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Hecatombe
JOMAR RÊGO
O príncipe dos poetas mossoroenses
Há, nesse instante, pelos céus, em
fora,
Uns longes naturais dum ar combusto!
A Humanidade, pálida de susto,
Espera da hecatombe a próxima hora!
Procure-se evitá-la, muito embora,
Não haverá detê-la, no seu gesto,
Que toda a vida visará, de resto!
E nessa combustão universal,
A vesânia insofrida do Oriente
Visa a ferir os povos do Ocidente,
Com sua devoção irracional!
Por isto, todo o orgulho ocidental
Levanta-se ferido, para a luta,
Fiando na vitória da disputa!
Não há, ness’hora, pois, se
dissuadir,
Que se nos aumentam, passo a passo,
Os ventos da Desgraça! E de fracasso
Em fracasso, a esperança! Que o porvir
É de só pessimismo — só carpir!
— Mas cumpre defender, urgentemente,
As Nações educadas do Ocidente!
Eia! Sus! Velho e novo Continentes!
A irracionalidade oriental,
O golpe quer vibrar, cruel, mortal,
Contra vossos humanos contingentes!
— Eia! Sus! Bravos povos, bravas gentes!
Resisti, resisti! Lutai, ad uno!
Para vencer o bárbaro, o novo huno!!!
Passarinho verde
AUGUSTO FLORIANO
Autodidata
As pessoas passam
indiferentes aos segredos
que as ondas murmuram na areia
e que o vento sussurra
ao ouvido dos coqueiros.
Ninguém mais perde tempo
imaginando desenhos nas nuvens.
Ninguém!
Os pássaros acostumaram-se com os homens
e não fogem quando a gente passa.
Mas também não cantam,
afrouxam pios tímidos, quase mudos.
No fundo, todas as aves foram contaminadas
por um complexo,
digamos... um complexo de pardal.
Daí, escrever poemas,
que já era ofício de maluco,
tornou-se coisa mais estranha,
coisa de filho da puta
que ainda acredita
em passarinho verde.
Profano
GENILDO COSTA
Cantor e compositor
A cidade acanhada
nasce, adormece, morre.
A noite profana
ama pelos labirintos
dos becos.
A sórdida solidão do cais
ofusca a lágrima,
a última lágrima
que despencou sozinha...
Afresco Jacob e o anjo
na igreja S. Sulpice
MÁRCIO DE LIMA DANTAS
Mestre em literatura comparada pela UFRN
(Extraído do livro Metáfrase)
Sei que não é dessa luta que o tempo
outorgará minha morte.
Sei do meu esforço de sentinela e de
infante ao mesmo tempo.
Sei muito bem que a armadura e as
armas não me pertencem.
Sei que de fora a fora, permanecerei
combatendo minha alma.
Sei do titânico, inglório, amargo, que
é derrotar a si próprio.
Noite insone
HUMBERTO PESSOA
Funcionário público
A boca de luz do sol lambe
o seio pétreo da igreja matriz,
o dia se inflama no comunismo
rural dos primeiros galos...
A procissão diáfana das cores
desfaz o conluio das sombras,
e o carro de boi da manhã
conduz o esquife tétrico da noite.
No abandono do quarto, diante
da prostituta sobre tela de Cilon,
adivinho o lábio da musa morta,
enquanto o crepúsculo dos meus
olhos agoniza entre as cortinas
gastas da penumbra, na ronda
insone dos meus sonhos órfãos.
Receita
LEONTINO FILHO
Professor de literatura dos campos avançados da Uern de Pau dos Ferros
quantas coisinhas pra nada
delírios
refeição
quantos dengos pra nada
cogumelo
contendas
inteiriça neblina
avesso devaneio
nada melhor
Tempo
SYMARA TÂMARA
Estudante
O tempo é senhor de tudo,
Da vida e da morte vencedor...
Sobrevive às calamidades do mundo,
Guardando sempre consigo o amor.
Lágrimas
GUSTAVO LUZ
(Extraído do livro “Chuva de Palavras”)
Então fico a chorar lágrimas
pingos de chuvas a escorrer
pensamento e ausência
estado de carência
de mãos e de abraços...
me debulho em poemas.
Aos meus irmãos
CAIO CÉSAR MUNIZ
Presidente da Poema — Poetas e Prosadores de Mossoró
Levantai a cabeça, irmãos,
O mundo continua
E os canalhas sempre existirão.
Levantai, irmãos, a cabeça.
Essa dor na alma passará
E muitas outras ainda virão.
É preciso erguer-se
Para continuar lutando.
Ergam-se! Se precisarem de apoio,
Aqui está o meu ombro.
Ergam-se!... Levantem a cabeça!
Mar de mistérios
RICARTE BALBINO
Sócio da Poema – Poetas e Prosadores de Mossoró
Como num instrumento,
Eu quero tocar o teu corpo
E ouvir as notas do teu prazer.
A música que eu tanto desejo,
Quero escrevê-la no teu corpo,
No compasso dos teus beijos.
Eu quero ler a tua poesia
Em cada curva desse teu corpo,
Em cada uma dessas noites ardentes.
Por fim, eu só quero navegar
Com esse desejo de quero mais
Nesse mar dos teus mistérios.
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