósitos de querosene, dava dois dedos de conversa comigo, que ficava
ali por junto, entregando um pano, ajudando a ajeitar um pavio, ou
segurando a escada. Depois, tudo pronto, lá se ia o Benvenuto,
invariavelmente, parando em cada esquina, limpando outros lampiões,
enquanto, de longe, eu ficava esperando pela sua volta, no outro
dia."
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