|
Reforma
da Previdência
A reforma
da Previdência é tema polêmico e, por isso
mesmo, muito apaixonante. O atual governo
está convicto que aprovará essa reforma,
consciente do apoio popular recebido nas
urnas. Entretanto, é conveniente lembrar
que, por quatro vezes, o Congresso Nacional
rejeitou propostas semelhantes, todas elas
originadas do Poder Executivo.
Os atuais
governantes raciocinam que essa reforma
nunca foi concretizada pela mobilização
orquestrada pelo PT, que a bombardeava sistematicamente.
Agora receberá o apoio daqueles que votaram
inicialmente pela aprovação do projeto,
ou seja, PSDB, PFL e maioria do PMDB. Esse
pensamento não corresponde à realidade atual,
mas mostra a necessidade de forte poder
de negociação por parte de quem toma a iniciativa.
Quando
membro da Comissão de Seguridade Social
e Família, a convite da Cia. Atlântica de
Seguros, tive oportunidade de passar uma
semana em Buenos Aires, estudando o sistema
previdenciário daquele país, do Uruguai
e do Chile. Todos os partidos políticos
se fizeram representar e, os deputados do
PT que fizeram parte da comitiva foram criticados
por outros companheiros. Diziam que a viagem
sendo patrocinada por uma seguradora levantaria
suspeitas de comprometimento. Lembro o episódio
porque o atual governo, do PT, propõe reforma
semelhante àquela que vimos em outros paises
sul-americanos.
Importante
é que os petistas que estudaram o assunto
lembrem que, no Chile, o povo estava sob
regime de força. No Uruguai e na Argentina,
o segurado tinha direito à opção, entre
participar da previdência privada, tipo
cotas de investimento, ou continuar no sistema
público. Com pouco mais de cinco anos de
experiência, a opção dos argentinos estava
se aproximando do patamar de 50%, pelos
resultados positivos obtidos pelo sistema
de capitalização. Mesmo assim, quem tinha
recursos dividia seus investimentos entre
as duas opções, o público e o privado. Os
mais jovens optavam pelo privado e os mais
antigos, pela previdência governamental.
|