Veículos

 Percorrendo a América de jipe

CRISTIANO ROJAS
Da Redação
rojas@omossoroense.com.br

Imagine viajar toda a costa da América num jipe. Coisa de louco? Pois é isso mesmo que o paulista Edson Antônio Augusto Secco, policial florestal aposentado, pretende fazer.

No velho jipe Wallys adaptado, ano 1954, Secco, como é mais conhecido, carrega muito mais que roupas, saco de dormir, barraca e outros apetrechos indispensáveis para uma aventura dessas.

VIAGEM – O policial leva consigo também um sonho de infância de percorrer o continente americano de carro pela Transparamericana, estrada construída durante a 2º Guerra Mundial. “Esse sonho demorou 40 anos para virar realidade”, diz.

Secco partiu de São Sebastião, no litoral de São Paulo, em 3 de fevereiro de 2002, numa viagem programada para durar dois anos e percurso de cerca de 140 mil quilômetros.

A viagem será feita em três etapas, sendo que a primeira compreende apenas a América do Sul, a segunda inclui a América Central no roteiro e na terceira e última ele pretende dar a volta em torno do continente americano.

Velho Wallys passou por modificações
antes de partir

Quando o velho jipe enguiça ou quebra, é ele mesmo quem faz o conserto, coisa que aprendeu na época em que possuía uma oficina especializada em jipes, em São Sebastião.

O velho Wallys foi sendo montado com peças originais e algumas adaptações feitas durante os anos que antecederam a viagem. Secco conta que comprou o jipe há 10 anos.

O motor, que antes era a gasolina, foi adaptado para óleo diesel, economicamente mais viável. Um câmbio Mitsubishi de 5 marchas de 2001 foi acoplado numa reduzida caixa de 1954.

SONHO – A passagem de Secco por Mossoró se deve também a um antigo sonho de menino, de conhecer as famosas salinas da chamada Costa Branca brasileira. “Fiquei impressionado. Parecia miragem. Tirei várias fotos daqueles morros enormes de sal”, diz.

Do Rio Grande do Norte, ele partirá para Fortaleza, no Ceará, mas não sem antes dar um pulinho até Canoa Quebrada. Daí segue com destino a Roraima, de balsa, onde fará uma parada. O jipe costuma rodar 15 quilômetros com um litro de diesel.

Em seguida, Secco desce para a Colômbia, Equador, Peru, onde pretende ir até a cidade histórica de Cuzco, Bolívia e assim por diante. Ele espera que até 20 de fevereiro esteja no sul da Argentina, em Ushuaia, completando assim a primeira etapa da viagem.

Carro propicia contato direto com
povos e costumes

Foi a paixão por veículos que levou Edson Secco a fazer essa viagem da qual ele classifica como dos seus sonhos. No futuro pensa em escrever um livro relatando sua aventura através do continente americano num jipe.

Secco diz que decidiu recortar a costa sul-americana devido a facilidade em se comunicar com as pessoas do litoral, que, segundo ele, são mais hospitaleiras, sem falar que a viagem de carro propicia o contato direto com pessoas e os costumes dos lugares.

O aventureiro conta que em quase um ano de estrada já conheceu uma porção de gente. Fez muitas amizades no meio do caminho. Suas impressões sobre o povo brasileiro são as melhores possíveis.

SOLIDARIEDADE – “O Brasil é um país de solidariedade, de Norte a Sul. Mesmo sem conhecer, as pessoas chegam juntas, conversam, oferecem uma coisa e outra. É excepcional. Até agora não fui maltratado em nenhum dos lugares por onde andei”, comenta Secco.

Das praias por onde passou o aventureiro cita Parati, no litoral fluminense, patrimônio histórico da humanidade e o qual ele achou conservadíssimo, Vila Velha e Nossa Senhora Leopoldina, no Espírito Santo, que foi a primeira cidade brasileira a ter uma montadora de veículos, em 1929.

Ele cita ainda Itaparica e Salvador, ambas na Bahia. Secco já percorreu quase todo o Rio Grande do Norte. Foi em Macau, Tibau, Parazinho, mas o que mais chamou mesmo sua atenção foram as salinas.

Outro pedaço do litoral potiguar que muito chamou sua atenção foi a comunidade de Cajueiro, na praia de Touros, onde ele passou quase uma semana. “O local é lindo”, diz.


 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 15 de janeiro de 2003