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A Primeira Fase do
Cinema Brasileiro
Dando continuidade ao
trabalho iniciado no sábado passado, adentraremos no século 20 indo até
1912. As câmaras de madeira à manivela só haviam sido utilizadas no Rio
de Janeiro, São Paulo, com o Alfonso Segreto, Paraná e Rio Grade do Sul
com o Giuseppe Fellipi.
A multiplicação de
salas de exibição a partir de 1907 trouxe o aumento da produção
cinematográfica dos Estados acima destacados, como também espalhou o
cinema para outras regiões do país, incluindo o Norte e Nordeste.
Os temas filmados eram
bastante ecléticos, oscilando entre curiosidades, como A Chegada do
Primeiro Automóvel a Curitiba, e a cultura regional, destacando Ranchinho
do Sertão, o primeiro filme de ficção gaúcho realizado por Eduardo
Hirtz.
Nos grandes centros
urbanos foram realizados os primeiros cinejornais, como o Bijou-jornal do
Serrador, os filmes de animação tendo como personagem, os calungas do
Raul Pederneiras e os filmes publicitários/políticos tendo Hermes da
Fonseca como a principal figura, realizando assim uma campanha inédita
para a Presidência da República.
A variedade e a
modernidade das grandes cidades atraiam o público, que apreciava desde
operações de irmãs xifópagas, a pantomima baseada na obra de José de
Alencar, O Guarani.
Os expectadores adoravam
o filme criminal e o musical. As rápidas e profundas transformações
sociais políticos, econômicos e culturais que assolavam o Rio de
Janeiro, e em menor escala o restante do país, trouxeram em seu bojo o
impacto da sociedade de massa, incluindo a violência.
O cinema antecipou o
jornalismo moderno, pautado em fatos do cotidiano da sociedade, que foi
introduzido em 1911 no Brasil com a fundação do jornal A Noite, do
Irineu Marinho. Desde aquela época, que os produtores perceberam que o
crime é um tema que instiga o público e é rentável nas bilheterias.
Iniciando com
documentários sobre crimes reais, evolui para a encenação de tais
acontecimentos culminando na criação de estórias sobre o assunto.
A Empresa Paschoal
Segreto exibiu em 1906 Rocca, Carletto e Pagatto na Casa de Detenção. À
curiosidade natural em torno de um crime de grande comoção popular
somou-se a um persistente interesse do público pela fita, contrariando a
expectativa média de dois ou três dias de um filme em cartaz.
O filme cantante causou
furor entre as platéias, a sobreposição de som e imagem levou um grande
número de pessoas a lotar as casas de exibições para conferir de perto
as árias cinematográficas.
O referido gênero teve
como grandes nomes Cristóvão Guilherme Auler e Alberto Moreira,
co-proprietários do Cine-Teatro Rio Branco, que produziram uma grande
quantidade de filmes cantantes. O sucesso dessas películas estava na
ousadia artística que imprimiam aos filmes.
Barcarola, realizado em
1908, o primeiro filme realizado por Auler e Moreira, colocava o elenco
muito mais próximo da platéia do que era comum então, pois utilizam a
técnica do plano médio, onde aparecia a imagem das pessoas do tronco
para cima, facilitando a sincronia labial e a interpretação do
ator/canto.
A revista nacional
popularizou de vez o gênero cantante, atingindo o seu ápice com o
film-revista Paz e Amor, do José do Patrocínio Filho. Intercalando tipos
populares com personalidades públicas, o filme contextualiza de forma
irreverente e inédita, a sociedade do Rio de Janeiro.
Revolucionaram a
concepção do gênero cantante, incluindo diálogos ao já tradicional
canto, fazendo uso inclusive, de uma grande orquestra, coro, bailarinos e
um grande elenco.
Com isso, o público
transformou Paz e Amor no maior sucesso de seu tempo. Somente no Rio de
Janeiro, ficou em cartaz por quase dois anos. No Cine-Teatro Rio Branco
ultrapassou a marca de mil exibições continuas durante o ano de 1910.
A partir de 1912, a
comercialização de filmes muda da venda direta para o aluguel e depois
para a percentagem de bilheteria, deixando bastante baixa a margem de
lucro, com isso, os produtores deixam de investir na produção de filmes
nacionais, diminuindo drasticamente a quantidade de títulos lançados.
Observa que desde cedo, o
nosso cinema não teve o apoio necessário para se manter forte, sendo
sempre preterido por produções realizadas além das nossas fronteiras.
Em nosso próximo encontro, destacaremos
a segunda fase da trajetória histórica do Cinema Brasileiro. Esperamos
por você. Até lá.
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