Preço do pão não baixará com redução do dólar

IZAÍRA THALITA
Da Redação

Preço do pãozinho de cinqüenta gramas, que custa até R$ 0,25, só deve baixar nos próximos dois mesesTempos remotos aqueles em que com um real o consumidor levava dez pãezinhos para casa. Na época da estabilidade máxima da moeda, o pão - um dos alimentos básicos na mesa do trabalhador - era uma das poucas garantias de alimentação, mesmo quando faltava de um tudo.

Agora, o pão custa até vinte e cinco centavos. A maior parte deste aumento no valor veio no ano passado com uma desestabilização da moeda brasileira em relação ao dólar.

Mas com as reduções no valor dan moeda americana, o consumidor já pensa se verá o preço do pãozinho de cinqüenta gramas cair um pouco. Apesar disto, esta possibilidade ainda não é creditada pela maioria dos panificadores que justificam que a farinha de trigo ainda está sendo adquirida ao valor antigo, ou seja, mais caro e nem todos os aumentos nos custos ainda foram ultrapassados por eles.

Quem afirma é o presidente da Associação dos Panificadores de Mossoró e Região Oeste (APASMO), Gerson Nóbrega. Ele explica que os panificadores locais, principalmente os menores, ainda sofrem bastante com um encarecimento dos produtos primários como a farinha de trigo por exemplo.

À frente da entidade na segunda gestão, por mais dois anos, Gerson Nóbrega relembra ainda que não é só o trigo que tem de baixar para que os preços dos produtos baixem, mas também o açúcar de confeiteiro e a margarina que ainda não baixaram.

“Sentimos como poucos os efeitos. Praticamente todos os nossos produtos, no conjunto, foram dolarizados e aumentaram custos que sequer cobrimos ainda”, justifica ele.

Apasmo priorizará criação de cooperativa para compra de produtos

Assumindo o primeiro ano de sua segunda gestão à frente da Apasmo, Gerson Nóbrega afirma que este ano a proposta maior da associação está na criação de uma cooperativa com os panificadores, maiores ou menores, para a compra em conjunto dos produtos.

A exemplo do que fizeram supermercadistas locais, a idéia se baseia  em uma compra que atenda aos panificadores. Juntos, Gerson acredita num fortalecimento das panificadoras menores e numa redução muito maior nos custos destes produtos básicos como a farinha de trigo, o açúcar e a margarina, por exemplo.

Sem falar que a idéia é evitar fechamento de panificadoras, desemprego e aumentos no preço dos pães, caso haja mais um descontrole da moeda, como no ano passado.

“Estamos elaborando a idéia da cooperativa com essa finalidade já com uma boa aceitação de uma grande parte dos panificadores associados”, reforça Gerson Nóbrega.

Preço deve ser mantido até
os próximos 60 dias

A possibilidade de haver redução no preço do pão só é acenada, mas timidamente, daqui a dois meses, quando estes produtos básicos de estoque já tiverem sido consumidos e se o dólar permanecer em baixa até lá.

“Infelizmente só vemos a possibilidade de redução nos próximos 60 dias, se a moeda permanecer neste valor. Do contrário, o preço deve permanecer, sem aumentos, porque o panificador não pode nem aumentar mais o preço do pão, do contrário fica invivável a venda”, afirma Gerson.

MOINHOS - No entanto, alguns moinhos repassam que a farinha de trigo já baixou. Em alguns moinhos espalhados pelo Nordeste, o preço da farinha de trigo baixou em quase 10%, o saco com 50 quilos do produto antes vendido a R$ 41,50, pode ser comprado por R$ 38,50.

Logo que ocorreu a desvalorização do real, no último dia 13 de janeiro, os moinhos reajustaram os preços, temendo uma supervalorização da moeda norte-americana.

A maior parte da farinha de trigo que vem para o Recife é importada da Argentina. Com a alta do dólar, o produto ficou mais caro. A expectativa é de que o atual preço continue o mesmo até o próximo dia 18, quando os diretores dos moinhos deverão reavaliar o impacto do preço do dólar na compra do produto.


 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 15 de janeiro de 2003