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Preconceito: muitos sofrem, mas poucos lutam contra

 

Bruno Barreto  
Da Redação

A enquete do O Mossoroense realizada esta semana com a pergunta "Você já sofreu preconceito?" apontou que 77% dos internautas já sofreram algum tipo de preconceito. No entanto, as pessoas sentem receio de procurar os seus direitos ou de contarem histórias em que foram discriminadas pela situação social, econômica, opção sexual ou cor da pele.

O advogado Marcos Araújo conta que são raros os casos em que uma pessoa que sofre algum tipo de discriminação procura os seus direitos. "As pessoas ficam envergonhadas em denunciar, o último caso nos tribunais de Mossoró que ganhou notoriedade foi o de um homossexual que por sua opção de vida foi demitido do Banco do Brasil de Umarizal, ele entrou na Justiça do Trabalho e retornou ao emprego, mas pediu para ser transferido para a Bahia em virtude do constrangimento", exemplifica.

Segundo o antropólogo Glebson Vieira, o preconceito é o ato que os seres humanos desenvolveram como um uma defesa, julgando os outros indivíduos de forma prévia, generalizando o outro de forma pejorativa, por isso o medo de tomar atitudes contra isso. "A sua origem é genuinamente humana, desde que as relações sociais existem temos esse tipo de problema que já gerou até guerras e intimida muita gente", destaca.

Conforme o antropólogo, o ato preconceituoso é algo inerente à mente de qualquer ser humano, independente de sua condição social. "O preconceito é uma autodefesa que o indivíduo tem para se reafirmar pessoalmente", frisa.

O sociólogo Giovani Rodrigues afirma que o preconceito é algo tão intrínseco na mente das pessoas que elas acabam tendo preconceito até com a sua própria condição. "Não é  muito difícil encontrar pessoas negras, por exemplo, desmerecendo outras pessoas por causa da tonalidade escura da pele", justifica.

Segundo o sociólogo, pessoas que sofrem preconceito costumam reagir de duas formas: "Uma pessoa discriminada constantemente por qualquer motivo pode se tornar um ser humano solidário e que lida bem com as situações adversas que é obrigado a enfrentar, mas também pode se tornar uma pessoa altamente preconceituosa que não sabe lidar com as diferenças", explica.

De acordo com Glebson Vieira, a idéia de democracia 'racial' no Brasil esconde um racismo velado. "As estatísticas mostram que maior parte dos pobres é negro e que a maior parte dos ricos é branco, o racismo é ideologicamente velado, mas existe de fato", conclui.

O antropólogo afirma que vários preconceitos já são bem menos intensos do que em outras épocas: "Muitos preconceitos estão desaparecendo, mas os sexuais ainda possuem uma carga muito forte", comenta.   

Pessoas contam histórias de preconceito

Durante uma semana diversas pessoas contaram histórias em que sentiram a dor causada pelo preconceito.

Uma delas é a universitária Cristina de Souza que já que foi julgada pelos colegas por ser mãe solteira. "As pessoas sempre duvidando de meu caráter, isso não aconteceu somente na faculdade, após o fim do relacionamento em que meu filho foi gerado conheci um outro rapaz e a família dele me aceitou muito bem, com exceção de sua mãe que implicava comigo simplesmente porque tinha um filho, como se isso me impedisse de ser feliz com o dela", critica.

A socióloga Rejane Medeiros, portadora de necessidades especiais, conta que sofreu uma situação vexatória em uma fila de banco: "Estava na fila destinada a deficientes e um homem começou a dizer que queria sofrer um acidente para poder usufruir desse direito, pode um negócio desses?", questiona.

O estudante Fabiano Vilela relata que já foi ameaçado na praia por ser homossexual. "Estava em uma barraca e como os meus trejeitos identificam minha opção sexual, um brutamontes chegou perto de mim e perguntou o que leva um homem a gostar de outro, eu disse que não sabia explicar aí ele começou a dizer que ia bater em mim, até hoje me pergunto por que ele teve aquela atitude",  lamenta.

O estudante de Jornalismo Juscelino Neco, que se veste ao estilo punk, afirma que encontra muita dificuldade em ser atendido em uma loja. "É muito complicado os vendedores pensam que porque me visto de maneira diferenciada não tenho condições de comprar, sempre preciso apelar", declara.

O frentista Paulo Andrade conta que por ser negro também tem  dificuldades em ser atendido nos estabelecimentos. "Uma vez estava em um bar, passou meia hora e nada de me oferecerem nada, depois chegou um amigo de pele clara e num instante o garçom perguntou o que a gente queria, o meu amigo se revoltou e a gente acabou indo beber em outro lugar", diz.

O Mossoroense  foi Às ruas repetindo a pergunta da Internet, ‘Você Já sofreu preconceito’? Veja o resultado:

"Já aconteceu comigo diversas vezes por causa de minha condição física e econômica as pessoas sempre negam o que peço e batem a porta na minha cara, me negam até um copo de água", Francisco da Silva, ex-servente e pedinte portador de necessidades especiais.

"Já sofri indiretamente por causa de minha cor e opção religiosa, mas isso é fruto da falta de educação das pessoas, isso acontece até na própria comunidade evangélica onde os pastores negros contam com pouco respaldo. Para se ter uma idéia, um colega nosso foi queimado por conta de aparência", João Leandro pastor evangélico negro.

"Muita gente chega perto da gente dizendo que foi um de nós que arranhou o seu carro que já chegou com o arranhão, isso só acontece porque passaram a dizer que todo flanelinha arranha carro", Francisco das Chagas, flanelinha.

"Nunca sofri, mas conheço a história de uma senhora negra que tem uma condição financeira boa, mas que foi maltratada em uma loja por causa de sua cor. Ela foi a outro estabelecimento e foi diferente só porque as pessoas já a conheciam", Vera Lúcia, comerciante.

O preconceito ao longo da história ocidental:

- Antiguidade - Greco-romanos x Bárbaros: Os bárbaros (aqueles que não eram de origem grega ou romana) eram escravizados e não eram considerados seres humanos.

- Idade Média - Cristãos x Pagãos: Entre os diversos tipos de preconceitos na época medieval os pagão (aqueles que não professavam o cristianismo) eram considerados infiéis e perseguidos pela Igreja Católica.

- Idade Moderna - Civilizados x  Selvagens: Os não europeus eram considerados seres inferiores que precisavam ser cristianizados.

- Atualidade: São diversos tipos de preconceitos divididos em três categorias:

1) Social: ex.: condição financeira, aparência física, preferência política...

2) Sexual: orientação sexual, virgindade...

3) Étnico: cor da pele, religião...

O preconceito segundo:

O dicionário Aurélio: Julgamento de opinião formado, sem se levar em conta o fato que os conteste.

Sociólogos: Autodefesa que os indivíduos têm para se reafirmar socialmente através de uma idéia preconcebida.

 

 

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